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Yduqs cai 6,5% e lidera perdas do Ibovespa com captação EAD 51% menor

Yduqs cai 6,5% e lidera perdas do Ibovespa com captação EAD 51% menor

Mercado aponta receita quase estagnada, pressão no ensino digital e geração de caixa fraca no segundo trimestre

As ações da Yduqs (YDUQ3) lideravam as perdas do Ibovespa na manhã desta sexta-feira (14), após a divulgação de um balanço considerado fraco pelo BTG Pactual (BPAC11) e pelo Bradesco BBI. Por volta das 10h44, os papéis recuavam 6,48%, cotados a R$ 7,22.

Entre os principais pontos negativos destacados pelos bancos estão a queda de 51% na captação de alunos do ensino a distância, o crescimento de apenas 1% da receita líquida e a pressão exercida pelos juros sobre a geração de caixa. O BTG também observou que o desempenho positivo dos negócios premium ainda não foi suficiente para compensar a fraqueza do restante do portfólio.

A receita líquida da Yduqs atingiu R$ 1,39 bilhão no segundo trimestre de 2026. O avanço anual foi sustentado principalmente pelo crescimento de 8,5% do segmento premium, que reúne marcas como Idomed e Ibmec.

A margem bruta, entretanto, recuou 2 pontos percentuais, para 56%. Com isso, o lucro bruto caiu 2,4%, para R$ 779 milhões. O Ebitda ajustado somou R$ 400 milhões, alta de 1,5% na comparação anual, com margem praticamente estável em 28,7%.

“Os resultados da Yduqs no segundo trimestre de 2026 foram fracos, mas já eram esperados, com a receita líquida crescendo apenas 1% em base anual, impactada pela menor receita do programa DIS”, afirmou o Bradesco BBI.

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Captação EAD recua e receita digital cai 15%

A principal preocupação ficou concentrada no ensino digital. Segundo o Bradesco BBI, a captação de alunos do EAD caiu 51% no trimestre. O BTG apontou que a base de estudantes da modalidade recuou 18%, enquanto a receita digital diminuiu 15% na comparação anual.

A expansão do ensino semipresencial ajudou a amortecer parte da queda. A base de alunos do formato híbrido cresceu 67%, e sua receita avançou 38%. Ainda assim, a migração de cursos com mensalidades mais baixas para essa modalidade pressionou o tíquete médio, que recuou 6%.

Na Estácio e na Wyden, a receita caiu 2%, para R$ 945 milhões. O Ebitda ajustado das duas operações diminuiu 3%, para R$ 215 milhões. O resultado refletiu a menor contabilização de receitas do programa DIS, a redução do ensino digital e os efeitos da mudança regulatória no setor.

“Na Yduqs, a força ficou concentrada no segmento premium, mas esse desempenho ainda não foi suficiente para superar a fraqueza do restante do portfólio”, explicou o BTG.

Idomed e Ibmec responderam juntas por aproximadamente 47% do Ebitda ajustado consolidado. A receita da Idomed avançou 7%, para R$ 340 milhões, enquanto a do Ibmec cresceu 13%, para R$ 107 milhões.

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Juros levam geração de caixa ao terreno negativo

Na última linha do balanço, a Yduqs registrou prejuízo líquido de R$ 1,5 milhão. O BTG projetava lucro líquido de R$ 4 milhões. As despesas financeiras líquidas aumentaram 14,5% em relação ao trimestre anterior.

Pela metodologia do BTG, o fluxo de caixa livre para o acionista ficou negativo em R$ 75 milhões, ante geração positiva de R$ 12 milhões no segundo trimestre de 2025. O resultado foi pressionado por R$ 269 milhões em despesas financeiras pagas, que refletiram o peso dos juros e descontos extraordinários ligados a iniciativas de recuperação de crédito.

A dívida líquida, desconsiderando os efeitos do IFRS 16, terminou o trimestre em R$ 2,91 bilhões. A alavancagem passou de 1,53 vez para 1,55 vez o Ebitda ajustado.

Apesar da reação negativa das ações, BTG e Bradesco BBI mantiveram recomendação de compra. O BBI considera que a fraqueza do balanço já está amplamente incorporada às cotações e espera recuperação dos lucros no segundo semestre. O BTG manteve preço-alvo de R$ 23, mas ressaltou que as entregas recentes da Yduqs ficaram atrás das apresentadas por concorrentes do setor.