Home
Artigos
Estilo e Lazer
Entre taças e negócios: Vinícola Thera leva a Serra Catarinense à Money Week 2026

Entre taças e negócios: Vinícola Thera leva a Serra Catarinense à Money Week 2026

Em meio a debates sobre investimentos e negócios, degustação conduzida pela Vinícola Thera apresentou aos convidados os sabores, o terroir e a elegância dos vinhos de altitude da Serra Catarinense

Primeiro, a taça. Depois, os aromas, o primeiro gole e alguns segundos para perceber o que aquele vinho tem a dizer. Entre uma prova e outra, entram as explicações sobre altitude, clima, uvas e a paisagem onde tudo começa. Por alguns instantes, o ritmo acelerado da Money Week dá lugar a outro tempo, mais lento, feito para observar, sentir e provar.

A cena poderia estar acontecendo em meio aos vinhedos de Bom Retiro, na Serra Catarinense. Mas, desta vez, um pouco da experiência da Vinícola Thera viajou até Balneário Camboriú.

Durante a Money Week 2026, realizada nos dias 27 e 28 de agosto no Expocentro Balneário Camboriú, a vinícola esteve entre as marcas que ampliaram a experiência do evento para além dos palcos. Enquanto economia, investimentos e negócios movimentavam auditórios e corredores, as taças criavam um convite a outro tipo de descoberta.

Foi justamente essa a proposta da degustação conduzida pela sommelière da Vinícola Thera, Thaynara Trento.

“Aqui é uma degustação super-rápida, então é meio que uma amostra para deixar o gostinho de quero mais”, resume. “A gente trouxe os nossos melhores vinhos e faz uma degustação justamente explicando tudo o que a gente faz e o que a gente tem.”

Publicidade
Publicidade

Um pedaço da Serra Catarinense dentro da Money Week

A experiência ganha outra dimensão quando se entende de onde vêm os vinhos servidos à mesa.

Localizada em Bom Retiro, a Vinícola Thera integra a Fazenda Bom Retiro, um complexo de 800 hectares construído em torno de três pilares: vinho, arte e natureza. Os vinhedos estão implantados a cerca de 900 metros de altitude, em uma região na qual a amplitude térmica desempenha papel importante no amadurecimento das uvas.

É nesse cenário que Eduardo Lira, diretor de Marketing e Comercial da Vinícola Thera, encontra uma das palavras que melhor definem os vinhos da casa: elegância.

“Acima de tudo, uma palavra que a gente é obcecado por ela, que é elegância”, afirma. Segundo ele, essa característica está relacionada à altitude, à amplitude térmica, ao solo e às condições climáticas encontradas na Serra Catarinense.

E sim, o frio ajuda.

“Ajuda muito. Além de apreciar, ajuda a produzir também bons vinhos”, brinca Lira.

Na prática, o terroir se transforma em uma espécie de fio condutor da degustação. Mais do que apresentar diferentes garrafas, a proposta é permitir que o visitante encontre na taça algumas pistas sobre o lugar onde aquelas uvas foram cultivadas.

Confira aqui a entrevista com a Vinícola Thera na Money Week 2026:

Da primeira à última taça: cinco vinhos para conhecer a Thera

Há uma razão para a Serra Catarinense aparecer tantas vezes quando se fala sobre os vinhos da Thera. Segundo a sommelière Thaynara Trento, a vinícola trabalha com uvas de produção própria e a amplitude térmica da região interfere diretamente no ritmo de maturação. Durante o dia, as uvas amadurecem; à noite, com a queda das temperaturas, esse processo desacelera. É uma evolução mais gradual que ajuda a construir a identidade dos vinhos apresentados durante a experiência.

Na Money Week, essa história foi contada em cinco taças. A degustação percorreu espumante, rosé, Chardonnay, Pinot Noir e terminou com um tinto mais intenso. Mais do que provar rótulos diferentes, a sequência permitiu observar como acidez, textura, taninos e intensidade mudam a percepção do vinho e também determinam o que pode chegar ao prato.

