O universo Michelin acaba de ganhar um novo símbolo de excelência. Depois das famosas estrelas concedidas aos restaurantes e das chaves criadas para distinguir hotéis, o Guia Michelin volta seus olhos para o mundo do vinho. A nova classificação usa “uvas” para avaliar propriedades vinícolas e acaba de chegar a uma das regiões mais emblemáticas do planeta: Bordeaux.
A seleção dedicada aos châteaux bordaleses surge após a estreia do sistema na Borgonha, no início de 2026, e reforça a expansão do Michelin para além da gastronomia tradicional. Além de avaliar o vinho servido à mesa, a proposta agora é observar o trabalho realizado desde os vinhedos até a identidade construída por cada propriedade.
Em Bordeaux, nove vinícolas receberam a classificação máxima de três uvas, enquanto 16 ficaram com duas uvas, 37 receberam uma uva e outras 21 foram incluídas na categoria “Selecionadas pelo Guia Michelin”.
Nove propriedades no topo da seleção
Entre os nomes contemplados com três uvas estão alguns dos châteaux mais celebrados do mundo. No Médoc, aparecem Château Lafite Rothschild, em Pauillac, Château Montrose, em Saint-Estèphe, e Château Léoville Las Cases, em Saint-Julien.
O grupo de maior destaque também inclui o lendário Château d’Yquem, em Sauternes. Na margem direita de Bordeaux, a seleção reúne Petrus, La Conseillante e Lafleur, em Pomerol, além de Cheval Blanc e Figeac, em Saint-Émilion.
Já entre as propriedades que conquistaram duas uvas estão nomes como Mouton Rothschild, Margaux, Haut-Brion, Palmer, Angélus, Canon, Vieux Château Certan e Les Carmes Haut-Brion.
A ausência de Château Latour entre os selecionados chamou atenção. Segundo o Guia Michelin, porém, isso não representa um julgamento definitivo. A avaliação da propriedade ainda não havia sido concluída quando a primeira edição foi fechada, e a seleção deverá ser revista anualmente.
Como funcionam as “uvas” Michelin?
A chegada do Michelin aos vinhedos não se resume a uma prova de taças ou à análise de uma única safra.
Segundo o guia, as propriedades são avaliadas a partir de cinco critérios: qualidade agronômica, domínio técnico, identidade, equilíbrio e consistência. Diferentes safras também entram no processo, o que permite aos inspetores observar a regularidade do trabalho realizado ao longo dos anos.
A metodologia amplia a discussão sobre o que define uma grande vinícola. Manejo do vinhedo, precisão técnica, expressão do terroir e capacidade de manter a qualidade passam a integrar formalmente a equação Michelin.
Para Gwendal Poullennec, diretor internacional do Guia Michelin, a seleção mostra uma Bordeaux “profundamente fiel à sua história, mas nunca estática”.
Uma nova influência sobre o enoturismo
A novidade também pode ter impacto muito além das adegas.
Durante décadas, conseguir uma estrela Michelin significou transformar restaurantes em destinos gastronômicos. Mais recentemente, as chaves Michelin passaram a exercer papel semelhante no setor de hotelaria. Ao criar uma distinção própria para vinícolas, a marca abre espaço para exercer influência também sobre as escolhas dos viajantes interessados em vinho.
Para Bordeaux, onde visitas a châteaux, degustações privadas, arquitetura histórica e experiências gastronômicas já fazem parte do roteiro, as “uvas” oferecem uma nova referência para quem planeja uma viagem pela região.
E a ambição não termina na França. O Michelin já anunciou que pretende levar a classificação para outras regiões vinícolas francesas e, posteriormente, para diferentes destinos produtores de vinho ao redor do mundo.
A lógica, portanto, parece clara: estrelas para restaurantes, chaves para hotéis e, agora, uvas para vinícolas. Para viajantes apaixonados por gastronomia e vinho, surge um novo selo para acompanhar. Para o Michelin, é mais um passo na tentativa de transformar sua histórica autoridade à mesa em uma referência mais ampla para o universo do lifestyle e das viagens.
Leia também:






