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Mesada: dar ou não, eis a questão

Mesada: dar ou não, eis a questão

Mesada é uma ferramenta útil para educação financeira, mas não a única. Veja como ensinar economia às crianças, mesmo sem uma quantia mensal.

A mesada é uma das práticas mais discutidas entre pais e responsáveis que buscam formar crianças e adolescentes financeiramente conscientes. De acordo com uma pesquisa realizada pela Serasa em parceria com a Opinion Box, 89% dos pais acreditam que oferecer uma quantia mensal aos filhos pode contribuir para o desenvolvimento de uma consciência financeira.

No entanto, 27% dos entrevistados afirmam não ter condições de fornecer esse dinheiro regularmente.

A pesquisa foi feita com 1.540 consumidores de todas as regiões do país, de 18 até 60 anos ou mais.

A prática da mesada, seja ela semanal ou mensal, é defendida por muitos como uma forma eficiente de ensinar aos jovens o valor do dinheiro, a importância de planejar gastos e o hábito de poupar.

Mas, afinal, será que a mesada é realmente a melhor forma de introduzir a educação financeira? E o que fazer quando os pais não podem arcar com esse tipo de benefício?

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O papel do dinheiro na educação financeira

Entregar uma mesada regularmente, seja em valores pequenos ou maiores, é uma maneira prática de permitir que crianças e adolescentes tenham contato direto com o dinheiro e, assim, comecem a tomar decisões financeiras.

O conceito por trás da mesada é simples: ao receber uma quantia fixa, o jovem aprende a fazer escolhas, a planejar seus gastos, a poupar para algo maior no futuro e a lidar com limitações financeiras.

Esse aprendizado é fundamental para que, na vida adulta, ele tenha uma relação mais saudável com as finanças.

Além disso, a mesada pode ensinar a paciência e a responsabilidade. Com o tempo, as crianças começam a entender que, para adquirir determinados bens, é necessário guardar dinheiro e esperar o momento certo.

Essa noção de “gratificação tardia” é essencial para o desenvolvimento de um bom planejamento financeiro.

Porém, para que a mesada funcione corretamente, ela deve ser entregue com regularidade. Não vale atrasar um pagamento e compensar no mês seguinte, ou pegar emprestado da quantia da criança sem avisar. Isso pode confundir a relação do jovem com o dinheiro e dificultar o entendimento de como gerenciar corretamente suas economias.

Mesada não é única solução

Apesar de ser uma prática útil, a mesada não é a única forma de desenvolver consciência financeira nos jovens. Muitos pais e responsáveis que não conseguem arcar com uma quantia mensal para seus filhos podem utilizar outros métodos para introduzir a educação financeira de maneira eficaz.

Uma das opções é envolver as crianças nas atividades financeiras do dia a dia da família, como acompanhar os pais ao supermercado. Nesse tipo de atividade, os pequenos podem observar os preços dos produtos, comparar opções e até mesmo entender a importância de planejar compras para não gastar mais do que o necessário. Além disso, os pais podem incluir os filhos em conversas sobre orçamento doméstico, explicando como a família lida com suas despesas e o que precisa ser priorizado.

Jogos educativos também são uma ótima ferramenta. Existem diversas atividades lúdicas que podem simular a economia, como jogos de tabuleiro ou digitais que envolvem compra, venda e administração de recursos. Esses jogos podem ajudar as crianças a entenderem os conceitos de valor, poupança e planejamento sem necessariamente precisarem lidar com dinheiro real.

Outro método interessante é incentivar o uso do troco ou pequenas economias em situações cotidianas. Quando os pais fazem pequenas compras, podem mostrar o troco recebido para a criança e explicar como ele pode ser guardado ou usado em futuras compras. Esse tipo de interação ensina que o dinheiro é um recurso limitado e que precisa ser gerenciado com cuidado.

Limitações e desafios

Ainda que muitos pais vejam a mesada como uma ferramenta poderosa, ela também pode ter suas limitações. Um dos desafios é garantir que a prática da mesada não se torne uma simples troca material entre pais e filhos. Não é incomum que alguns pais condicionem a mesada ao comportamento ou desempenho escolar, o que pode confundir a relação da criança com o dinheiro.

Além disso, é importante que a mesada não seja utilizada como forma de punição ou recompensa. Cortar a mesada como uma punição para comportamentos indesejados pode acabar prejudicando o aprendizado financeiro da criança. Se o objetivo é ensinar planejamento e responsabilidade, retirar o dinheiro pode interromper o processo de educação, tornando o aprendizado incompleto.

Mesada em dinheiro ou conta digital?

Com o avanço das tecnologias financeiras, outra questão que surge é o formato da mesada. Segundo a pesquisa da Serasa, 23% das mesadas já são pagas em contas digitais infantis, enquanto 16% são transferidas para cartões de débito. As contas digitais têm se popularizado cada vez mais, e diversas instituições financeiras já oferecem esse serviço para menores de 16 anos, com autorização dos responsáveis.

A escolha entre dar dinheiro em espécie ou transferir para uma conta digital depende do objetivo dos pais e da realidade da criança. Para pequenos gastos, como o lanche na escola, o dinheiro físico pode ser mais prático. No entanto, o uso de contas digitais pode facilitar o acompanhamento dos gastos pelos próprios pais e proporcionar um ambiente controlado para o jovem aprender sobre economia digital.

Dar ou não a mesada?

Oferecer ou não mesada é uma escolha que cabe a cada família, levando em conta sua realidade financeira e seus valores. Enquanto a mesada pode ser uma ótima ferramenta para ensinar educação financeira, ela não é a única opção disponível.

Envolver as crianças em atividades cotidianas e utilizar jogos educativos são alternativas eficazes para ensinar desde cedo a importância de planejar e poupar. O mais importante é garantir que o processo de aprendizado seja contínuo e adaptado à realidade de cada família.