Auguri: frescor para abrir o paladar

A experiência começou pelas borbulhas do Auguri, espumante elaborado com Chardonnay de vinhedos antigos e produzido a partir de duas fermentações. Fresco e delicado, mas sem perder intensidade, foi o ponto de partida da degustação.

Na taça, a palavra que conduz a experiência é frescor. Delicado e marcado pela acidez, o Auguri cumpre bem o papel de abrir a degustação e preparar o paladar para o que vem a seguir.

Vinícola Thera na Money Week
Vinho Auguri / Divulgação EQI Investimentos

É justamente essa acidez que amplia as possibilidades à mesa. Ostras, sushi, risoto de queijos e camarão aparecem entre as sugestões mais intuitivas, mas a harmonização pode avançar para sabores mais intensos. Croquete de pato, torresmo e até feijoada entram na conversa. Nesse caso, o frescor e a acidez do espumante ajudam na limpeza do paladar diante da gordura dos pratos.

É uma combinação que quebra aquela velha ideia de reservar espumantes apenas para brindes e celebrações. Aqui, ele pede comida.

Ânima Thera Rosé: frutas vermelhas, frescor e delicadeza na taça

Ânima Thera Rosé / Divulgação EQI Investimentos

Na segunda taça, a experiência muda de cor. Elaborado com Merlot e Cabernet Franc, o rosé apresentado pela Thera tem uma tonalidade dourada e é produzido com cachos colhidos e prensados inteiros.

No aroma e no paladar, aparecem referências a frutas vermelhas, especialmente pitanga e morango. A fruta vem acompanhada de acidez, compondo um vinho leve, equilibrado e sofisticado.

É também um rótulo que abre espaço para brincar com a harmonização. Camarão na manteiga aparece no lado salgado, enquanto o cheesecake leva a experiência para a sobremesa. Duas propostas bastante diferentes que encontram um ponto de contato na delicadeza e na acidez do vinho.

Ânima Chardonnay: quando vinho e comida se encontram pela textura

A terceira taça trouxe o Chardonnay da linha Ânima. Se o Chardonnay da linha clássica da Thera é associado às frutas amarelas, aqui a experiência chama atenção principalmente pela relação entre acidez e cremosidade.

É um vinho branco elegante, mas a palavra interessante para entendê-lo à mesa talvez seja “textura”.

Vinícola Thera na Money Week
Ânima Chardonnay / Divulgação EQI Investimentos

A lógica apresentada durante a degustação foi simples: comida também é textura. E é justamente por isso que a harmonização não precisa ficar restrita aos pratos tradicionalmente associados aos brancos.

Pizza de quatro queijos, risoto e peixe na manteiga aparecem entre as possibilidades mais confortáveis. Pesto e ceviche acrescentam novas camadas de sabor. E até o acarajé surge como possibilidade, mostrando como acidez e cremosidade podem dialogar com pratos de personalidade mais pronunciada.

A sequência também desmonta uma ideia comum sobre harmonização: não se trata apenas de escolher “branco para peixe” ou “tinto para carne”. Gordura, acidez, intensidade e textura entram nessa equação. É por isso que, na mesma conversa, um Chardonnay pode encontrar tanto um ceviche quanto um acarajé.

Ânima Pinot: um vinho que pede comida

Com o Ânima Pinot, a experiência entra definitivamente no território dos tintos. A Pinot Noir, apresentada durante a degustação como a “princesinha dos vinhos”, encontra passagem por barricas de carvalho francês e entrega uma combinação de fruta, especiarias e notas terrosas.

Morango aparece entre as primeiras referências, acompanhado por pimenta-preta e pelas notas provenientes da barrica. Na boca, acidez, frescor e taninos ganham protagonismo. É seco, elegante e mais encorpado, com aquela característica que faz salivar e praticamente chama o próximo pedaço de comida.

Ânima Thera Pinot Noir / Divulgação Vinícola Thera

Os taninos ajudam a explicar essa sensação. Eles provocam uma percepção de secura no paladar e, junto à acidez, tornam o vinho especialmente gastronômico.

