Descubra as 10 Maiores Pagadoras de Dividendos da Bolsa
Compartilhar no LinkedinCompartilhar no FacebookCompartilhar no TelegramCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsApp
Compartilhar
Home
Notícias
Ações
A Era Dourada da Aura Minerals está cada vez mais perto — e o mercado ainda não precificou

A Era Dourada da Aura Minerals está cada vez mais perto — e o mercado ainda não precificou

Segundo o BTG Pactual, a licença para o projeto Era Dourada marca um novo estágio de redução de riscos na Aura Minerals, com a visão de que o principal motor de valor da companhia ainda não entrou totalmente no preço da ação

O ouro foi um dos ativos que mais se destacou em 2025. Segundo a consultoria Elos Ayta, o metal precioso acumulou alta superior a 65% no período. Embalada por esse movimento, a Aura Minerals (AUGO; AURA33), mineradora canadense focada em ouro, aparece bem posicionada para seguir capturando valor em um cenário ainda favorável ao setor.

Em apenas um ano, as ações da companhia negociadas na Nasdaq avançaram mais de 355%, enquanto os BDRs AURA33 acumularam valorização próxima de 300%.

Ainda assim, o BTG Pactual avalia que o mercado continua subestimando o verdadeiro potencial da Aura.

O motivo para essa leitura tem nome e sobrenome: Era Dourada, projeto-chave que acaba de avançar mais uma casa no tabuleiro e começa, de forma definitiva, a sair do papel.

Publicidade
Publicidade

O gatilho que faltava para a tese

A Aura anunciou nesta semana o recebimento da licença de construção do projeto Era Dourada, considerado pelo BTG como o ativo mais relevante do portfólio da companhia. Junto com a autorização, a mineradora também deu início às obras preliminares, que incluem programas ambientais, supressão vegetal controlada, desvios de vias, acessos internos, drenagem da mina e preparação de áreas para equipamentos.

Para o banco, o anúncio é um marco importante no processo de “de-risking” do projeto, reduzindo incertezas regulatórias e operacionais que ainda pesavam sobre a avaliação do ativo.

“Vemos o anúncio como um marco relevante, que contribui para a redução gradual dos riscos do projeto. Estimamos o NPV da Era Dourada em US$ 977 milhões, sob nossa curva de ouro — assumidamente conservadora, com preço de longo prazo de US$ 3 mil por onça —, mas incorporamos apenas 70% desse valor ao nosso preço-alvo, refletindo os riscos remanescentes de execução e questões sociais”, afirma o BTG Pactual, em relatório.

Segundo o banco, o início pleno da construção e o desembolso mais significativo de capex ainda dependem de ajustes finais de engenharia e da aprovação definitiva do conselho de administração. Ainda assim, o sinal é claro: o projeto avançou para uma nova fase.

Um projeto grande demais para ficar fora da conta

A importância da Era Dourada vai além do evento pontual da licença. De acordo com o estudo de viabilidade atualizado, divulgado em dezembro, o projeto deve produzir 1,75 milhão de onças equivalentes de ouro (GEO) ao longo de uma vida útil estimada em 17 anos, com produção média anual superior a 100 mil onças.

Na prática, isso significa que a Era Dourada pode responder por cerca de 20% da produção total da Aura a partir de 2028/29, mesmo considerando um portfólio com até sete minas em operação.

Apesar dessa dimensão, o BTG reforça que o mercado ainda não atribui valor pleno ao ativo, justamente porque a companhia opta por uma abordagem conservadora na incorporação do projeto à sua avaliação.

Leia também:

Ouro alto, dividendos e re-rating no radar

Na leitura do banco, a Aura reúne hoje um conjunto raro de atributos em um momento especialmente favorável para o setor:

  • forte crescimento de produção, com novos ativos entrando no portfólio já em 2026;
  • exposição direta ao ouro, funcionando como diversificação em portfólios multimercados;
  • política consistente de dividendos, com yields projetados entre 6% e 8% ao longo do ciclo;
  • balanço saudável, com baixa alavancagem;
  • redução do risco operacional à medida que a empresa diversifica suas operações;
  • e valuation descontado, negociando a cerca de 0,7 vez P/NAV e 4 vezes EV/EBITDA.

“Mantemos uma visão construtiva sobre a tese de investimento. A Aura combina forte momentum de resultados, crescimento visível e um valuation descontado, com potencial significativo de re-rating. Um múltiplo P/NAV confortavelmente acima de 1 vez parece alcançável, à medida que o crescimento se materializa e a liquidez aumenta”, destaca o BTG.

Não por acaso, a casa mantém a Aura como Top Pick no setor.

A assimetria permanece

Mesmo após a recente valorização das ações, a avaliação do BTG é que o principal ainda está por vir. O avanço da Era Dourada reduz riscos, mas não elimina totalmente as incertezas — e é justamente aí que reside a assimetria da tese.

À medida que o projeto avança no cronograma, novos gatilhos podem destravar valor e forçar o mercado a revisar suas premissas. Para o investidor, a leitura é: a Era Dourada está cada vez mais próxima — e o preço da ação ainda não reflete completamente esse novo estágio.