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O que esperar dos investimentos em outubro?

O que esperar dos investimentos em outubro?

Confira na coluna do estrategista da EQI Investimentos, Denys Wiese, o que esperar dos investimentos em outubro.

Olá, Investido Inteligente! Na semana passada, enquanto os EUA anunciaram um corte de 50 bps em sua taxa de juros (agora entre 4,75 e 5% a.a.) – inaugurando um novo ciclo de queda – , o Copom anunciou um aumento da nossa Selic em 25 bps, elevando-a de 10,5% para 10,75% a.a, iniciando-se, assim, um novo ciclo de alta.

A queda dos juros nos EUA deverá impulsionar os mercados emergentes, que agora tendem a se beneficiar de um fluxo internacional de capital à procura de rendimentos maiores fora do solo americano.

O Brasil pode ser um destino dessa enxurrada de dólares, se considerarmos que, com a taxa Selic mais alta, nossos títulos de renda fixa renderão mais.

“Somos o paraíso dos rentistas”, como muitos governistas já afirmaram no passado, em tom de crítica. Nada mudou!

Esse cenário de juros altos beneficia os já ricos; aqueles que possuem capital para investir. Por outro lado, penaliza o empreendedor e aqueles brasileiros que precisam trabalhar e garantir os seus negócios, seus empregos e suas vidas.

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Já afirmei em meses passados que a política econômica desse governo é totalmente esquizofrênica: por um lado, há uma grande expansão fiscal, com um aumento expressivo dos gastos do governo que impulsiona (pelo menos por um tempo) a economia; e, por outro lado, em função desse gasto ser desproporcional à capacidade produtiva, a inflação começa a aparecer, e o BC se torna obrigado a subir os juros, para frear a economia.

É a política do estica e puxa; do “acaricia com uma mão, e bate com outra”.

Mas, os que sofrem a punição, não são os mesmos que recebem os louros. Se beneficiam dessa política os brasileiros que se servem do Estado de alguma forma. São eles: políticos, empresários fornecedores do Estado, funcionários públicos (principalmente os de alto-escalão), trabalhadores e fornecedores dos setores subsidiados pelo governo, entre outros. E quem paga a conta? Todos que não se servem e não são ajudados pelo Estado. Em outras palavras, os pagadores líquidos de impostos – em que os impostos pagos são maiores do que o valor dos serviços recebidos.

Nada no nosso radar indica que essa política está acabando. Confira o que esperamos para os investimentos no mês de outubro!

Investimentos em outubro: o arcabouço fiscal poderá ser cumprido, mas tem muito gasto fora do teto

O governo está recorrendo a fundos, para turbinar os gastos e o crédito barato, sem esbarrar em travas do arcabouço. Essa prática tem aval do Congresso e é vista com ressalvas por economistas, que apontam perda de potência das regras fiscais e possíveis efeitos na inflação.

Em setembro, tivemos 3 iniciativas nesse sentido: (1) Projeto de lei que autoriza a União a aumentar em até R$ 4,5 bi a sua participação no Fundo de Garantia de Operações (FGO); (2) o texto autoriza o governo a usar até R$ 20 bi do superávit do Fundo Social como fonte de recurso para crédito direcionado à mitigação das mudanças climáticas; (3) sansão do presidente Lula ao projeto que permite que o Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) seja usado para conceder crédito às cias aéreas (o governo planeja usar R$ 5 bi para socorrer as empresas do setor.

Observe outros dois exemplos abaixo:

gráficos coluna Denys: investimentos outubro

No gráfico da esquerda, podemos ver o valor desembolsado pelo FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Dois anos atrás, se gastava próximo de R$ 3 bi por ano; agora estamos com gastos de R$ 13,4bi, um incremento de mais de 300%.

No gráfico da direita, podemos observar os desembolsos financiados pelo BNDES em proporção do PIB. Dois anos atrás o BNDES impactava 0,75% do PIB, hoje, 1,30%, em tendência de alta.

É fato que os bancos públicos adquiriram inúmeras amarras estatutárias para que não se repitam os erros do passado, quanto ao uso indevido dos recursos. Mas, aos poucos, podemos notar a reedição de determinadas atitudes que nos lembram esse passado recente.

Em resumo, o governo está se utilizando dos meios “parafiscais” ao promover desembolsos fora do arcabouço e, com isso, continuar a sua política de expansão desenfreada dos gastos públicos, com o intuito de promover o crescimento da economia.

Mas, se fosse fácil assim, todos estaríamos ricos.

O mercado vai cobrar o preço do desajuste que está sendo criado, e nós, Investidores Inteligentes, precisamos ficar bem atentos.

O mercado não acredita no cumprimento das metas estabelecidas pelo governo

O mercado estima resultados primários piores que as metas do governo, porque grande parte da surpresa de arrecadação deste ano é de receitas extraordinárias, que não se repetirão em 2025, 2026 e 2027.

metas do governo

O governo continua perseguindo a sua meta de resultado primário em zero para os anos de 2024 e 2025. O Arcabouço permite uma variação de 0,25 p.p. para mais ou para menos. O mercado, no entanto, enxerga de outra forma:

gráfico resultado primario

O Boletim Focus do Banco Central estima um déficit primário de 0,6% do PIB em 2024, 0,7% em 2025, 0,7% em 2026 e 0,3% em 2027. Ou seja, para o mercado, não teremos economia fiscal neste governo.

Com o governo tendo gastos mais elevados que as suas receitas, a dívida tende a explodir! No gráfico acima (à direita) podemos notar as previsões do endividamento público (dívida líquida em % do PIB). No final de 2024, a dívida chegará a 64%; no final de 2025, em 66%; no final de 2026 em 68% e 72%, no final de 2027.

Déficits maiores resultam em uma dívida maior e, consequentemente em juros maiores.

Ao adotar essa política de elevados gastos estatais, o governo acredita que com a aceleração da atividade econômica haverá maior arrecadação, que poderá financiar novos gastos, que gerará mais crescimento, e assim por diante, em um ciclo virtuoso da riqueza.

O passado parece não ensinar nada aos nossos governantes… infelizmente!

As expectativas de PIB, inflação, juros e câmbio continuam subindo

Nada como a “bigorna da realidade” para nos trazer de volta para à Terra. A intensidade da expansão fiscal já está se refletindo em praticamente todos os indicadores macroeconômicos.

gráfico expectativas

As estimativas de PIB, IPCA, Selic e dólar estão subindo semana a semana, à medida que a política de gastos continua.

Ao nosso Banco Central restou subir juros e resgatar algum equilíbrio do cenário macroeconômico.

O Copom aumentou a Selic em 0,25 p.p. e os juros futuros dispararam

A EQI Asset estima que a Selic chegará em 12,5% a.a. em março/2025. Um novo ciclo de cortes deverá se iniciar em agosto/2025. Taxa terminal de 10,75% a.a. em 2025 e 9,75% em 2026.

Não preciso relembrar que a nossa recomendação é continuar investindo em renda fixa! Com os juros futuros perto dos 13%, há muita oportunidade em pós fixados, ipca+ e prefixados.

Com a alta da Selic, os pós fixados ganham destaque, logicamente. Eis algumas projeções de rentabilidade:

tabela pós-fixados
Fonte: EQI Investimentos

A inflação implícita – em outras palavras, a inflação embutida hoje na curva de juros – também está bem acima das previsões dos economistas do Boletim Focus. Além disso, os juros reais estão acima de 6% e, por isso, as oportunidades em ativos IPCA+ não devem ficar de fora do nosso portfólio.

tabela IPCA+
Fonte: EQI Investimentos

E os prefixados? Vale a pena investir tendo em vista o aumento da Selic? Sim, existem boas oportunidades!

Veja, a taxa Selic está em 10,75% a.a. No entanto, os juros futuros, seja para 2026, 2027 ou 2030, estão bem acima de 12%. O mercado já está precificando um aumento para cima de 12% na Selic corrente e os prefixados já refletem essa realidade.

tabela prefixados
Fonte: EQI Investimentos

O Brasil continua sendo um mar de oportunidades em Renda Fixa. Façamos o básico, sem inventar!

Por Denys Wiese, estrategista da EQI Investimentos

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