As harmonizações sugeridas seguem essa lógica: carnes mais leves e sem excesso de gordura, massas, pizzas e cogumelos. As notas terrosas do vinho tornam a combinação com cogumelos especialmente interessante dentro da proposta apresentada.

Há ainda um detalhe curioso compartilhado durante a degustação: quando servido mais gelado, parte dessas características pode ficar menos evidente. Elas começam a aparecer conforme a temperatura do vinho sobe na taça. Ou, como resumido de maneira bem-humorada durante a experiência, às vezes você só percebe tudo quando a garrafa já está acabando.

Madai: a surpresa fica para a última taça

A sequência termina ganhando intensidade.

Rubi na taça, o Madai reúne Merlot, Cabernet Franc, Malbec e Syrah e passa por barricas de carvalho francês. Se fosse preciso resumir a experiência em uma palavra usada durante a degustação, seria: “surpresa”.

Aqui, as frutas dão espaço a uma camada aromática mais profunda. Carvalho, tabaco e café aparecem entre as notas percebidas, acompanhados por frutas secas. Na boca, o vinho apresenta sabor intenso e acentuado.

A estrutura também muda as possibilidades gastronômicas. O Madai pede sabores capazes de acompanhá-lo: carnes mais intensas e gordurosas, hambúrguer, bacon e queijos de sabor pronunciado estão entre as sugestões.

Mas existe uma ideia por trás dessa potência. Mesmo em um vinho de maior intensidade, a proposta da Thera não é simplesmente entregar peso.

Vinícola Thera na Money Week
Vinho Madai / Divulgação Vinícola Thera

“Tem que ter tanino e acidez de forma elegante”, foi uma das definições que marcaram a degustação.

E talvez seja justamente o Madai que melhor amarre essa ideia ao restante da experiência.

Para Thaynara Trento, o vinho tem um significado particular dentro da trajetória da Thera. Foi o primeiro tinto produzido na própria vinícola e se tornou um de seus rótulos mais vendidos e premiados. “Eu acredito que o Madai é muito significativo”, conta a sommelière.

Ela também vê no blend uma expressão da própria Serra Catarinense. “Ele realmente expressa toda a elegância que a gente tem.” Segundo Thaynara, enquanto algumas regiões são conhecidas por tintos de maior extração e peso, a Thera procura construir seus vinhos a partir do equilíbrio entre maturação, acidez e elegância, características que relaciona diretamente ao clima dos vinhos de altitude.

Assim, a última taça acaba explicando também a primeira. A degustação proposta na Money Week não buscou apenas apresentar cinco vinhos, mas mostrar, em diferentes estilos, como um mesmo lugar pode se expressar de maneiras completamente distintas dentro de uma garrafa.

Elegância, mas também consistência

Se elegância é uma das palavras recorrentes quando a Thera fala sobre seus vinhos, há outra que Eduardo Lira faz questão de acrescentar: consistência.

Em dez anos de safras, a vinícola ultrapassou a marca de 60 premiações. Entre os reconhecimentos está o título de Melhor Rosé do Brasil no Guia Adega, conquistado em 2018, 2025 e novamente em 2026.

Para Lira, os prêmios são consequência de um trabalho contínuo para interpretar o terroir.

“Nosso time de enologia é um time superespecialista nesse terroir e a gente quer sempre trazer o melhor dessa região”, afirma.

Produzir vinho, afinal, tem uma particularidade que torna a busca pela regularidade especialmente desafiadora: a natureza não oferece botão de reiniciar.

“A gente tem só uma chance por ano para acertar ou errar”, diz Lira. “Geralmente acerta mais do que erra, e o resultado na taça é um vinho de alta qualidade que encanta paladares no Brasil como um todo.”

A frase ajuda a entender por que, em uma degustação, falar sobre vinho inevitavelmente significa falar também sobre tempo. Cada garrafa guarda as decisões tomadas em uma determinada safra, mas também as condições que a natureza ofereceu naquele ciclo.

A degustação termina, a experiência continua

Na Money Week, tudo isso precisou caber em uma experiência relativamente curta. Em Bom Retiro, a proposta é justamente o contrário: fazer o visitante permanecer.

