A ata do Fed, divulgada nesta quarta-feira (7), mostra que a maioria dos dirigentes do Federal Reserve avalia que mais um aumento na taxa de juros dos Estados Unidos provavelmente será apropriado até o fim do ano. O documento, referente à última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), não indica, porém, quando exatamente isso poderia ocorrer. Os participantes enfatizaram que abordam cada encontro “com a mente aberta” e que as decisões futuras dependerão dos dados e do equilíbrio de riscos.
Na reunião, todos os participantes apoiaram elevar a meta para a taxa de juros dos fundos federais em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4%. A decisão foi unânime e, segundo a ata, ajudará a levar a inflação de volta à meta de 2% mais rapidamente.
Quase todos os participantes avaliaram que, embora os riscos para a inflação estejam inclinados para cima, os riscos para o mercado de trabalho diminuíram e agora estão amplamente equilibrados. Foi essa mudança que sustentou o consenso por uma meta mais alta.
Muitos dirigentes disseram que uma trajetória de juros mais elevada seria prudente por gestão de risco, como proteção contra uma inflação persistentemente acima da meta, seja por demanda mais forte que a esperada ou por novos choques de oferta. Vários consideraram a trajetória mais alta necessária com base em perspectivas mais favoráveis, e alguns afirmaram ter elevado sua estimativa da taxa de juros neutra. Vários também disseram enxergar o nível atual de juros como não restritivo ou apenas levemente restritivo.
Inflação pressionada por energia e inteligência artificial
Os participantes observaram que a inflação permanece elevada e que não houve progresso suficiente em sua redução nos últimos meses. Entre os fatores citados estão os desdobramentos geopolíticos que pressionaram o petróleo e os combustíveis refinados e o avanço dos investimentos em inteligência artificial (IA).
A equipe técnica do Fed estimou que a inflação medida pelo índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) subiu para 3,8% em agosto no acumulado em 12 meses, e o núcleo, que exclui energia e muitos alimentos, para 3,4%. Pela nova metodologia que o Bureau of Economic Analysis (BEA) implementará no fim de setembro, os números seriam de 3,6% e 3,2%, respectivamente.
Alguns dirigentes manifestaram preocupação com o fato de que, após mais de cinco anos de inflação acima de 2%, taxas elevadas possam começar a afetar as expectativas de inflação e as decisões de salários e preços. As expectativas de longo prazo, por ora, seguem em linha com a meta.
Economia sólida e mercado de trabalho próximo do pleno emprego
Os participantes consideraram que a atividade econômica se expande em ritmo sólido, sustentada pelo investimento empresarial ligado à IA e pelo consumo resiliente. Vários disseram que a escala e o ritmo da expansão da IA continuam a surpreender positivamente. Também apontaram que famílias de baixa e média renda enfrentam dificuldades, com a energia mais cara pesando sobre a renda disponível.
O mercado de trabalho foi descrito como estável e próximo do pleno emprego, com a maioria vendo algum fortalecimento recente. A taxa de desemprego caiu para 4,1% em julho e agosto, segundo a equipe.
As projeções da equipe apontam para inflação total em queda nos próximos anos, chegando a 2% em 2029, mas com previsão para 2026 a 2028 ligeiramente maior que a de julho. O crescimento do PIB deve acelerar no segundo semestre e superar o potencial até 2028.
Mercados e balanço
No período entre as reuniões, os rendimentos dos Treasuries subiram cerca de 35 pontos-base no segmento de 2 a 10 anos, e o mercado passou a precificar uma trajetória de juros mais alta. O dólar ponderado pelo comércio se depreciou, em parte pela intervenção conjunta de EUA e Japão para apoiar o iene no fim de julho.
Diante das condições estáveis nos mercados monetários, a Mesa de Operações do Fed suspendeu as compras de gestão de reservas (RMPs), e o comitê reafirmou a política de manter reservas amplas no sistema bancário.
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