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Vale pode pagar dividendos extras, mas depende de minério de ferro próximo a US$ 100

Vale pode pagar dividendos extras, mas depende de minério de ferro próximo a US$ 100

Preços mais baixos do minério de ferro reduziriam a capacidade de realizar pagamentos extraordinários

A Vale (VALE3) deve manter espaço para distribuir dividendos extraordinários, mas novas remunerações aos acionistas dependerão principalmente dos preços do minério de ferro, segundo avaliação do BTG Pactual (BPAC11). Para o banco, a commodity precisaria permanecer próxima de US$ 100 por tonelada para aumentar a visibilidade sobre pagamentos adicionais.

Em relatório divulgado após uma reunião com a administração da Vale, o BTG destacou que a companhia considera US$ 15 bilhões em dívida líquida como um dos principais gatilhos para avaliar novas distribuições. Preços mais baixos do minério de ferro, por outro lado, reduziriam a capacidade de realizar pagamentos extraordinários.

O banco afirmou que mantém recomendação de compra para as ações da Vale, avaliando que os papéis continuam atrativos e podem estar próximos do piso da faixa de negociação recente. A instituição calcula que a companhia seja negociada a 4,2 vezes o EBITDA estimado para 2027, 6 vezes o lucro e com um retorno de fluxo de caixa livre (FCF yield) de 8% a 9%, ainda com desconto relevante em relação às concorrentes australianas.

Minério de ferro segue como principal fonte de caixa

Segundo o BTG, a reunião com Thiago Lofiego, diretor de Relações com Investidores, Joint Ventures e Energia da Vale, reforçou a percepção de que a estratégia da companhia continua avançando na direção esperada, com foco em execução operacional e disciplina na alocação de capital.

O banco avalia que o minério de ferro continuará sendo o principal gerador de caixa da Vale. Na avaliação da instituição, os fundamentos da commodity sustentam preços entre US$ 90 e US$ 100 por tonelada, enquanto o consenso de mercado pode novamente estar subestimando esse cenário.

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O crescimento da produção de cobre também permanece no caminho esperado e, gradualmente, pode levar os investidores a atribuir um múltiplo maior à Vale, segundo o BTG. Por outro lado, o banco considera improvável uma oferta pública inicial de ações (IPO) da VBM no curto prazo.

Perspectivas para 2027

Para o próximo ano, a administração da Vale espera apenas um crescimento moderado dos volumes de minério de ferro e cobre, sem um aumento expressivo da produção.

O BTG estima que as pressões de custos devem se normalizar após os efeitos não recorrentes observados em 2026, especialmente os relacionados à guerra. O capex deve permanecer relativamente estável, entre US$ 5,5 bilhões e US$ 6 bilhões.

Os custos de frete, por sua vez, devem subir ligeiramente com a renovação de contratos em um ambiente de taxas spot mais elevadas.

Considerando um cenário de preços de commodities um pouco abaixo dos níveis atuais, o BTG espera que o EBITDA da Vale fique praticamente estável em cerca de US$ 17 bilhões em 2027. Volumes ligeiramente maiores e custos menores devem compensar o impacto de preços mais baixos.

Para o banco, embora a reunião não tenha trazido novidades capazes de provocar uma reação significativa das ações no curto prazo, o direcionamento estratégico da Vale continua positivo. O BTG também vê os papéis como uma alternativa para proteger as carteiras em períodos de maior volatilidade do mercado.

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