A M. Dias Branco (MDIA3) entregou Ebitda de R$ 281 milhões no 2º trimestre de 2026, 13% acima da projeção do BTG Pactual, com margem de 10,4%. O número ficou 18% abaixo do registrado um ano antes, e a margem recuou 220 pontos-base na mesma comparação.
O banco manteve a recomendação neutra para a ação, negociada a cerca de 11 vezes o lucro projetado para 2026.
“Para quem acompanha a M. Dias Branco há algum tempo, um trimestre em que a companhia supera as estimativas e ainda assim registra margem Ebitda de apenas 10,4% não deveria ser comemorado, mas este traz alguns pontos que merecem atenção”, escreveram Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, analistas do BTG Pactual.
Margem bruta é a melhor em oito trimestres
A receita somou R$ 2,7 bilhões, praticamente estável em 12 meses e 5% acima do que o banco esperava. O volume avançou 4%, para 477 mil toneladas, no quarto trimestre consecutivo de alta. O preço médio subiu 4% ante o trimestre anterior, puxado pelo mix. O lucro líquido de R$ 164 milhões ficou 34% acima da estimativa, e o caixa líquido chegou a R$ 335 milhões, com adição de R$ 110 milhões no período.
“A margem bruta de 34,2% é a melhor em oito trimestres, ajudada por um mix de produtos mais forte, e, o que importa mais, foi alcançada mesmo com a companhia priorizando o crescimento de volume”, afirmaram Duarte e Guttilla.
O avanço tem preço. As despesas operacionais consumiram 27,4% das vendas, o maior patamar já registrado pela companhia em um segundo trimestre, pressionadas pela demanda mais fraca por biscoitos e massas. As adjacências chegaram a 5,9% das vendas. Em 12 meses, o volume alcança 1,84 milhão de toneladas, o maior desde 2020.
“Isso sinaliza uma companhia que sabe que investir na reconquista de espaço nas gôndolas é o único caminho para destravar alavancagem operacional e, eventualmente, sonhar com as margens lendárias dos velhos tempos”, apontaram os analistas do BTG Pactual.
“Os preços do trigo estão disparando, o câmbio deixou de ser um vento a favor e a demanda doméstica está mais fraca, o que torna a meta de recuperar volumes uma tarefa cada vez mais difícil”, disseram Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.






