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EXCLUSIVO! Com nova vertical institucional, Avenue quer liderar a ponte dos gestores brasileiros ao exterior

EXCLUSIVO! Com nova vertical institucional, Avenue quer liderar a ponte dos gestores brasileiros ao exterior

Com a contratação de Caio Azevedo e foco em ações, bonds e derivativos, a Avenue amplia sua infraestrutura para acompanhar a internacionalização da gestão brasileira

O rali da bolsa brasileira tem sido impulsionado por um fluxo estrangeiro relevante para mercados emergentes como o Brasil. Como lembrou André Esteves, chairman do BTG Pactual (BPAC11), no CEO Conference, somente em janeiro entrou mais dinheiro na B3 ($B3SA3) do que ao longo de todo o ano passado.

Mas esse fluxo não é de mão única. O número de brasileiros que investem no exterior cresce de forma consistente — e sustentar essa expansão exige investimentos cada vez maiores em infraestrutura financeira voltada ao investidor local.

Segundo Roberto Lee, CEO da Avenue, essa tendência também começa a ganhar tração entre os institucionais. De acordo com ele, gestoras brasileiras ainda estão em estágio inicial de internacionalização, mas começam a avançar além das fronteiras domésticas.

Para capturar essa nova fase do mercado, a Avenue decidiu reforçar sua atuação junto ao público institucional. Para isso, a companhia deu um passo estrutural nessa direção, tornando-se oficialmente um banco de investimentos nos primeiros dias de 2026.

Segundo Lee, a mudança faz parte de uma estratégia de construção de infraestrutura para atender gestoras brasileiras que começam a operar internacionalmente, mas ainda enfrentam limitações operacionais relevantes.

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“Os gestores brasileiros, na sua grande maioria, só fazem gestão doméstica. Quando começam a experimentar a gestão internacional […] encontram grandes dificuldades na barreira da infraestrutura”, afirmou o executivo em entrevista exclusiva ao EuQueroInvestir.

A aposta institucional da Avenue ganha forma

A transformação em banco de investimentos acompanha a criação de uma nova vertical dedicada ao atendimento institucional.

Para liderar essa frente, a Avenue contratou Caio Azevedo, executivo com passagens pela XP, que assume como sócio e diretor institucional. Ele ficará à frente de uma equipe inicial de seis profissionais.

Segundo a companhia, o time foi estruturado em três frentes: execução em ações internacionais, crédito global — com foco em bonds corporativos — e derivativos, incluindo opções e futuros.

De acordo com Lee, o objetivo é oferecer aos gestores brasileiros acesso operacional completo aos mercados internacionais — algo que, historicamente, exigia múltiplos intermediários ou estruturas offshore próprias.

A barreira operacional

Na avaliação do CEO da Avenue, a principal fricção da internacionalização não está na tese de investimento, mas na execução.

“Quanto custa executar uma ordem? Como você leva essa posição para dentro da custódia do fundo? Como faz esses cálculos? São dores reais dos gestores”, afirmou.

Segundo ele, essa limitação ajuda a explicar por que ainda são poucos os produtos internacionais originados por gestoras brasileiras voltados ao público doméstico,apesar do crescente interesse dos investidores por ativos globais.

Para Lee, o Brasil ainda está no começo da curva de aprendizado institucional global. Ele avalia que a indústria local foi historicamente estruturada para servir um mercado doméstico relativamente fechado, o que cria um descompasso entre a demanda por diversificação internacional e a capacidade operacional das casas brasileiras.

“Todo o ecossistema brasileiro está se expandindo rumo ao exterior — não só investidores, mas empresas, analistas, imprensa e gestores”, afirmou.

Execução internacional como estratégia

Nesse contexto, segundo o executivo, ganha relevância o segmento de execução internacional institucional — que funciona como ponte operacional entre gestores locais e mercados globais.

Para Lee, a proposta é permitir que casas brasileiras operem no exterior sem precisar construir, do zero, toda a engrenagem tecnológica e regulatória exigida pelos grandes centros financeiros.

“A nossa missão é expandir o sistema financeiro brasileiro para o exterior […] ajudar o gestor brasileiro a performar seus serviços aqui fora para o mesmo cliente que ele atende no Brasil”, disse.

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Um movimento estrutural

Na visão de Lee, o avanço institucional rumo ao exterior é um sinal de amadurecimento da indústria financeira local.

Segundo ele, durante décadas a diversificação internacional esteve concentrada em grandes patrimônios e estruturas offshore sofisticadas, mas agora começa a se institucionalizar dentro do próprio sistema doméstico.

Para o executivo, esse processo tende a alterar a dinâmica competitiva da gestão no Brasil, ao ampliar a proposta de valor das casas que dominarem a operação internacional.

Lee também afirma que a crescente integração financeira global e a concentração de liquidez em poucos centros tornam cada vez mais difícil sustentar modelos de gestão exclusivamente domésticos.

“O gestor brasileiro que conhece o cliente doméstico […] agora começa a explorar como prestar esse mesmo serviço no exterior”, afirmou.

Segundo ele, nesse novo cenário, a infraestrutura passa a ocupar papel central na estratégia de internacionalização da indústria.