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CPFL vê oportunidades em baterias, mas Safra mantém recomendação neutra

CPFL vê oportunidades em baterias, mas Safra mantém recomendação neutra

Em Investor Day, companhia destacou armazenamento de energia como frente de crescimento

A CPFL (CPFE3) sinalizou, em seu Investor Day, que pode disputar espaço no segmento de armazenamento de energia por baterias (BESS, na sigla em inglês), com foco nos próximos leilões desenhados para a tecnologia. A informação consta de relatório do Safra sobre o evento, realizado na terça-feira (6) com a participação do CEO, Gustavo Estrella, do CFO, Kedi Wang, e de outros executivos.

Apesar do tom construtivo, o banco manteve recomendação neutra para as ações da companhia, com preço-alvo de R$ 58,70 para os papéis CPFE3. A avaliação do Safra se baseia principalmente no valuation: segundo o relatório, a CPFL negocia a uma taxa interna de retorno (TIR) real implícita de 10,9%.

Para a gestão da CPFL, o avanço tecnológico no segmento de armazenamento, a maior demanda por esse tipo de solução e o crescimento das fontes intermitentes de energia ampliam a necessidade de capacidade de potência. A companhia poderá avaliar oportunidades nos leilões previstos para o setor.

Os executivos também destacaram vantagens estruturais da área de atuação da CPFL para atender data centers, como a proximidade dos mercados de maior demanda e uma infraestrutura mais robusta. Segundo o Safra, o armazenamento por baterias e a autoprodução podem se expandir para sustentar o maior consumo de eletricidade no futuro.

Preparação para o El Niño e agenda regulatória

A companhia concentrou seus investimentos dos últimos anos em robustez da rede, resposta rápida e restabelecimento ágil do serviço. A exposição à Região Sul, afirma a gestão, ajudou a entender os desafios de eventos climáticos extremos. O cenário de incerteza climática é tratado como base, com variações conforme a intensidade de cada El Niño. Neste ano, as ocorrências foram resolvidas de forma satisfatória por meio de monitoramento e automação.

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Na regulação, a CPFL espera desdobramentos positivos na agenda do próximo ano para as distribuidoras, incluindo temas como perdas, atualização da base de inadimplência e recálculo do componente Pd. A empresa também poderia se beneficiar de um eventual reconhecimento dos investimentos em medidores inteligentes, dada a eficácia comprovada no controle de perdas.

Na geração, a administração avaliou como positivos os avanços da Consulta Pública 45/2019, que distribui o ônus do curtailment (corte de geração) entre usinas eólicas e solares e, após um ano de teste, hidrelétricas com capacidade de geração vertível. A companhia vê o movimento como um passo para estabilizar o segmento.

Crescimento e dividendos

O principal vetor de crescimento segue sendo o investimento nas concessões de distribuição. A companhia deve manter sua política de payout e buscar oportunidades nos segmentos em que já atua, incluindo os próximos leilões, inclusive de armazenamento. Em distribuição, também pode avaliar oportunidades de mercado, com disciplina de capital e atenção a risco e retorno.

Para o Safra, o evento transmitiu uma perspectiva positiva para o setor, com sentimento favorável em relação à agenda regulatória do próximo ano e reforço do compromisso da CPFL com a disciplina de capital.

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