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Petrobras: se o choque for duradouro, novos aumentos podem ocorrer

Petrobras: se o choque for duradouro, novos aumentos podem ocorrer

A estatal anunciou elevação de R$ 0,38 por litro no valor do diesel nas refinarias

O recente reajuste no preço do diesel anunciado pela Petrobras (PETR4) foi considerado moderado pelo mercado e pode não ser suficiente para eliminar a defasagem em relação às cotações internacionais. Segundo avaliação da Ativa Investimentos, novos aumentos podem ocorrer caso o atual choque de preços no mercado global de petróleo se mostre persistente.

A estatal anunciou elevação de R$ 0,38 por litro no valor do diesel nas refinarias. Na visão da Ativa, o reajuste ficou mais próximo do piso do intervalo considerado razoável pelos analistas, que variava entre R$ 0,30 e R$ 0,64 por litro. O limite inferior seria suficiente para neutralizar o impacto econômico da retomada do imposto de exportação, enquanto o teto refletiria o chamado “colchão fiscal” criado pelo governo, composto por R$ 0,32 de subvenção e R$ 0,32 em carga tributária.

Mesmo com o ajuste, a defasagem entre os preços domésticos e os valores internacionais do combustível continua relevante. Consultorias do setor indicavam, na manhã do anúncio, que essa diferença poderia chegar a até R$ 2,00 por litro em alguns polos do país.

De acordo com a Ativa, a Petrobras optou por um aumento mais contido, possivelmente para reduzir a pressão do mercado sobre o tema e aproveitar medidas recentes do governo voltadas a mitigar o impacto do reajuste para os consumidores.

Ao mesmo tempo, o movimento também sinaliza uma tentativa da companhia de se distanciar da percepção que marcou períodos anteriores, quando a ausência de repasses de preços ao mercado internacional acabou prejudicando o desempenho das ações da estatal.

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O banco Jefferies revisou sua recomendação para os ADRs da Petrobras, rebaixando a indicação de compra para neutra. Ao mesmo tempo, a instituição reduziu o preço-alvo dos papéis de US$ 20,30 para US$ 19.

Segundo o banco, o movimento reflete preocupações com o impacto das recentes medidas adotadas pelo governo federal para conter os preços dos combustíveis. Na avaliação do Jefferies, o pacote de ações com caráter intervencionista reduz a flexibilidade financeira da companhia e aumenta as incertezas sobre sua política de preços.

Reajuste pode não resolver desalinhamento de preços

Apesar do reajuste, analistas avaliam que o movimento dificilmente resolverá por completo o desalinhamento entre os preços internos e externos. Por isso, a continuidade do choque no mercado internacional de petróleo será determinante para a política de preços da empresa nos próximos meses.

Caso o cenário de alta da commodity se prolongue, novos ajustes podem ser necessários para reduzir a defasagem e preservar a rentabilidade das operações de refino e comercialização de combustíveis.

A reação das ações da Petrobras ao anúncio foi limitada, refletindo a percepção de que o problema ainda não foi totalmente resolvido. Segundo a Ativa, a visibilidade sobre a política de preços da companhia continua parcial, já que eventuais novos reajustes dependem de uma combinação complexa de fatores econômicos, fiscais e políticos.

Diante desse cenário, a casa mantém recomendação neutra para os papéis preferenciais da empresa, avaliando que o potencial de valorização permanece limitado enquanto persistirem incertezas sobre a dinâmica de preços dos combustíveis.