O mercado financeiro reagiu com ceticismo ao pacote de corte de gastos anunciado pelo governo, com bolsa caindo e dólar batendo R$ 6. Os analistas apontam que as medidas fiscais apresentadas não são suficientes para enfrentar o desequilíbrio das contas públicas, mantendo o risco fiscal como um fator de pressão sobre os ativos financeiros nos próximos meses. Diante deste cenário, Carolina Borges, head de análise da EQI Research, orienta os investidores a evitarem exposições desnecessárias ao risco. Ela concedeu entrevista ao jornal O Estado de São Paulo. Confira, abaixo, os principais trechos:
Carolina Borges: imagem de Haddad sofre desgaste
Carolina ressalta dois pontos críticos sobre o pacote fiscal: a eficácia das medidas e sua composição. Embora o governo projete uma economia de R$ 70 bilhões em dois anos, analistas calculam uma redução mais modesta, entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões. Algumas mudanças estruturais, como a política do salário mínimo e ajustes no abono salarial, foram bem recebidas. Contudo, a maior parte das propostas foi vista como insuficiente, o que gerou frustração no mercado.
Para ela, a imagem do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sofreu desgaste após o anúncio do pacote. Inicialmente, Haddad havia conquistado a confiança do mercado com uma postura séria e ponderada. Porém, a entrega de medidas aquém das expectativas está revertendo essa percepção.
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Carolina Borges: foco em Renda Fixa
A especialista também sugere priorizar investimentos em renda fixa, destacando títulos públicos pós-fixados e indexados à inflação como escolhas mais seguras. “Investir em debêntures ou CRIs de empresas com balanços frágeis representa um risco elevado que não condiz com o momento”, acrescenta.
Os títulos indexados à inflação do Tesouro Direto estão apresentando prêmios de risco acima de 7%, com projeções que podem alcançar 7,5% ou até 8%. Isso reflete a desancoragem das expectativas inflacionárias e a possibilidade de novos aumentos da Selic, agora estimados em 0,75 ponto percentual. O mercado já projeta juros futuros em 14,5% para 2029, o que pressionaria ainda mais os prêmios dos títulos atrelados ao IPCA.
Cenário para ações
Para ações, ela recomenda focar em empresas que já demonstram rentabilidade, mesmo em períodos adversos. “Evite ações de empresas altamente alavancadas, pois o custo da dívida tende a se manter elevado por um longo período”, alerta Borges.
No curto prazo, ela diz, a bolsa de valores deve apresentar um cenário misto. Empresas com receitas atreladas ao dólar podem se beneficiar da valorização da moeda americana, enquanto companhias endividadas e com custos em dólar tendem a ser mais penalizadas. O desempenho das ações também está condicionado ao cenário externo, como o ritmo da economia chinesa.
Empresas com dominância de mercado e bons resultados, como Banco do Brasil (BBAS3) e Itaú (ITUB4), são opções seguras. No setor de commodities, PRIO (PRIO3) se destaca pela receita dolarizada e potencial de crescimento.
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