As ações da WEG (WEGE3) disparavam 7,06% por volta das 10h50 desta quarta-feira (22), cotadas a R$ 45,47, mesmo após a fabricante registrar um lucro líquido menor no segundo trimestre de 2026.
A reação positiva está relacionada à qualidade do resultado e aos indicadores que superaram as projeções do mercado, principalmente Ebitda e rentabilidade. O BTG Pactual (BPAC11) classificou o balanço como uma entrega limpa e acima do esperado, enquanto a Ativa Investimentos considerou os números sólidos.
A receita líquida somou R$ 10,14 bilhões, queda anual de 0,6%. O Ebitda alcançou R$ 2,21 bilhões, recuo de 2,1%, enquanto a margem Ebitda ficou em 21,8%, ante 22,1% no mesmo período de 2025. O lucro líquido totalizou R$ 1,56 bilhão.
Por que as ações da WEG sobem?
Para o BTG, a receita ficou 3% acima de sua projeção. O Ebitda e o lucro líquido, por sua vez, superaram as estimativas do banco em aproximadamente 6%.
A receita recuou menos do que a queda de 4% esperada pelo BTG. Já a margem Ebitda de 21,8% também ultrapassou a projeção de 21,3%.
“Embora a magnitude da surpresa não tenha sido grande, a qualidade foi positiva, sem ganhos não recorrentes como no primeiro trimestre e sem ajuda expressiva dos produtos de ciclo longo”, avalia o BTG.
A Ativa também identificou uma surpresa positiva nos indicadores de rentabilidade. O Ebitda ficou 10,3% acima de sua estimativa, enquanto o lucro líquido superou a projeção em 5,8%. A receita ficou praticamente em linha, com diferença positiva de 0,9%.
“A margem Ebitda ficou em 21,8%, acima do esperado, com melhor mix, apesar dos impactos negativos no cobre e nas tarifas nos Estados Unidos”, afirma a Ativa.
Margem pode ter alcançado novo padrão
O principal destaque apontado pelo BTG foi a capacidade da WEG de sustentar uma margem próxima de 22% mesmo diante da pressão provocada pelos custos de matérias-primas e pelas tarifas americanas.
Para o banco, a rentabilidade reflete uma combinação estruturalmente mais favorável de produtos e mudanças na dinâmica competitiva dos mercados atendidos pela companhia.
“Esse desempenho da margem é uma demonstração do novo padrão da WEG, que tem se aproximado de 22%, apoiado por um mix estruturalmente melhor e pela dinâmica do setor”, destaca o BTG.
A receita no mercado externo cresceu 2,3% em reais e 14,7% em dólares. O desempenho foi apoiado pela demanda por equipamentos industriais, sistemas de ventilação e refrigeração para data centers, transformadores e soluções de geração de energia de reserva.
No Brasil, a receita caiu 4,9%, pressionada pela redução de 22,9% no segmento de geração, transmissão e distribuição. Em contrapartida, equipamentos eletroeletrônicos industriais avançaram 16,5%, beneficiados pela demanda de setores como papel e celulose.
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BTG recomenda compra, mas Ativa segue neutra
O BTG reiterou recomendação de compra para WEGE3, com preço-alvo de R$ 65. Considerando a cotação de R$ 45,47 observada por volta das 10h50, o valor representa um potencial de valorização próximo de 43%.
Segundo o banco, uma base cambial mais estável e a entrada de capacidade produtiva adicional no segundo semestre podem fazer os investidores voltarem a valorizar a combinação histórica entre crescimento e expansão de margens da WEG.
O banco pondera que o novo padrão de rentabilidade ainda precisa ser testado diante das tarifas mais recentes implementadas pelos Estados Unidos.
A Ativa possui uma visão mais cautelosa. A corretora manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 49, cerca de 8% acima da cotação registrada durante a manhã.
“De forma geral, a leitura é de um ano ainda fraco, com a companhia estruturando uma carteira doméstica para capturar ganhos de longo prazo, enquanto o mercado externo deve sustentar o consolidado no curto prazo, mesmo que timidamente”, conclui a Ativa.