“Provando vinho, ele é muito sensorial”, explica Thaynara. Para ela, os rótulos apresentados no evento funcionam como um chamariz para uma experiência mais ampla. “Olha, essa é a nossa qualidade, e lá na vinícola a gente tem isso em dobro, em triplo.”

Não se trata apenas de aumentar o número de vinhos na mesa.

A Fazenda Bom Retiro reúne Wine Bar, restaurante e pousada, além de experiências que incluem degustações, piqueniques ao pôr do sol, cavalgadas, trilhas e gastronomia harmonizada. O complexo também abriga 26 hectares de vinhedos e recebe visitantes interessados em conhecer mais de perto o universo dos vinhos de altitude.

“Aqui a gente prova os vinhos, mas lá a gente tem todo um centro enoturístico e enogastronômico”, reforça Thaynara. “A gente não tem só os vinhos como tem o Wine Bar, restaurante, pousada. Então é meio que assim: olha que qualidade que a gente tem aqui, vão lá conhecer que a gente tem ainda mais.”

Essa relação entre vinho e experiência ajuda a explicar por que o enoturismo ocupa espaço importante na estratégia da Thera.

Segundo Eduardo Lira, aproximadamente 70 mil pessoas por ano passam pelo complexo da Fazenda Bom Retiro, na Serra Catarinense. Na Money Week, a missão foi condensar esse universo e transportá-lo, ainda que por alguns minutos, para dentro do evento.

“Aqui é uma amostra do que a gente faz lá na Serra, lá na vinícola”, afirma.

Quando a conversa começa depois do primeiro gole

Vinícola Thera na Money Week
Vinhos Vinícola Thera / Divulgação EQI Investimentos

Há ainda um aspecto menos tangível nessa experiência. O vinho funciona como ponto de partida para conversas.

Lira conta que percebeu entre os participantes da Money Week uma curiosidade que ia além de simplesmente provar os rótulos.

“As pessoas têm um contato com o vinho, trocam ideias, são pessoas curiosas, querem saber um pouco mais sobre o terroir, sobre a harmonização”, relata. “Então a gente tem a oportunidade de trazer um pedacinho da Serra aqui para esse momento na Money Week.”

A dinâmica conversa diretamente com a própria proposta do evento. Em 2026, a Money Week buscou ampliar as experiências para além dos painéis, transformando corredores e espaços de marcas em ambientes de relacionamento, descobertas e networking.

No caso da Thera, esse encontro aconteceu ao redor da taça.

Vinho, arte e natureza

Ao final, talvez a experiência proposta pela Thera seja menos sobre decorar nomes de uvas, identificar aromas ou escolher o vinho “certo” e mais sobre despertar curiosidade.

A degustação termina. A taça esvazia. Mas fica a vontade de entender como aquele vinho seria provado no lugar onde nasceu, cercado pelos vinhedos e pelo clima frio da Serra Catarinense.

É justamente essa ponte que a vinícola tentou construir na Money Week.

“Tem sido muito prazeroso”, conta Lira sobre a participação. “Pelo menos é o que eu tenho percebido dos clientes: eles estão adorando e nós também, sem dúvida.”

Para ele, existe uma razão maior por trás do que chega à taça: “Produzir um grande vinho e proporcionar encantamento em torno do vinho, da arte e da natureza.”

Na Money Week, esse universo coube por alguns instantes entre algumas garrafas, uma sequência de taças e boas conversas. O suficiente para oferecer uma pequena amostra da Serra Catarinense e, como definiu Thaynara no começo da experiência, deixar aquele inevitável gostinho de quero mais.

Leia também:

Roberta Picinin
Escrito porRoberta Picinin Jornalista

Roberta Picinin é jornalista formada pelo Centro Universitário FMU-FIAM-FAAM. Atua há 8 anos na área de comunicação, com passagens pelo jornal O Estado de S. Paulo e Jovem Pan. Nos últimos dois anos, tem se especializado na cobertura do mercado financeiro, economia, educação financeira e mercado de luxo, com experiência no E-Investidor, TC News e atualmente no portal EuQueroInvestir.