O Nubank (ROXO34) apresentou resultados acima das expectativas no 2T26, com lucro líquido recorde de US$ 1,1 bilhão, avanço da rentabilidade e sinais considerados saudáveis na carteira de crédito.
Na avaliação dos analistas da XP, os números reforçam a capacidade da fintech de ampliar receitas sem comprometer a qualidade dos ativos e sustentam uma visão positiva para as ações, com recomendação de compra mantida após a divulgação do balanço.
O lucro líquido avançou 49% na comparação anual e 17% frente ao trimestre anterior, em base cambial neutra, ficando aproximadamente 9% acima das estimativas. O desempenho levou o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) novamente ao patamar de 33%, em um trimestre marcado também pela recuperação mais rápida do que a esperada da margem financeira ajustada ao risco.
Rentabilidade do Nubank ganha força no 2T26
Um dos principais destaques do 2T26 foi o NIM ajustado ao risco, que subiu de 9,5% no primeiro trimestre para 12,4%. A recuperação superou a trajetória gradual inicialmente projetada pelos analistas e teve uma composição considerada positiva, com contribuição tanto do aumento das receitas de crédito quanto da redução do custo de crédito.
As maiores receitas de crédito acrescentaram 178 pontos-base à melhora sequencial do indicador, enquanto o menor Cost of Credit contribuiu com outros 115 pontos-base. Na prática, os dados indicam que o avanço da rentabilidade do Nubank não dependeu somente de menores provisões. O crescimento do crédito concedido nos últimos trimestres começou a se converter em receitas maiores e em uma utilização mais eficiente do balanço.
Outro fator observado foi a continuidade do aumento da relação entre empréstimos e depósitos, o LDR. Para os analistas, essa dinâmica ajuda a mostrar que o banco digital está conseguindo utilizar melhor sua estrutura de funding à medida que expande a carteira, elemento relevante para a capacidade de geração de resultados nos próximos períodos.
Desenrola teve impacto limitado na recuperação
A análise também chama atenção para a participação relativamente pequena do programa Desenrola na melhora dos resultados. O programa representou cerca de 5% do Cost of Credit no trimestre, por meio de recuperações de crédito e redução da perda em caso de inadimplência, efeitos que mais do que compensaram os descontos concedidos.
Esse dado é relevante porque reduz a percepção de que a recuperação observada no 2T26 tenha sido provocada principalmente por um benefício pontual. Segundo a avaliação, a maior parte da melhora veio de fatores sazonais e, principalmente, de um desempenho estruturalmente mais saudável da carteira.
Com isso, a expansão dos lucros do Nubank ganha uma característica considerada mais sustentável. Em vez de depender de efeitos temporários ligados ao custo de crédito, o resultado aponta para uma combinação de crescimento das receitas, maior eficiência na utilização do balanço e evolução dos fundamentos da carteira.
Qualidade do crédito permanece saudável
Mesmo com uma expansão deliberada da concessão para segmentos de maior risco esperado, os indicadores iniciais de inadimplência apresentaram melhora. Os NPLs iniciais recuaram de 5,0% para 4,8% no 2T26, sinalizando que o Nubank conseguiu ampliar seletivamente sua exposição sem provocar uma deterioração imediata da qualidade do crédito.
Já a inadimplência acima de 90 dias aumentou de 6,5% para 6,9%. O movimento, porém, ficou alinhado à sazonalidade esperada e à composição do crescimento da carteira. Segundo a análise, o indicador continuou em aproximadamente metade do nível observado anteriormente no mercado massificado consolidado, quando excluído o próprio Nubank.
A cobertura também permaneceu elevada, alcançando 244% dos créditos inadimplentes há mais de 90 dias. Além disso, as provisões corresponderam a 113% da nova formação de inadimplência acima de 15 dias, reforçando a avaliação de que o banco mantém uma posição conservadora para absorver eventuais perdas.
Ações do Nubank seguem com recomendação de compra
O conjunto de indicadores do 2T26 reforçou a percepção de que o Nubank continua conseguindo equilibrar crescimento, risco e rentabilidade. A capacidade de avaliar e conceder crédito, somada ao aumento da relevância do banco na vida financeira de seus clientes, aparece como um dos pilares para a continuidade da monetização da base.
A avaliação é de que o aumento da primariedade dos clientes pode abrir espaço para uma utilização maior de produtos financeiros e, consequentemente, para expansão das receitas por usuário. Ao mesmo tempo, a evolução do NIM ajustado ao risco e a manutenção de uma cobertura robusta ajudam a sustentar a expectativa de níveis elevados de rentabilidade nos próximos períodos.
Diante desse cenário, a recomendação para as ações do Nubank permanece em compra. A leitura positiva do balanço está apoiada não apenas no lucro recorde do trimestre, mas principalmente na composição dos resultados, com recuperação da margem, geração crescente de receitas de crédito e sinais de que a qualidade da carteira continua controlada mesmo diante da expansão seletiva do risco.






