O Bradesco BBI elegeu Ânima Educação (ANIM3), Vitru (VTRU3) e YDUQS (YDUQ3) como suas preferidas no setor de educação após o primeiro trimestre de 2026 (1T26), com avaliação de compra sustentada pela geração de caixa livre ao acionista consolidado, que cresceu 9% em base anual.
A Cogna (COGN3) ficou fora da seleção, com posição neutra mantida pelo banco.
No comparativo operacional do setor, a receita líquida das companhias listadas avançou 6% em base anual, ritmo levemente abaixo dos 7% observados no segundo semestre de 2025. A desaceleração é reflexo da retração nas captações dos segmentos de Ensino a Distância (EAD) e semipresencial, que cederam 17% no período sob efeito da nova regulação.
Captações pressionam o trimestre
A queda agregada de 14% nas captações marcou inversão expressiva frente ao avanço de 2% registrado no segundo semestre de 2025. O ensino presencial mostrou estabilidade comparativa, com recuo de apenas 1% em base anual, ainda que o desempenho tenha sido heterogêneo entre as companhias listadas.
Pelo lado positivo, o ticket médio avançou cerca de 5% em base anual, sustentado por reajustes acima da inflação e por mix mais favorável de cursos. Isso ajudou a amortecer a retração nos volumes e contribuiu para preservar a base de receita das companhias do setor.
“Apesar do cenário mais desafiador em termos de receita, marcado por menor crescimento e forte retração nas captações, especialmente em educação a distância, avaliamos que o setor segue demonstrando resiliência, com destaque para a geração de caixa”, afirma o Bradesco BBI.
Margens sob pressão
As margens Ebitda ajustadas ficaram levemente pressionadas no trimestre, devido a maiores despesas com marketing e a receita mais fraca. As exceções foram Vitru e Ser Educacional (SEER3), que conseguiram preservar rentabilidade no período.
O ponto central da avaliação do Bradesco BBI está na geração de caixa livre ao acionista, que cresceu 9% em base anual no consolidado do setor. A Vitru concentrou a contribuição mais expressiva, e o banco também aponta melhora generalizada da alavancagem entre as companhias acompanhadas.
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Carteira de recomendações
A escolha das três preferidas tem como base estimativas de geração de caixa mais elevadas, projetadas entre 15% e 20% em 2026 e entre 19% e 27% em 2027. Esses patamares colocam Ânima, Vitru e YDUQS em posição superior aos pares dentro da cobertura do banco no segmento.
“Mesmo diante de maiores despesas comerciais, juros elevados e impactos regulatórios, o crescimento do fluxo de caixa reforça a capacidade das companhias em preservar disciplina financeira. Esperamos que essa tendência se mantenha ao longo do ano, sustentando o caso de investimento baseado em geração de caixa e valuations atrativos”, aponta o Bradesco BBI.
Para a Cogna, a recomendação neutra foi mantida pelo BBI. A nova regulação aplicada ao EAD e ao semipresencial foi indicada pelo banco como principal vetor por trás da retração de 17% nas captações desses segmentos no primeiro trimestre de 2026, mantendo o cenário regulatório como variável de atenção para o setor.






