A Azzas 2154 (AZZA3) enviou nesta segunda-feira (25) um comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) negando a existência de qualquer decisão tomada, proposta formal ou negociação em curso envolvendo uma possível cisão da companhia ou segregação de ativos entre seus dois principais acionistas de referência, Alexandre Café Birman e Roberto Luiz Jatahy Gonçalves.
O esclarecimento foi enviado em resposta a um ofício da CVM datado de 22 de maio, que solicitou posicionamento da empresa sobre reportagem publicada pelo Valor Econômico em 21 de maio, intitulada “Exclusivo: O desenho do plano de cisão e o futuro de Birman e Jatahy“.
No comunicado, a Azzas 2154 afirma que não tem “conhecimento de qualquer decisão tomada, operação aprovada, proposta formal ou instrumento vinculativo celebrado relacionado à eventual cisão da Companhia ou à segregação de ativos entre referidos acionistas, tampouco de medidas adotadas para efetivar quaisquer das operações mencionadas na notícia ou de discussões sobre seus potenciais termos e condições”.
A empresa também informou que seu Diretor de Relações com Investidores diligenciou diretamente junto aos dois acionistas de referência para apurar a existência de tratativas, estudos ou negociações em andamento sobre o tema.
Em resposta, tanto Birman quanto Jatahy declararam que, na data do comunicado, “não mantêm qualquer interação, tratativa ou negociação que tenha por objeto eventual cisão da Companhia ou segregação de ativos”.
A Azzas 2154 reconheceu, porém, que no curso regular de seus negócios realiza “análises preliminares e exploratórias sobre alternativas estratégicas, no Brasil e no exterior, relativas aos seus negócios, controladas e ativos”, com suporte de assessores externos especializados — em referência ao comunicado divulgado em 19 de maio, quando a companhia já havia informado a contratação de assessores para avaliar alternativas estratégicas, também em resposta a uma solicitação anterior da CVM.
Com base nas informações disponíveis, incluindo as declarações dos acionistas de referência, a companhia concluiu não existir, na presente data, “ato ou fato passível de divulgação” nos termos da regulamentação da CVM. A empresa reiterou seu compromisso de manter acionistas e mercado informados sobre eventuais desenvolvimentos relevantes.
Entenda a briga na Azzas 2154
Na última terça-feira (19), foi divulgado que Birman entrou com um pedido de arbitragem contra o sócio, em meio ao avanço das divergências envolvendo o futuro da companhia.
O movimento ocorre após Birman perder um agravo relacionado a um recurso apresentado por Jatahy para barrar uma eventual cisão da marca Reserva. Apesar das especulações do mercado, a Azzas negou oficialmente qualquer ruptura formal entre os dois empresários.
Segundo informações do Valor Econômico, Birman alegou no pedido de arbitragem que Jatahy teria descumprido o acordo de acionistas firmado entre as partes. O empresário também solicita o reconhecimento de suposta conduta ilícita por parte do sócio.
A crise envolvendo a companhia, dona de diversas marcas do setor de vestuário, já se estende há cerca de uma semana. Desde então, investidores passaram a especular sobre uma possível separação dos negócios da empresa, hipótese que foi posteriormente negada pela companhia em documento encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
As especulações ganharam força após a contratação do Itaú BBA para prestar serviços de assessoria financeira. Em comunicado, porém, a Azzas afirmou que o trabalho está relacionado à avaliação de alternativas estratégicas envolvendo a companhia, suas controladas ou ativos, e não especificamente a uma cisão societária.
O cenário elevou as preocupações do mercado em relação aos impactos das disputas entre os controladores sobre o processo de integração operacional e captura de sinergias da empresa, criada a partir da combinação de negócios entre os grupos.
Leia também:






