Home
Notícias
Economia
EQI Investimentos passa a prever corte da Selic para 13,50% em novembro

EQI Investimentos passa a prever corte da Selic para 13,50% em novembro

Economistas veem o Banco Central atento à perda de fôlego da atividade e esperam novo corte de 0,25 ponto

A EQI Investimentos revisou o cenário para os juros e passou a esperar mais um corte de 25 pontos-base (0,25 ponto percentual) na Selic em novembro. Se confirmada, a redução levará a taxa básica de 13,75% para 13,50% ao ano.

A revisão veio depois da decisão mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), da ata da reunião e do Relatório de Política Monetária (RPM). Para o economista-chefe Stephan Kautz e o economista Igor Cadilhac, os três documentos mostram um Banco Central mais preocupado com a desaceleração da atividade.

“Os documentos deixam claro que a transmissão dos juros altos está finalmente aparecendo nos dados, e de forma mais rápida e disseminada do que se imaginava”, escrevem Stephan Kautz e Igor Cadilhac, da EQI Investimentos.

Publicidade
Publicidade

PIB esconde consumo em queda

O Produto Interno Bruto (PIB) do 2º trimestre mostra bem essa mudança. O número cheio veio um pouco acima do esperado, mas a composição decepcionou: a alta ficou concentrada na agropecuária e na indústria extrativa.

Os setores mais sensíveis ao ciclo econômico ficaram estagnados, e o consumo das famílias recuou. Os indicadores do 3º trimestre seguem na mesma direção.

O que chama atenção é o momento da freada. A economia perde fôlego mesmo depois de o governo ter injetado, ao longo do ano, mais de 1 ponto percentual do PIB em estímulos fiscais e de crédito.

Menos apoio fiscal e crédito no limite

Em 2027, esse suporte tende a encolher. Os novos gatilhos de contenção de despesas reduzem o impulso fiscal, e o consumo do governo já desacelera.

O crédito também dá sinais de esgotamento. Endividamento, comprometimento de renda e inadimplência das famílias estão em níveis recordes, o que deve levar a uma queda nas concessões.

“Juros restritivos por período prolongado, somados à retirada desses dois impulsos, formam uma combinação que amplifica o risco de uma desaceleração mais forte”, alertam os economistas.

Ainda assim, o Copom segue vendo o hiato do produto, a distância entre o que a economia produz e o seu potencial sem gerar inflação, em terreno positivo, embora perto de fechar. O mercado de trabalho continua apertado, contudo já mostra acomodação, com menos vagas criadas e recuo no rendimento real.

Inflação acima do teto, mas perto da meta em 2028

Na inflação, o curto prazo segue ruim. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve voltar a estourar o teto da meta no fim do ano, pressionado pelo El Niño e pelo petróleo. As expectativas para 2027 e 2028 continuaram subindo.

No entanto, o Comitê trata essa pressão como choque de oferta, com devolução prevista mais adiante. Até agora, o BC não encontrou evidência de que ela esteja se espalhando para outros preços e para os salários.

Por isso, mesmo com a inflação desancorada no curto prazo, o Copom enxerga convergência no horizonte relevante, período em que os juros de hoje fazem efeito. A partir de novembro, esse horizonte passa a ser o 2º trimestre de 2028, quando os preços livres estão projetados em 3,0%, exatamente na meta.

Eleições, Fed e petróleo ditam o que vem depois

Depois de novembro, a EQI prefere a cautela. Entre os fatores que vão definir os próximos passos estão o desenrolar das eleições e o cenário externo, com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e o Banco Central Europeu (BCE) voltando a subir juros.

O petróleo, de novo acima de US$ 100 o barril, completa o quadro. Há ainda a própria inflação, ponto em que a casa se mostra menos otimista que o Copom: com as expectativas desancoradas, a convergência não parece tão clara aos economistas da EQI. Portanto, o corte de novembro pode muito bem ser o último do ciclo.