Relógios e joias ganharam espaço em uma conversa que, durante muito tempo, esteve concentrada em obras de arte, carros clássicos, vinhos e outros objetos de coleção. O Goldman Sachs acaba de publicar seu primeiro guia dedicado à compra e ao colecionismo dessas peças, voltado aos clientes de alta renda do banco.
A iniciativa acompanha o interesse crescente de uma nova geração de clientes por relógios e joias de luxo tratados também sob a perspectiva patrimonial.
O material foi desenvolvido dentro da atuação do Goldman Sachs Family Office ligada à estratégia de arte e colecionáveis e não funciona como uma lista de marcas ou modelos recomendados. A proposta é apresentar critérios que ajudam a entender por que determinadas peças preservam ou ampliam seu valor ao longo do tempo.
O que determina o valor de um relógio ou de uma joia?
Entre os pontos destacados pelo guia estão raridade, importância histórica, qualidade de fabricação, estado de conservação e autenticidade. No universo da relojoaria, porém, a avaliação pode envolver uma combinação ainda mais específica de fatores, como referência, mostrador, caixa, documentação, histórico de manutenção e procedência.
Esse conjunto ajuda a explicar por que relógios e joias não devem ser analisados da mesma forma que ativos financeiros tradicionais. Enquanto ações negociadas em bolsa contam com preços públicos e atualizados constantemente, uma peça rara depende de características individuais e de um mercado no qual condição, documentação e liquidez podem alterar significativamente seu valor.
É justamente aí que o colecionismo exige conhecimento. Duas versões aparentemente semelhantes de um mesmo relógio podem alcançar avaliações muito diferentes dependendo de sua originalidade, estado e histórico.
Conservação passa a fazer parte da estratégia
O guia também chama atenção para uma etapa que pode parecer rotineira, mas tem impacto direto sobre o patrimônio: a manutenção. A substituição de componentes externos relevantes de um relógio sem autorização do proprietário pode comprometer seu valor.
Para colecionadores, portanto, cuidar de uma peça envolve preservar não apenas seu funcionamento, mas também sua integridade histórica. Documentos originais, registros de compra, avaliações e informações sobre intervenções realizadas ao longo dos anos passam a fazer parte da própria história do objeto.
O Goldman Sachs recomenda ainda manter inventários e avaliações atualizados, revisar a cobertura de seguro e organizar a documentação das coleções. São cuidados que aproximam relógios e joias de outras categorias de bens de estimação, como arte, vinhos, malas e carros clássicos.
Coleções que atravessam gerações
Outro tema presente no material é o planejamento sucessório. Para famílias que acumulam peças relevantes ao longo de décadas, decidir antecipadamente como relógios e joias serão transferidos aos herdeiros pode evitar problemas futuros e ajudar a preservar tanto o valor financeiro quanto a história associada à coleção.
Essa preocupação revela uma mudança na forma como algumas peças de luxo estão sendo incorporadas à gestão de patrimônio. O interesse já não se restringe ao prazer de usar ou colecionar. Conservação, seguro, documentação, avaliação e sucessão passam a integrar a mesma conversa.
O lançamento do primeiro guia do Goldman Sachs dedicado ao tema é, por isso, significativo para o mercado de hard luxury. Não transforma automaticamente relógios e joias em investimentos convencionais, nem elimina os riscos ligados à liquidez e à avaliação. Mostra, porém, que essas categorias conquistaram espaço suficiente entre clientes de alta renda para entrar de forma organizada no universo do wealth management.
Para quem já coleciona, a mensagem é de que uma peça excepcional pode começar no pulso ou no porta-joias, mas sua história, conservação e documentação serão decisivas para o valor que carregará no futuro.
Leia também:
- Patek Philippe leva alta relojoaria a Milão e revela nova coleção feminina
- Joias desafiam a desaceleração e viram o novo porto seguro do luxo
- Relógios de luxo miram mulheres para reconquistar o pulso na era dos smartwatches
- O maior rival da Rolex pode não ser outro relógio
- Geração Z substitui smartwatch por relógio analógico






