Dois assuntos colocaram a Weg (WEGE3) na tela do BTG Pactual: a entrada em vigor da nova tarifa americana de 25% sobre produtos brasileiros e o balanço recorde da concorrente ABB, que serve de termômetro para os negócios da catarinense. No saldo, o banco manteve a recomendação de compra.
“No geral, a manchete é negativa para a WEG. No entanto, da perspectiva de lucros, esperamos que o impacto seja mínimo, dados os esforços de mitigação da companhia“, escreveram os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim.
A nova realidade tarifária
A cobrança da tarifa de 25% sobre bens brasileiros começou em 15 de julho, depois que Brasil e Estados Unidos falharam em costurar um meio-termo na negociação.
A nova lista de isenções publicada por Washington deixou de fora justamente o produto mais importante da Weg: os motores de baixa tensão fabricados no Brasil e exportados ao mercado americano.
A conta da exposição, porém, é menor do que parece. As receitas nos Estados Unidos respondem por 20% a 25% das vendas do grupo, mas a fatia vinda de exportações brasileiras era de cerca de um terço disso — perto de 8% do total — e deve ter encolhido entre 20% e 40% com a transferência de parte da produção para o México.
Além disso, parte dos motores exportados, os de menos de 200 HP, já está enquadrada na Seção 232, com tarifa de 25%, e por isso escapa da nova rodada.
“Acreditamos que a fatia das receitas exposta à nova tarifa alcança de 2% a 3% do faturamento total”, calcularam os analistas do BTG.
O capítulo, contudo, pode não estar encerrado: há uma discussão em curso sobre a Seção 122, que poderia elevar as tarifas em mais 12,5 pontos, para 37,5%.
“A geopolítica hoje é muito fluida, e as coisas podem mudar rapidamente nessa frente, como já mudaram em outras áreas das tarifas de importação americanas”, ponderaram Marquiori, Recchia e Alkmim.
Lições do tarifaço de 50%
O histórico recente joga a favor da companhia: no ano passado, a Weg enfrentou um ambiente ainda mais duro, com tarifas na casa de 50%.
Nos transformadores, o risco é nulo — a produção vendida aos americanos é toda mexicana e já se enquadra na Seção 232, com alíquota de 25%, exceto os acima de 10 MVA, taxados em 15%.
“Mesmo em um ambiente de tarifas tão altas, a WEG conseguiu repassar integralmente os custos aos preços e sustentou margens saudáveis”, avaliaram os analistas.
O recado do balanço da ABB
Na segunda frente, o trimestre recorde da rival europeia trouxe boas notícias, ainda que a aquisição da Rotork pela ABB levante dúvidas de alocação de capital, dado o valuation implícito bastante alto pago no negócio.
“O trimestre recorde da ABB reforça a força dos negócios de eletrificação, ligados a inteligência artificial e data centers, e de Motion — este último segue como uma leitura positiva para a WEG, dada a sobreposição significativa de portfólio”, apontaram os analistas.
Com a demanda aquecida em Motion e a expectativa de que a narrativa da companhia migre para um crescimento mais forte a partir do terceiro trimestre, o banco sustenta a compra com a ação negociando a 23 vezes o lucro estimado para 2027.
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