Na semana seguinte à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a Selic para 15%, o Boletim Focus do Banco Central (BC) também ajustou sua projeção da taxa básica de juros para 2025, elevando-a de 14,75% para 15%.
Apesar da elevação das expectativas da Selic para o final deste ano, o mercado manteve as mesmas projeções das últimas semanas para os anos subsequentes: 12,50% para 2026 e 10,50% para 2027.
No comunicado sobre a elevação da Selic, o colegiado deixou uma porta aberta para uma possível antecipação da interrupção do ciclo de alta. O Copom avaliou que a economia brasileira segue com algum dinamismo, mas apresenta sinais de moderação no crescimento.
Além disso, o comitê destacou que os indicadores de atividade econômica e mercado de trabalho ainda sustentam desempenho positivo, embora em ritmo mais contido.
“A decisão foi unânime e em linha com as nossas expectativas, apesar de um consenso dividido”, afirma Thalita Silva, economista da EQI Asset.
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Segundo sua análise, a projeção de inflação para o horizonte relevante – ou seja, o quarto trimestre de 2026 – permaneceu em 3,6% nas estimativas do Copom. Com os dados mais recentes, o BC provavelmente aumentou o hiato do produto, compensando a valorização do real no período.
“Para os próximos passos, o Banco Central antevê uma interrupção no ciclo de alta de juros, caso o cenário base seja confirmado. Ele também enfatizou que, nesse cenário, a taxa deve permanecer em patamar contracionista por um período ‘bastante’ prolongado, alinhando-se à nossa visão de que não há espaço para cortes este ano. Em tom mais firme, o Comitê afirmou que não hesitará em prosseguir com o ciclo de ajuste, se julgar apropriado”, avalia a economista.
Boletim Focus volta a reduzir projeções do IPCA
Em relação às projeções do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o mercado voltou a reduzir as expectativas da inflação oficial brasileira, que caiu de 5,25% para 5,24% – a quarta queda consecutiva. Há quatro semanas, a expectativa estava em 5,50%.
O IPCA de maio registrou alta de 0,26%, uma desaceleração em relação a abril, quando a taxa foi de 0,43%, e ficou abaixo da expectativa do mercado, que projetava avanço de 0,34%.
No acumulado do ano, o IPCA soma 2,75%, enquanto a taxa em 12 meses recuou de 5,53% para 5,32%.
Para Thalita Silva, da EQI Asset, o resultado veio abaixo do esperado, mas a surpresa foi pontual e concentrada em combustíveis.
“O índice fechou em 0,26%, enquanto a nossa projeção e a do consenso estavam em 0,32%. Essa diferença de 6 pontos-base veio praticamente toda da gasolina e do etanol”, explicou.
Apesar do alívio, a economista alertou para pressões em outros segmentos: “O serviço subjacente, por exemplo, veio mais forte do que esperávamos, rodando a 0,42%”. A EQI Asset mantém expectativa de IPCA em 5,4% para o fim do ano.
“Apesar da boa notícia no mês, o cenário inflacionário continua desafiador”, conclui.
Para 2026 e 2027, o Boletim Focus manteve-se estável em 4,50% e 4%, respectivamente.
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PIB em alta e dólar em baixa
Sobre o desempenho da economia brasileira, as projeções do Produto Interno Bruto (PIB) voltaram a subir. O mercado elevou a expectativa de 2,20% da semana passada para 2,21%, crescendo pela terceira semana consecutiva.
Para 2026, os economistas consultados pelo BC também elevaram as projeções de 1,83% para 1,85%, pela quarta semana seguida, enquanto a expectativa para 2027 permaneceu em 2%.
Já em relação às projeções cambiais, o Boletim Focus reduziu as expectativas do dólar de R$ 5,77 para R$ 5,72. Na manhã desta segunda-feira (23), a moeda americana operava em leve alta de 0,01%, cotada a R$ 5,5131.
Para 2026, o dólar manteve-se em R$ 5,80, enquanto para 2027 o mercado reduziu a projeção de R$ 5,80 para R$ 5,75.
Confira abaixo as projeções do Boletim Focus:






