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Demanda aquecida da ABB impulsiona expectativas para WEG (WEGE3), aponta Ágora

Demanda aquecida da ABB impulsiona expectativas para WEG (WEGE3), aponta Ágora

Casa vê sinal ligeiramente positivo nos pedidos e reajustes de preços, mas não altera suas estimativas para a companhia

Os resultados da ABB no segundo trimestre trouxeram uma leitura ligeiramente positiva para a WEG (WEGE3), segundo a Ágora Investimentos. A forte demanda por equipamentos e o avanço dos reajustes de preços indicam um cenário global ainda favorável, embora as margens possam continuar voláteis.

A ABB registrou crescimento comparável de 28% nas encomendas do grupo, após alta de 24% no primeiro trimestre. As receitas avançaram 12% na mesma base de comparação, ante 11% nos três primeiros meses do ano.

A carteira de pedidos atingiu o recorde de US$ 30 bilhões, acima dos US$ 27,5 bilhões registrados no trimestre anterior. Mesmo assim, a Ágora não espera reflexos relevantes sobre suas projeções para a WEG ou sobre o preço das ações.

“Vemos uma implicação ligeiramente positiva para a WEG, uma vez que a demanda permanece forte e a ABB continua repassando a inflação dos custos de matérias-primas via preços”, afirma a casa.

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Pedidos da ABB reforçam demanda observada pela WEG

A ABB elevou pela segunda vez consecutiva sua projeção de receitas para o ano. A companhia passou a esperar crescimento comparável entre dois dígitos baixos e o início da faixa de dois dígitos.

O principal destaque para a comparação com a WEG veio da divisão Motion, que atua em áreas como motores, acionamentos e equipamentos relacionados à eletrificação industrial.

“Os pedidos da divisão Motion vieram muito fortes, com uma aceleração acentuada no trimestre, impulsionada por um contrato de US$ 150 milhões para fornecimento de compensadores síncronos”, destaca a Ágora.

Segundo a casa, a própria WEG já havia indicado aumento da demanda por esse tipo de equipamento. A coincidência entre os comentários das duas empresas sugere um ambiente global saudável para essa categoria.

As margens da divisão Motion recuaram no trimestre, mas a administração da ABB atribuiu a pressão principalmente a questões de execução e à composição do portfólio, com efeitos relacionados a Gamesa, High Power e Tração.

A ABB também anunciou uma oferta em dinheiro de aproximadamente US$ 5,5 bilhões pela britânica Rotork, com o objetivo de fortalecer o portfólio de automação.

Outra aquisição envolve a italiana Specialtrasfo, fabricante de transformadores de média tensão sob medida.

Reajustes de preços avançam, mas custos ainda pressionam

O componente de preços da ABB subiu para aproximadamente 2% no segundo trimestre, ante quase 1% no período anterior. A administração informou que os reajustes seguem o ritmo previsto e espera recuperar integralmente a inflação dos custos até o fim do ano.

Ainda existe uma defasagem entre os reajustes e o aumento dos preços dos insumos, com pressão temporária sobre as margens brutas. No trimestre, a ABB compensou esse efeito com ganhos de eficiência e controle das despesas de vendas, gerais e administrativas.

A realização de preços foi mais forte nas Américas, onde a inflação e o crescimento permanecem mais elevados. Na China, a empresa registrou uma reversão das quedas de preços observadas no ano anterior.

Para a Ágora, essa discussão também importa para a fabricante brasileira por causa da exposição compartilhada a matérias-primas.

“Isso também é relevante para a WEG, uma vez que ambas as empresas possuem exposição semelhante a matérias-primas, particularmente ao cobre”, aponta a casa.

A WEG já implementou aumentos de preços recentemente. A Ágora espera que a companhia continue acompanhando as condições do mercado para repassar os custos quando houver espaço.

“Mesmo que os custos mais elevados acabem sendo repassados, as margens podem permanecer algo voláteis nos próximos trimestres”, pondera a análise.

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Pedidos da ABB recuam no Brasil

Apesar do desempenho global forte, as encomendas da ABB no Brasil caíram 26% em relação ao segundo trimestre do ano anterior. No primeiro trimestre, a retração havia sido de 41%.

A administração não apresentou detalhes adicionais sobre o resultado brasileiro. A Ágora considera que parte da queda pode ser explicada pela base de comparação mais exigente, após o crescimento excepcional registrado no primeiro semestre de 2025.

O desempenho mais fraco no país funciona como contraponto aos sinais positivos observados globalmente. Por isso, a casa avalia que os números da ABB não justificam alterações relevantes nas projeções para a WEG.

“Ainda assim, não esperamos um impacto significativo em nossas estimativas ou no preço das ações”, conclui a Ágora.