A WEG (WEGE3) é uma das principais empresas posicionadas para capturar o que promete ser o maior ciclo de investimentos em infraestrutura da década atual: a explosão dos data centers impulsionada pela inteligência artificial.
Estudos estimam que entre US$ 5 e US$ 8 trilhões em capital serão destinados a data centers globalmente até 2030, e a demanda americana por energia elétrica para esses ativos deve crescer de 4% para quase 12% do consumo total do país.
“A WEG é uma das respostas à pergunta central dos investidores em bens de capital industriais: quais empresas estão no caminho crítico desse gasto?”, afirmam os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG Pactual.
Um portfólio construído décadas antes da IA chegar
O que torna a tese ainda mais relevante, segundo o BTG, é que o posicionamento da WEG não resultou de uma virada estratégica recente em direção à infraestrutura de IA.
“O atual ciclo de capex chegou quando a WEG já possuía a base de manufatura, o expertise de engenharia e o portfólio de produtos necessários para participar da expansão. Essa distinção importa porque a exposição da WEG está ancorada em negócios industriais maduros, com participação de mercado estabelecida e escala operacional”, destacam Marquiori, Recchia e Alkmim.
Atualmente, o segmento de data centers representa apenas 3% a 5% da receita da companhia — mas o BTG projeta crescimento rápido e significativo desse percentual.

Três vetores: transformadores, BESS e alternadores
O banco organiza a exposição da WEG ao tema em três frentes. Os transformadores são o vetor mais imediato e de maior receita: cada megawatt adicional de capacidade em data centers exige nova infraestrutura de transmissão e distribuição, e a WEG já tem cerca de 20% do seu backlog de T&D nos EUA vinculado a clientes de data centers.
“Os transformadores concentram o maior volume de capex elétrico. A relação entre o crescimento de data centers e a demanda por transformadores é muito direta”, explicam os analistas. O segmento também opera com margens acima da média consolidada da companhia.
Com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 65 para as ações WEGE3, o BTG destaca que os sistemas de armazenamento de energia por bateria (BESS) representam a avenida de crescimento de maior opcionalidade.
Ainda abaixo de 1% da receita consolidada, o BESS tem ganhado tração à medida que operadores de data centers buscam reduzir dependência de geradores a diesel e lidar com instabilidade em redes com alta participação de renováveis.
“Forças como a intermitência de redes com alta penetração renovável, pressão regulatória e reputacional para reduzir geração a diesel, e queda nos custos de baterias de lítio estão empurrando operadores em direção ao armazenamento”, avaliam Marquiori, Recchia e Alkmim.
Alternadores: negócio estabelecido com demanda crescente
Os alternadores completam o tripé de exposição da WEG ao tema. Todo data center comercial instala geradores a diesel ou gás como backup obrigatório contra falhas na rede elétrica, e o alternador é o coração elétrico de cada conjunto gerador.
A WEG compete nesse mercado por meio de suas operações legadas e da marca Marathon Electric, adquirida via transação com a Regal Rexnord, que detém cerca de 10% de participação global.
“Os comentários da gestão destacaram os alternadores do portfólio Marathon como superando o negócio legado de motores, consistente com a forte demanda dos novos data centers em construção”, apontam os analistas.
No geral, o BTG reconhece que a WEG não é um “pure play” de data centers, mas avalia que sua posição na infraestrutura elétrica upstream pode se revelar estruturalmente atrativa diante das severas restrições de oferta e dos longos prazos de entrega que afetam o mercado global de transformadores e equipamentos elétricos.
Leia também:






