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CEO da EQI analisa oportunidades de investimentos no exterior

CEO da EQI analisa oportunidades de investimentos no exterior

Juliano Custodio analisou cenário macroeconômico e oportunidades de investimento no exterior durante o After Market, série de lives da EQI. Acompanhe.

Na última terça-feira (3), a EQI Investimentos realizou mais uma edição da sua tradicional série de lives After Market, reunindo investidores e especialistas para discutir o cenário macroeconômico e as oportunidades de investimento no exterior em meio às incertezas quanto a juros, inflação alta e escalada de tensões entre Estados Unidos e China.

O destaque da noite foi a participação de Juliano Custodio, CEO da EQI, que compartilhou suas reflexões após concluir o primeiro mês do exclusivo programa OPM (Owner/President Management) em Harvard.

Custodio trouxe à tona uma análise contundente da conjuntura global, marcada por instabilidade política, endividamento excessivo e o retorno da guerra tarifária.

“Governos descobriram após a crise de 2008 que dá para gastar mais do que se arrecada, repassando o custo por meio da inflação, ou seja, quem paga é você, meu amigo, minha amiga”, alertou o executivo.

Juliano Custodio, CEO da EQI: “O mundo vive além dos seus meios”

Baseando-se em dados apresentados durante a live, Juliano Custodio destacou que a dívida global já ultrapassa 95% do PIB mundial e que os juros altos vieram para ficar. “O preço do dinheiro subiu, e deve continuar alto”, afirmou.

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Ele argumentou que os bancos centrais, especialmente o Federal Reserve dos EUA, estão mais restritivos, tentando conter uma inflação estrutural que ameaça a estabilidade econômica.

Endividamento dos governos e a inflação

Segundo Custodio, a alta da inflação está diretamente ligada a políticas populistas, que priorizam o curto prazo e aumentam a dívida pública.

“Toda vez que tem pancada de custo do governo, com dívida do governo subindo de maneira acelerada, a inflação sobe junto. Quanto mais dívida, mais inflação”, explicou.

gráfico gastos do governo dos EUA e inflação nos EUA
Relação dívida pública com inflação nos EUA. Fonte: EQI

Para entender didaticamente a inflação, Custodio recomenda um meme das redes sociais, que explica o conceito usando uma metáfora de macacos e bananas. Basicamente, a mensagem é: se você tem 5 bananas e 5 dinheiros, cada banana custa 1 dinheiro. Mas se você tem 5 bananas e 10 dinheiros, de maneira natural essa banana vai passar a custar 2 dinheiros.

Ou seja: você aumentou o valor do produto, sem aumentar a produção. E é isso que os governos fazem ao imprimir dinheiro. “Você não aumenta a produção do país, mas faz tudo custar mais caro. E quem paga é a população”, ensinou.

Segundo Custodio, foi isso o que aconteceu com os EUA nos últimos anos, gerando um grande endividamento que ameaça a hegemonia do país.

História, economia e investimentos

Para o CEO da EQI, é possível fazer um paralelo da atualidade com o fim do império britânico:

“O que aconteceu no final do império britânico, se repete agora com os EUA. Mas isso quer dizer que não é para investir mais nos EUA? Não! Basta entender que o fim do império britânico foi há 100 anos e a libra continua sendo uma das moedas mais fortes do mundo”, conclui.

O risco do populismo

Juliano também criticou a tendência crescente de populismo fiscal:

“Toda vez que a gente tem fim de ciclo de poder do país, o país começa a ter disputas internas e abre espaço para populistas. Populista só pensa em curto prazo, não pensa no longo prazo, ele não faz o que é certo para a população, ele faz política de ‘pão e circo’, ou seja, gasta mais do que arrecada e azar. Cortar gasto não é popular, mas é o que deveria estar sendo feito nesse momento”, analisou.

“O mundo hoje paga o preço de uma década de excessos e o Brasil também. O governo americano quadruplicou a quantidade de dinheiro, mas não a produção. Mandou todas as fábricas para a China e agora manda dólares para a China, que compra toda a dívida dos EUA com esses dólares”, enfatizou.  

A importância de investir no exterior

A live reforçou a necessidade de diversificação internacional como estratégia de proteção patrimonial.

“Diversificar internacionalmente é um imperativo financeiro”, afirmou Custodio, ecoando os dados da apresentação que mostram a perda de valor do real ao longo dos anos — de 60 centavos por dólar há uma década para 20 centavos hoje.

infográfico com desvalorização do real ao longo do tempo

“Investir fora é preservar poder de compra. Não se trata apenas de buscar retorno, mas de proteger patrimônio”, pontuou.

Ele também destacou que o Brasil representa apenas 3% do PIB mundial, 2% da renda fixa global e 1% da renda variável global, o que limita as oportunidades para o investidor que se restringe ao mercado local.

“É como ir ao supermercado e ficar restrito a apenas 1% dos produtos disponíveis, sem Coca-Cola, Danone ou Nestlé.”

Realismo e planejamento

Apesar das constatações, Custodio não sugeriu uma fuga completa dos ativos brasileiros, mas sim um movimento estratégico e gradual.

“Não é preciso vender todos os seus imóveis no Brasil e comprar imóvel lá fora. É para ser gradual, com planejamento”, explicou.

Sobre o futuro do real, ele foi pragmático:

“Juliano, o dólar vai subir este ano? Não sei. Em 10 anos vai valorizar, te garanto. Nenhum investimento no Brasil vence dólar + 5% de rentabilidade ao longo do tempo.”

“Em 50 anos, os EUA podem perder o posto de moeda mais forte do mundo. Mas nós temos problemas fiscais maiores, ainda assim”, pontuou.

E finalizou: “Esta live é para dizer que, apesar de os EUA estarem perdendo seu protagonismo, porque fizeram besteira aumentando sua dívida, saiba que o Brasil é campeão nisso há pelo menos 20 anos. A gente tem uma tendência de gostar de populista muito maior do que o norte-americano”.

Sua mensagem final foi clara: ampliar horizontes e buscar proteção fora do país é mais do que uma oportunidade — é uma necessidade.

A série After Market

Transmitida todas as terças-feiras às 19h30, a série After Market da EQI Investimentos busca aproximar investidores dos temas mais relevantes da economia com linguagem acessível e espaço para perguntas ao vivo. Para participar e receber os materiais complementares das apresentações, clique aqui!

Confira nos links abaixo os temas e conteúdos de todas as edições já realizadas do After Market: