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Investir no exterior deixa de buscar retorno e vira proteção patrimonial, diz CEO da Avenue

Investir no exterior deixa de buscar retorno e vira proteção patrimonial, diz CEO da Avenue

Dólar, custo de vida cada vez mais dolarizado e incerteza política empurram investidores brasileiros para o mercado internacional, avalia Roberto Lee

Durante muito tempo, investir no exterior esteve associado à busca por retornos extraordinários ou a estratégias restritas a investidores de altíssima renda. Ter dinheiro fora do país, em muitas avaliações, era visto como sinônimo de lavagem de dinheiro ou como algo restrito à elite.

Esse entendimento, no entanto, ficou no passado. Em meio à volatilidade do câmbio, à pressão inflacionária e à recorrente incerteza política no mercado doméstico, a alocação internacional passou a cumprir um papel mais defensivo nas carteiras dos brasileiros, funcionando como instrumento de proteção patrimonial.

Essa é a análise de Roberto Lee, CEO da Avenue, em conversa com a equipe do portal EuQueroInvestir.

Lee destaca que esse reposicionamento tem sido observado com maior intensidade em períodos de perda de visibilidade sobre o futuro econômico. Eleições, mudanças no cenário fiscal e oscilações abruptas do dólar reforçam a percepção de risco e levam investidores — inclusive os mais conservadores — a buscar alternativas fora do país.

Para o executivo, o movimento reflete uma mudança estrutural na forma como o brasileiro enxerga seus investimentos. Mais do que buscar retornos adicionais, o investidor passou a priorizar a preservação do poder de compra em um ambiente econômico cada vez mais incerto.

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Preservar patrimônio virou prioridade

Na avaliação de Lee, a lógica que orienta a tomada de decisão do investidor brasileiro mudou. Antes de pensar em rentabilidade, o foco passou a ser a proteção do patrimônio ao longo do tempo — especialmente em um cenário de desvalorização recorrente da moeda local.

“Todo investidor tem uma missão principal, que é preservar o patrimônio. Todo o resto vem depois. Primeiro você preserva o poder de compra e depois começa a buscar rentabilidades adicionais. Para essa primeira parcela da poupança, você não consegue fazer isso só em reais”, afirma o executivo.

Segundo ele, essa constatação tem levado o investidor a compreender que uma carteira concentrada apenas em ativos domésticos já não é suficiente para cumprir esse objetivo. A diversificação em moeda forte passou a ser vista como um componente essencial da estratégia de proteção patrimonial.

O real já não protege sozinho

Um dos fatores que explicam essa mudança de comportamento é a crescente dolarização indireta do custo de vida no Brasil. Mesmo para quem consome majoritariamente produtos e serviços domésticos, uma parcela relevante das despesas está atrelada à variação do dólar.

De acordo com dados citados por Lee, entre 16% e 18% do consumo do brasileiro tem algum grau de indexação à moeda americana. Isso significa que movimentos bruscos do câmbio impactam diretamente o poder de compra da população, independentemente do perfil de consumo.

Na prática, quando o dólar sobe de patamares historicamente baixos para níveis mais elevados, a sensação de empobrecimento se espalha. 

“Quando o dólar sai de R$ 2 para R$ 5 ou R$ 6, a população inteira se sente mais pobre. A resposta natural a essa perda de poder de compra é a busca por mecanismos de defesa patrimonial”, explica.

Eleições e incerteza aumentam a busca por proteção

O ambiente político também exerce um papel relevante nesse processo. Períodos eleitorais costumam reduzir a previsibilidade do cenário econômico, elevando a percepção de risco entre investidores.

Lee observa que esse comportamento não é novo. Em eleições anteriores, a procura por investimentos internacionais já havia aumentado de forma significativa. A diferença, agora, está no nível de maturidade do investidor e na infraestrutura disponível para acessar o mercado externo.

“Toda vez que você tem perda de visibilidade do futuro, o risco aumenta. As pessoas buscam proteção. Em eleições passadas, a gente já viu esse movimento acontecer. A diferença é que hoje o investidor está mais informado e tem uma conexão muito mais sólida com o mercado internacional”, afirma.

Segundo o executivo, a combinação entre incerteza política e maior acesso a produtos globais tende a tornar 2026 um dos anos mais relevantes em termos de volume de recursos enviados ao exterior.

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A jornada do investidor brasileiro rumo ao exterior

Para Lee, o movimento de internacionalização faz parte de uma jornada natural de amadurecimento financeiro. À medida que o investidor evolui profissionalmente, aumenta sua renda e amplia sua compreensão sobre riscos e diversificação, cresce também a percepção de que é necessário olhar além das fronteiras domésticas.

Esse processo foi acelerado pelo avanço da infraestrutura financeira e pela redução das barreiras operacionais. O que antes era restrito a um grupo pequeno de investidores passou a ser acessível a um público mais amplo, permitindo que a diversificação internacional deixasse de ser exceção para se tornar parte da carteira padrão.

No entendimento do CEO da Avenue, essa transformação não é conjuntural. Trata-se de uma adaptação estrutural a um mundo mais complexo, no qual concentrar investimentos em uma única jurisdição representa um risco crescente.

Para Lee, a carteira moderna não cabe mais dentro de um único país, e a diversificação internacional se tornou um passo fundamental na construção de portfólios mais resilientes e preparados para atravessar ciclos econômicos adversos.