Onde investir nos últimos meses de 2026 diante de um cenário ainda marcado por incertezas no Brasil e no exterior? Para a EQI Research, uma das principais respostas está fora do país. A casa recomenda manter uma carteira diversificada e uma exposição ao dólar acima do nível considerado neutro, como forma de proteção diante dos riscos domésticos, especialmente os relacionados às eleições.
Em relatório da série “Onde Investir”, a EQI destaca que o ambiente de investimentos permaneceu volátil ao longo de 2026, em meio a um cenário geopolítico complexo, pressões inflacionárias globais associadas aos preços de energia e um ciclo de queda dos juros no Brasil mais cauteloso do que o mercado esperava no início do ano.
Nesse contexto, a estratégia para o fim do ano combina investimentos internacionais com o carrego ainda elevado oferecido por ativos brasileiros, como renda fixa e fundos imobiliários.
Onde investir com a Selic em queda?
No Brasil, a EQI espera que o Banco Central faça pelo menos mais um corte na Selic, levando a taxa básica de juros para 13,50%.
A projeção considera a desaceleração da atividade econômica, que ocorre em ritmo mais intenso do que o antecipado, além da trajetória das expectativas de inflação. Segundo a análise da casa, os modelos do Banco Central apontam convergência da inflação em direção ao centro da meta no horizonte relevante, abrindo espaço para a continuidade do ciclo de flexibilização monetária.
Mesmo com a perspectiva de juros menores, a EQI mantém uma alocação abaixo do nível considerado neutro em renda fixa. A avaliação é de que a classe apresenta menor assimetria caso o cenário doméstico melhore de forma mais expressiva.
Isso não significa, porém, abandonar a renda fixa. A EQI continua encontrando oportunidades em títulos IPCA+ de curto e médio prazo e em papéis pós-fixados, que seguem beneficiados pelo nível elevado das taxas de juros e apresentam menor risco relativo.
Dólar ganha espaço nas carteiras
A principal mudança de posicionamento destacada pela EQI está na exposição internacional. A casa mantém uma alocação em dólar acima do nível neutro, considerando a moeda uma proteção diante de um eventual cenário doméstico mais adverso.
A estratégia ganha relevância diante das eleições, apontadas pela EQI como a principal fonte de incerteza para os investimentos brasileiros neste momento.
A casa mantém a avaliação de que a eleição presidencial tende a ser decidida em segundo turno, em uma disputa apertada. Diante desse quadro, reduzir a concentração das carteiras em ativos brasileiros pode ajudar a diminuir a exposição aos efeitos de eventuais turbulências domésticas.
Nesta edição do relatório “Onde Investir”, a EQI também passou a detalhar a alocação internacional em três categorias: renda fixa global, renda variável global e alternativos globais. Os percentuais variam de acordo com o perfil de risco de cada investidor.
Bolsa brasileira ainda tem desconto
Para quem busca onde investir em ações, a EQI mantém uma alocação neutra em renda variável brasileira.
Apesar da recuperação recente, o Ibovespa continua negociando a múltiplos considerados descontados historicamente, próximo de 8,8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses.
Esse nível de valuation preserva, na visão da casa, uma relação de risco e retorno potencialmente interessante. Por outro lado, a bolsa continua bastante sensível às incertezas do processo eleitoral, o que mantém elevado o nível de risco da classe.
A leitura, portanto, não é de abandonar as ações brasileiras, mas de evitar uma concentração excessiva da carteira nesse mercado.
FIIs oferecem renda, mas ainda enfrentam desconfiança
Outra alternativa que aparece no radar de onde investir são os fundos imobiliários.
A EQI mantém uma alocação neutra nos FIIs. O segmento apresentou desempenho abaixo do esperado mesmo com a queda dos juros reais brasileiros, em parte por um problema de confiança provocado por eventos específicos envolvendo alguns fundos e que acabaram repercutindo sobre o setor como um todo.
Ao mesmo tempo, esse cenário abriu espaço para um nível de renda considerado atrativo. Os FIIs apresentam dividend yield de 12,6% nos últimos 12 meses, o maior nível da série histórica iniciada em 2012.
Para a EQI, o indicador reforça o papel dos fundos imobiliários como ativos de geração de renda dentro das carteiras, especialmente para investidores dispostos a lidar com os riscos específicos do segmento.
Crédito privado exige mais seletividade
No crédito privado, a EQI continua identificando oportunidades, mas recomenda maior seletividade.
A preocupação está relacionada a um ambiente doméstico menos favorável para as empresas. Nesse cenário, a análise individual dos emissores ganha ainda mais importância para quem busca retorno adicional sem assumir riscos excessivos.
A renda fixa local, por sua vez, continua oferecendo taxas elevadas. Entre os destaques estão os títulos IPCA+ de curto e médio prazo e os investimentos pós-fixados.
Diversificação é a principal estratégia
No conjunto, a resposta da EQI para a pergunta “onde investir no fim de 2026?” passa menos por uma única classe de ativos e mais pela combinação entre diferentes mercados.
A casa mantém a percepção de que a diversificação internacional é o principal vetor de proteção diante das incertezas domésticas, especialmente com um nível de câmbio considerado atrativo. Ao mesmo tempo, a estratégia preserva a exposição ao carrego elevado da renda fixa e dos fundos imobiliários.
A ideia é equilibrar proteção e geração de renda: de um lado, investimentos no exterior e exposição ao dólar ajudam a reduzir a dependência do cenário brasileiro; de outro, os juros ainda elevados e os dividendos dos FIIs mantêm oportunidades no mercado local.
Para quem busca onde investir nos últimos meses do ano, a mensagem da EQI é clara: em um ambiente de incerteza, a estratégia passa por diversificar, manter proteção cambial e selecionar cuidadosamente os ativos capazes de oferecer renda e potencial de valorização.
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