A MBRF (MBRF3) fechou o 2º trimestre de 2026 com Ebitda ajustado de R$ 3,2 bilhões, alta de 5,4% na comparação anual. O ganho veio da BRF e da América do Sul, somado à captura de sinergias. Para a Ativa Investimentos, o desempenho operacional foi bom, mas não altera a leitura sobre a companhia.
A receita líquida chegou a R$ 40,7 bilhões, 4,9% acima do 2º trimestre de 2025, com avanço em todos os segmentos mesmo com a valorização do real ante o dólar. A margem bruta consolidada recuou 0,4 ponto percentual, para 12,0%, pressionada por matéria-prima mais cara nas operações de carne bovina e por custos logísticos maiores. O lucro líquido caiu 19,5%, para R$ 69 milhões, com resultado financeiro mais negativo.
Ciclo do gado ainda limita a América do Norte
Nos Estados Unidos, a receita líquida somou US$ 3,7 bilhões, alta de 14,9%, sustentada por preços mais fortes e leve crescimento de volumes. A oferta restrita de gado, contudo, continuou encarecendo a matéria-prima. A margem bruta caiu para 2,1% e a margem Ebitda ficou em 0,7%, recuo de 0,1 ponto percentual.
“A operação segue conseguindo capturar o ambiente positivo de preços diante da demanda resiliente por carne bovina, mas ainda com rentabilidade limitada pelo ciclo desfavorável de gado nos Estados Unidos”, observou Lucas Dias, CNPI, analista da Ativa Investimentos.
Na América do Sul, a receita líquida avançou 26,4%, para R$ 6,4 bilhões, puxada por volumes maiores, preços melhores e boa dinâmica das exportações. O custo do gado subiu 12,0% no Brasil, 19,8% no Uruguai e 22,9% na Argentina. A margem bruta terminou em 14,3%, um ponto percentual abaixo de um ano antes, e a margem Ebitda ficou em 8,9%.
“Uma operação ainda saudável, mas com parte dos ganhos de receita absorvida pela pressão de custos”, apontou o analista da Ativa Investimentos.
A BRF, principal destaque do trimestre, elevou a margem Ebitda em 0,5 ponto percentual, para 16,8%. A receita líquida subiu 1,1%, para R$ 15,4 bilhões, com preço médio maior e volumes estáveis. No mercado interno houve melhora sequencial, apoiada em consumo mais aquecido e ganhos de execução comercial. No externo, novas habilitações e preços em dólar mais fortes sustentaram a demanda.
Caixa negativo e alavancagem em 3,4 vezes
A margem bruta da BRF, entretanto, recuou 2,3 pontos percentuais, para 24,5%. Mix, inflação, custos logísticos e a hiperinflação na Turquia explicam a queda, compensada em parte por grãos mais baratos e menor custo de produção na operação turca.
A geração de caixa operacional foi de R$ 2,2 bilhões, mas o fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 864 milhões, consumido por capex, despesas financeiras e capital de giro. A alavancagem encerrou o período em 3,4 vezes o Ebitda, ante 2,7 vezes um ano antes.
“O fluxo de caixa livre negativo e a alavancagem ainda elevada mantêm a leitura equilibrada para a companhia, fazendo com que nossa visão para o resultado siga neutra”, afirmou Lucas Dias, CNPI, analista da Ativa Investimentos.






