O Safra reiterou a recomendação de compra para Cury (CURY3) após uma rodada de reuniões em Boston com a alta administração da incorporadora.
O encontro reuniu investidores com João Mazzuco, CFO, e Ronaldo Cury, IRO e vice-chairman, e teve como eixos centrais os mecanismos de proteção contra a inflação de custos, a velocidade de vendas como alavanca defensiva e a estratégia de lançamentos em localizações premium.
Na avaliação do banco, a maior parte do impacto negativo dos riscos inflacionários tende a ser compensada por receitas mais fortes e por maior diluição de despesas gerais e administrativas.
Após a recente queda, as ações negociam a um P/L ajustado de 6,0x para 2027, com yield de dividendos projetado em 12% para o fim daquele ano.
Os papéis operam em alta de 2,06% nesta sessão, cotados a R$ 31,16, e acumulam baixa de 1,14% em 2026, após máxima de R$ 41,67 alcançada em fevereiro.
Hedge inflacionário
A gestão da Cury reforçou que já incorporou os preços spot de petróleo e logística aos orçamentos, trabalhando com premissa inflacionária ao redor de 8%, considerada conservadora pelo Safra.
A carteira de recebíveis, cerca de 90% indexada ao INCC, cobre 75% dos custos futuros a incorrer em todas as unidades vendidas, funcionando como proteção contra a inflação setorial de construção, segundo o analista do Safra, Rafael Rehder.
“Apesar dos riscos inflacionários mais elevados poderem pressionar a visibilidade de resultados, acreditamos que a maior parte do downside deve ser compensada por receitas mais fortes e maior diluição de SG&A”, escreveu Rehder.
Já a velocidade de vendas, vista por parte do mercado como sinal de pressão, é tratada pelo Safra como alavanca defensiva. A recente elevação dos tetos de preço e renda no Minha Casa, Minha Vida amplia a acessibilidade dos compradores e abre espaço para reajustes sem comprometer o ritmo de comercialização, o que sustenta a expectativa de maior diluição de SG&A e crescimento de lucros em 2026.
“A alta velocidade de vendas é uma importante alavanca defensiva contra pressões inflacionárias, pois melhora a geração de caixa e reduz despesas financeiras”, afirmou o analista.
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Execução e lançamentos
A disciplina de execução foi outro ponto explorado nas reuniões. Para mitigar restrições de mão de obra, a Cury ampliou a estrutura de engenharia, hoje com mais de 200 profissionais, e prepara a adoção de métodos construtivos alternativos, como fôrmas de alumínio e paredes de concreto, em projetos menos complexos, como os com limite de altura por zoneamento.
A transição deve começar em 2027 com obras piloto e ganhar escala de forma gradual, sem impacto esperado em margens ou na dinâmica de reconhecimento de receita por percentual de obra concluída.
“Localizações premium tornaram-se um driver cada vez mais importante para o sucesso dos projetos e a principal alavanca de pricing power”, destacou Rehder.
São Paulo deve permanecer como o principal mercado da incorporadora, com participação ainda maior no longo prazo, impulsionada por possíveis mudanças de zoneamento em Pinheiros e no Arco Tietê. A companhia também pode se beneficiar de incentivos à densificação nas regiões Norte e Centro do Rio de Janeiro, onde mantém exposição. Como exercício de estresse, o Safra simulou um cenário menos favorável para validar a tese.
“Mesmo com uma surpresa negativa de 2 pontos percentuais na margem bruta, a ação ainda negociaria a um múltiplo atrativo de 6,7x”, concluiu o analista.






