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Mesmo com risco das canetas emagrecedoras, BTG vê 42% de alta para Arcos Dorados

Mesmo com risco das canetas emagrecedoras, BTG vê 42% de alta para Arcos Dorados

Banco mantém recomendação de compra e aposta em maior eficiência nos investimentos e melhora da geração de caixa a partir de 2027

Mesmo diante das preocupações com o avanço das chamadas canetas emagrecedoras e seus possíveis impactos sobre o consumo, o BTG Pactual continua otimista com a Arcos Dorados (ARCO), maior franqueadora independente do McDonald’s no mundo.

O banco mantém recomendação de compra e preço-alvo de US$ 11,50 por ação, que representa potencial de valorização de aproximadamente 42% frente aos US$ 8,10 considerados no relatório.

A avaliação foi divulgada após o Investor Day da companhia, realizado em Nova York. Para o BTG, o principal ponto positivo está na mudança do ciclo de investimentos da Arcos Dorados: a fase mais pesada de reformas dos restaurantes ficou para trás e a companhia passa a operar com unidades menores, menor capex por loja e perspectiva de melhora no fluxo de caixa livre a partir de 2027.

Segundo o banco, cerca de 77% dos restaurantes já foram modernizados, enquanto as novas unidades estão aproximadamente 20% menores, sem perda relevante de produtividade. O investimento por restaurante também está entre 15% e 20% abaixo do nível de 2024.

“O elemento mais relevante do Investor Day foi a confirmação de que entramos em uma nova fase de capex mais eficiente. As reformas estão em grande parte concluídas, as lojas estão ficando menores sem perder produtividade e o investimento por unidade caiu entre 15% e 20%. A companhia também está migrando de investimentos de manutenção, de menor retorno, para a abertura de novas lojas, com retornos mais elevados”, aponta o BTG.

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Canetas emagrecedoras entram no radar do BTG

Apesar da visão positiva, o avanço dos medicamentos GLP-1, como os utilizados para perda de peso, aparece como um dos principais riscos para a tese. Segundo o BTG, o tema se tornou um dos maiores questionamentos feitos por investidores brasileiros em relação à Arcos Dorados.

A preocupação é que consumidores frequentes do McDonald’s possam alterar seus hábitos alimentares caso passem a utilizar esse tipo de medicamento. O banco estima que cerca de 6 milhões de pessoas no Brasil poderão utilizar GLP-1 em 2027, considerando também compras realizadas fora do mercado formal.

A resposta da administração da Arcos Dorados, porém, não convenceu totalmente os analistas. A companhia argumentou que os medicamentos ainda têm preços elevados e baixa penetração nos domicílios, além de destacar o caráter de indulgência associado ao consumo do McDonald’s. A empresa também indicou que poderá adaptar o cardápio no futuro, com porções menores e maior foco em proteínas.

Mesmo com esse risco, o BTG entende que o valuation continua atrativo. Para 2027, o banco estima que a ação negocie a 9,7 vezes o lucro, com dividend yield de 3,5% e retorno de fluxo de caixa ao acionista de 7%. Entre 2026 e 2030, a projeção é de crescimento médio anual de 8,3% para as vendas e 9,9% para o Ebitda, com o Brasil respondendo pela maior parcela dessa expansão.

A Arcos Dorados pretende abrir entre 550 e 600 restaurantes de 2027 a 2030, embora o BTG adote uma estimativa mais conservadora, de 460 novas unidades. Ainda assim, o banco mantém a recomendação de compra com base no valuation, na melhora do ambiente macroeconômico externo e, principalmente, na expectativa de uma trajetória mais forte de geração de caixa.

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