O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Diogo Guillen, afirmou em evento na segunda-feira (18) que ainda é cedo para cogitar uma redução da taxa Selic nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo ele, a instituição segue avaliando se o atual patamar de 15% ao ano é o mais adequado para conduzir a inflação à meta.
A declaração foi feita durante o Warren Day, evento promovido pela corretora Warren Investimentos. Guillen destacou que a política monetária está em funcionamento e produz efeitos perceptíveis, especialmente sobre o crédito e o câmbio.
“Na última reunião, a gente quis continuar a interrupção [do ciclo de alta de juros]. Ou seja, ainda estamos avaliando se essa é a taxa apropriada para levar a inflação à meta”, disse. Ele acrescentou que, uma vez identificado o nível de juros necessário, o BC deve mantê-lo “por um período bastante prolongado”.
O Copom decidiu em julho manter a Selic em 15% ao ano, patamar estabelecido em junho. Na ocasião, a instituição indicou que pretende preservar a taxa por mais tempo, em meio a um cenário de incertezas, como o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Diogo Guillen aponta moderação no crescimento
Guillen também avaliou o quadro econômico e afirmou que há sinais de moderação no crescimento do país — movimento esperado pela autoridade monetária e que, segundo ele, não deve ser encarado com surpresa. A expectativa é de que a desaceleração da atividade se intensifique nos próximos trimestres.
Sobre a inflação, o diretor disse que dados recentes apresentaram “surpresas baixistas”, mas ponderou que o índice segue acima da meta oficial de 3%. Além disso, ressaltou que tanto as expectativas do mercado quanto as projeções do BC ainda não estão compatíveis com o cumprimento do alvo.
Em relação ao câmbio, Guillen afirmou que não há nada de anômalo no comportamento do mercado em 2025, com o dólar seguindo tendências alinhadas ao padrão global.
O diretor reforçou que o Banco Central permanece focado em sua missão institucional e afastou qualquer influência do calendário eleitoral nas decisões de política monetária.
“Mais importante do que tudo é a transparência para mostrar como estamos atuando e permanecer firmes com o nosso compromisso”, concluiu.
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