A perspectiva de queda do minério de ferro e a desaceleração da demanda chinesa aumentam os riscos para quem investe na Vale (VALE3). Ainda assim, a EQI Research considera que o preço atual das ações oferece uma relação atrativa entre risco e retorno, com potencial de valorização de 47,3%.
A análise, assinada por Nícolas Merola, estabelece preço-alvo de R$ 102,67 para VALE3 ao final de 2026. A avaliação considera tanto a capacidade de geração de caixa do negócio tradicional de minério de ferro quanto o crescimento esperado da Vale Base Metals, divisão concentrada em cobre e níquel.
O principal ponto de atenção continua sendo a China, responsável pela maior parte da demanda transoceânica por minério de ferro. A crise do setor imobiliário e a perspectiva de redução da produção de aço ajudam a explicar por que a EQI Research trabalha com uma trajetória gradual de queda para o preço da commodity.
“Ainda assim, entendemos que o risco mais relevante para a tese segue ligado ao ciclo de commodities, em particular ao minério de ferro: uma desaceleração da economia chinesa mais acentuada do que a hoje precificada pelo mercado teria impacto direto e desproporcional sobre os resultados da Vale, dado o peso do minério de ferro nos resultados da empresa”, afirma a EQI Research.
A pressão sobre a commodity, porém, não significa necessariamente que a mineradora deixará de gerar caixa. A Vale permanece entre as produtoras de menor custo do mercado global e conta com minério de maior qualidade, característica que permite à companhia obter prêmios sobre o preço de referência.
Essa vantagem operacional oferece uma margem de proteção caso o minério de ferro recue. Produtores com custos mais elevados tendem a perder rentabilidade antes da Vale, o que ajuda a preservar a competitividade da companhia em momentos menos favoráveis do ciclo.
O que sustenta a tese da EQI Research
Além da geração de caixa do minério de ferro, a Vale possui uma segunda frente que pode ganhar relevância nos próximos anos. A Vale Base Metals reúne ativos de cobre e níquel e representa, para a EQI Research, o principal vetor de transformação da tese.
A demanda pelo cobre tende a crescer com a eletrificação da economia, a transição energética e a expansão da infraestrutura necessária para data centers e aplicações de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, a abertura de novas minas exige projetos longos e complexos, limitando a capacidade de aumento rápido da oferta.
“Atualmente, vemos em VALE3 uma combinação interessante: o negócio legado apresenta um potencial de crescimento mais limitado, mas com elevada geração de caixa. Já o novo negócio é menor, mas com forte potencial de expansão e melhora de rentabilidade, além de exposição favorável a grandes tendências globais, como eletrificação e inteligência artificial”, afirma Merola.
O crescimento da Vale Base Metals pode reduzir gradualmente a dependência da mineradora em relação ao minério de ferro e fazer com que o mercado atribua um valor maior à companhia. A EQI Research também identifica outras possibilidades de geração de valor, mas pondera que a tese permanece exposta ao ciclo das commodities e aos riscos de execução operacional.
No relatório completo, Merola detalha as premissas utilizadas para chegar ao preço-alvo, as projeções para minério de ferro e cobre, os possíveis catalisadores para VALE3 e os riscos que podem comprometer a tese. A análise está disponível no aplicativo EQI+.
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