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Produção da Vale mostra bons números no 1T26, mas mercado se divide sobre o que fazer com a ação

Produção da Vale mostra bons números no 1T26, mas mercado se divide sobre o que fazer com a ação

Com produção de minério de ferro em alta e recordes em cobre e níquel, mineradora recebe recomendações opostas de bancos e corretoras

A Vale (VALE3) entregou o relatório de produção e vendas do primeiro trimestre de 2026 que agradou ao mercado em termos operacionais, mas dividiu as recomendações sobre o que fazer com a ação. BTG Pactual (BPAC11) e Bradesco BBI reiteraram recomendação de compra, enquanto Genial e XP mantiveram postura neutra, ancorados em argumentos de valuation.

A mineradora produziu 69,7 milhões de toneladas de minério de ferro no trimestre, alta de 3% em relação ao primeiro trimestre de 2025, e registrou vendas de 68,7 milhões de toneladas, o maior volume para um primeiro trimestre desde 2018.

As operações de cobre e níquel, dentro da Vale Base Metals (VBM), superaram as estimativas da maior parte das casas e puxaram revisões positivas nas projeções de Ebitda, que passaram a ser projetadas entre US$ 3,9 bilhões e US$ 4,2 bilhões para o trimestre.

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Consenso na operação

Para o BTG, os números mostram que a execução da empresa está excelente. O banco manteve recomendação de compra e projetou Ebitda próximo de US$ 4 bilhões, destacando que o trimestre trouxe surpresa positiva em níquel e realização de preços alinhada às expectativas em minério de ferro e pelotas.

“Apesar de tipicamente marcado pela sazonalidade e por chuvas intensas, a Vale reportou um relatório sólido, em linha com nossas expectativas em minério de ferro e pelotas, e ligeiramente acima em níquel. Esses são números calmos, previsíveis e mais do mesmo, o que vemos como vento favorável para o equity story. Seguimos compradores e acreditamos que a ação pode continuar se valorizando”, escreveu o analista Leonardo Correa.

O Bradesco BBI seguiu na mesma direção. Os analistas Rafael Barcellos e Renato Chanes reiteraram a recomendação de compra para VALE3 e destacaram o crescimento de produção em base anual em todas as linhas, mesmo diante de chuvas mais intensas e restrições temporárias em algumas minas.

“A Vale entregou mais um conjunto robusto de resultados operacionais, com crescimento de produção em base anual em todas as linhas, reforçando nossa leitura de execução consistente. No minério de ferro, a expansão no Sistema Sudeste e o avanço contínuo de Vargem Grande e Capanema compensaram a pressão estrutural em Serra Norte. Reiteramos recomendação de compra para VALE3, com a empresa gerando cerca de 11% do seu valor de mercado em caixa ao longo de 2026”, afirmaram os analistas.

O desempenho da VBM apareceu como fio condutor da leitura positiva nos dois relatórios. A produção de cobre totalizou 102,3 mil toneladas (+12,5% a/a), com recordes em Sossego e Salobo, enquanto o níquel atingiu 49,3 mil toneladas (+12,3% a/a), impulsionado por Onça Puma e pelo desempenho recorde da refinaria de Long Harbour. Os preços realizados também contribuíram: o cobre avançou para US$ 13.143 por tonelada (+47,8% a/a) e o níquel para US$ 17.015 por tonelada (+13,3% t/t).

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Divisão no preço

Do outro lado, a Genial manteve recomendação de manter para VALE3, com preço-alvo de R$ 90 em 12 meses, o que implica upside de apenas 3,4% em relação ao preço atual. A casa argumenta que o cobre já negocia próximo das máximas históricas e que o EV/Ebitda projetado para 2026 está em 5,7x, acima da média histórica de 5x.

“A Divisão de Ferrosos ainda representa cerca de 80% do Ebitda ajustado consolidado, e o crescimento do cobre que mudaria esse equilíbrio de forma estrutural é uma história de 2028 a 2035, não de 2026. O cobre já está próximo das máximas históricas, e a contribuição atual de lucros da VBM reflete um pico de insumos, não uma base deprimida. Nossa premissa de minério de ferro para 2026 permanece abaixo do spot, em cerca de US$ 110 por tonelada”, escreveram os analistas da Genial.

A XP também manteve recomendação neutra, mas explicitou que a postura se deve exclusivamente a razões de valuation. A casa estima que as ações precificam minério de ferro a aproximadamente 12% acima do preço spot, embora reconheça que o momentum operacional pode continuar sustentando o papel no curto prazo.

“Embora reiteremos nossa recomendação neutra para a Vale exclusivamente por razões de valuation, reconhecemos que o momentum pode continuar sustentando o preço das ações, dada a melhora dos preços dos metais, particularmente o cobre, e uma rotação mais ampla para mercados emergentes e Brasil. A companhia continua entregando execução operacional consistente”, afirmou a XP.

O ponto que amarra a divergência entre as casas aparece de forma mais clara no relatório da Genial. Os analistas observaram que VALE3 subiu 16% em 25 dias, movimento atribuído quase integralmente à de-escalada geopolítica entre Irã e Estados Unidos, que melhorou o apetite por ativos de mercados emergentes e trouxe fluxos estrangeiros de volta para as large caps brasileiras.

Segundo a casa, trata-se de uma questão macro ligada à realocação de fundos passivos, e não de mudança nos fundamentos ou no equity story da companhia.

No radar adiante, três frentes devem pautar o próximo capítulo da tese. A primeira é a retomada das negociações com o Ministério dos Transportes para otimização dos contratos das ferrovias Carajás (EFC) e Vitória-Minas (EFVM), dentro de um pacote mais amplo de cerca de R$ 17 bilhões. A segunda é a exposição residual ao bunker fuel diante do conflito no Oriente Médio, mitigada por um zero-cost collar com teto em US$ 79 por barril. A terceira é o reinício das operações de pelotização em Omã, previsto para o final do terceiro trimestre. O resultado financeiro do trimestre será divulgado em 28 de abril, após o fechamento do mercado.