O primeiro mandato de Donald Trump frequentemente parecia um episódio de “O Aprendiz”. Oito secretários foram demitidos ou forçados a sair, com 14 saídas no total — mais do que os três presidentes anteriores combinados.
A rotatividade entre os principais assessores chegou a 92% ao longo dos quatro anos. Michael Flynn foi removido como conselheiro de segurança nacional menos de um mês após a posse. Anthony Scaramucci durou apenas dez dias como diretor de comunicações da Casa Branca.
“A primeira administração foi apenas dança das cadeiras”, disse Matthew Bartlett, funcionário do Departamento de Estado durante o primeiro mandato de Trump, à GZERO. “Tornou-se uma espécie de show secundário.”
Uma nova estratégia de poder
No segundo mandato, o rotatividade secou. Trump levou mais de um ano para remover um membro do gabinete — Kristi Noem, exonerada do Departamento de Segurança Interna na semana passada após uma série de escândalos, incluindo gastos de US$ 220 milhões em publicidade pessoal e um suposto relacionamento com o assessor Corey Lewandowski.
A mudança de postura foi deliberada. Antes da posse, a chefe de gabinete Susie Wiles estabeleceu o tom: “Minha equipe e eu não toleraremos intrigas, questionamentos inadequados ou drama”, disse ela ao Axios em janeiro de 2025. “Essas atitudes são contraproducentes para a missão.”
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Trump substituiu os perfis de establishment — como Jim Mattis, John Kelly e Rex Tillerson — por nomes com histórico comprovado de lealdade: Pete Hegseth, Kristi Noem e Marco Rubio, que havia renunciado à sua retórica anti-Trump de 2016.
O resultado foi um gabinete disciplinado, que defende as mensagens presidenciais com fervor e evita pisar nos calos do chefe. O episódio mais emblemático: Rubio passando uma nota a Trump durante reunião, pedindo aprovação para anunciar o cessar-fogo em Gaza nas redes sociais.

A disputa pelo trono republicano
Mas a lealdade tem limites — e a ambição política pode ser o próximo teste. “Não está claro para mim que haja coesão ideológica no gabinete, mas isso é verdade para o MAGA em geral”, disse Jackson Carpenter, delegado republicano do Texas, à GZERO. “É mais uma lealdade pessoal do que uma ideologia.”
Vários secretários já concorreram à presidência: Rubio, Doug Burgum, Robert F. Kennedy Jr. e Tulsi Gabbard. E o vice-presidente JD Vance lidera todas as pesquisas para a indicação republicana de 2028 com folga desconcertante.
“Temos pesquisas simplesmente de tirar o fôlego”, afirmou Bartlett. “Nunca vimos esse tipo de dinâmica onde a base MAGA e o Partido Republicano estão tão determinados a ter JD Vance como herdeiro aparente.”
O principal rival de Vance é Rubio, que se tornou um dos aliados mais próximos de Trump na política externa — descrito por Bartlett como um “notável porta-voz MAGA para o presidente”.
Trump já teria começado a consultar aliados sobre qual dos dois prefere, segundo o Wall Street Journal. “As leis políticas do movimento apontam que Vance será o candidato”, concluiu Bartlett. “A menos que uma força massiva — ou seja, o próprio presidente — decida mudar isso.”






