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Investir no exterior não é mais luxo e vira necessidade para o brasileiro

Investir no exterior não é mais luxo e vira necessidade para o brasileiro

Em evento promovido pela Nomad e Estadão, especialistas apontam que diversificação global, educação financeira e novo modelo de assessoria devem transformar a relação do investidor com o mercado

O investimento internacional deixou de ser algo pensado apenas para investidores de altíssima renda e se tornou um pilar fundamental para a construção de portfólios mais eficientes. 

Essa foi a principal mensagem do painel “O futuro do mercado de capitais no Brasil e no mundo”, promovido pela Nomad e Estadão, que reuniu especialistas para discutir a evolução da alocação global.

Na avaliação de Cacá Takahashi, senior advisor com passagens por Monte Capital e BlackRock (BLK; BLAK34), o ponto de partida para qualquer estratégia — inclusive internacional — ainda é básico, mas frequentemente negligenciado: planejamento financeiro e autoconhecimento.

“Qual é o apetite de risco que eu tenho, qual é o horizonte temporal que eu tenho para cada um dos meus objetivos? Então, é primeiro ter muita clareza sobre isso”, afirmou Takahashi.

Segundo ele, a sofisticação dos produtos disponíveis não substitui a necessidade de uma base bem estruturada.

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“A gente vive falando algo que parece muito básico em planejamento financeiro, mas é exatamente por aí que você tem que começar”, acrescentou.

Investimento global: três mitos que ainda travam o brasileiro

Apesar do avanço das plataformas e do acesso, o investimento no exterior ainda enfrenta barreiras culturais no Brasil. Para Takahashi, esses obstáculos estão ancorados em três mitos principais — todos já ultrapassados.

O primeiro é a ideia de que investir fora é complexo ou exclusivo para grandes fortunas.

“Tem que pensar que hoje tem formas muito simples e qualquer pessoa pode acessar muito facilmente o mercado exterior”, disse Takahashi.

O segundo equívoco é tratar a alocação internacional apenas como proteção cambial.

“Você não investe lá fora simplesmente para proteção cambial, você investe lá fora para diversificar o seu portfólio para valer”, explicou.

Já o terceiro mito, mais antigo, associa o investimento internacional a irregularidades fiscais.

“Investir lá fora é fugir de imposto, é fazer coisa errada também, não é”, afirmou.

Para o especialista, romper essas barreiras é essencial para que o investidor brasileiro evolua.

Diversificação global ganha força com nova dinâmica econômica

Além da quebra de mitos, o cenário macro também reforça a importância da internacionalização dos portfólios.

Takahashi destaca que a lógica de alocação está cada vez mais conectada a tendências estruturais globais — como inteligência artificial, transição energética e geopolítica.

“Uma boa parte das commodities está muito relacionada com os novos minerais que são necessários para tocar inteligência artificial”, disse.

Nesse contexto, setores como infraestrutura e energia voltam ao radar.

“Tem novas infraestruturas, tem data center, precisa de energia e a energia passa a ser de novo um bom local para você alocar o seu portfólio”, afirmou.

Dolarização protege poder de compra — e não apenas o patrimônio

Na mesma linha, Carlos Omine reforça que investir no exterior não é apenas uma decisão de retorno, mas também de preservação de riqueza.

“A maioria dos produtos que nós temos aqui são dolarizados. Ao dolarizar você está preservando seu poder de compra”, afirmou Omine.

Ele lembra que, mesmo em momentos de volatilidade, a diversificação internacional permite acessar estratégias que não estão disponíveis no mercado doméstico.

“O acesso ao mercado internacional permite que você persiga estratégias diferentes também. Então não é um luxo, é uma necessidade hoje”, disse.

Omine também chama atenção para o baixo nível de internacionalização do investidor brasileiro.

“Cerca de 2% da população brasileira diversifica internacionalmente”, destacou.

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Excesso de informação exige mais curadoria — não mais produtos

Se antes o desafio era acesso, hoje o problema é filtrar o excesso de informação.

Na visão dos participantes, o investidor moderno precisa cada vez mais de orientação qualificada para transformar dados em estratégia.

“Hoje o desafio é você lidar com a informação, não você ter informação”, afirmou Omine.

Esse ambiente favorece modelos mais personalizados de gestão e reforça a importância da educação financeira como ferramenta de autonomia.

“A educação financeira é que vai fazer com que você se empodere efetivamente dos seus investimentos”, disse Takahashi.

Nova estrutura de mercado deve alinhar interesses com o investidor

Outro ponto central do debate foi a transformação no modelo de assessoria de investimentos, destacada por Caio Fasanella, head de investimentos da Nomad.

Segundo ele, o mercado brasileiro caminha para uma mudança estrutural, saindo de um modelo baseado em comissões para outro mais alinhado ao cliente.

“A gente está vendo tanto uma pressão regulatória quanto o próprio mercado demandando uma linha de serviço mais alinhada com os interesses do cliente”, afirmou Fasanella.

O modelo chamado de fee-based — no qual o assessor é remunerado diretamente pelo cliente — já é dominante nos Estados Unidos e começa a ganhar espaço no Brasil.

“Hoje o mercado é 75% a 80% baseado nesse modelo nos Estados Unidos”, disse.

Para os especialistas, essa transição tende a reduzir conflitos de interesse e melhorar a qualidade das recomendações.

“Isso traz muita proteção para o investidor, sem dúvida nenhuma”, afirmou Takahashi.