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Veja o que esperar de 91 empresas após o 1º trimestre

Veja o que esperar de 91 empresas após o 1º trimestre

Saiba como todos os setores da Bolsa performaram no 1º trimestre de 2026 e confira as expectativas para os próximos balanços

A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 confirmou o que muitos investidores já suspeitavam: o mercado brasileiro avança em ritmos muito diferentes dependendo do setor.

O relatório setorial da XP Investimentos, que percorre desde agronegócio até varejo alimentar, mostra um quadro heterogêneo – com ilhas de excelência em financeiro, shoppings e utilities contrastando com pressão persistente em frigoríficos, papel e comércio eletrônico. A seguir, um panorama completo, setor a setor.

SLC Agrícola
(Imagem: Divulgação/ SLC Agrícola)

Agronegócio: SLC e Boa Safra decepcionam

O trimestre foi difícil para a maioria das empresas do agro. A SLC Agrícola (SLCE3) reportou resultados fracos, com margens pressionadas por um mix de soja menos favorável, embora a gestão tenha sinalizado recuperação à frente, com melhorias de produtividade.

Em sentido oposto, a 3tentos (TTEN3) entregou um trimestre forte, com bom desempenho em Trading e Insumos Agrícolas e sólida execução de hedge. Já Vittia (VITT3) e Boa Safra (SOJA3) frustraram, com a Boa Safra ainda registrando aumento de alavancagem.

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“Vittia e Boa Safra apresentaram resultados mais fracos e com menor leitura para o ano, refletindo demanda lenta, pressão de margens e maior necessidade de capital de giro — fatores que devem pesar no sentimento de curto prazo”, aponta o relatório da XP.

Camil
(Imagem: Divulgação/ Camil)

Alimentos & Bebidas: Ambev brilha, frigoríficos seguem no lamaçal

A Ambev (ABEV3) foi o grande destaque positivo do setor, com forte desempenho em Cerveja Brasil impulsionado por volumes, preços e mix favorável, que compensou fraquezas em outras geografias.

Os frigoríficos, por sua vez, apresentaram resultados mistos, pressionados por incertezas sobre a demanda chinesa, volatilidade no Oriente Médio e ciclo do gado desfavorável.

“O outlook de curto prazo permanece mais negativo para os frigoríficos, diante da baixa visibilidade sobre demanda, custo do gado e demais vetores externos, o que deve limitar revisões de lucro”, avalia a XP.

A Camil (CAML3) entregou margens resilientes, mas a qualidade dos resultados foi prejudicada por itens não recorrentes. Já a M. Dias Branco ($MDIA) decepcionou, com margens abaixo do esperado e mix desfavorável.

Bens de Capital: câmbio e alavancagem operacional limitada pressionam o setor

O setor de bens de capital viveu um trimestre misto. A WEG (WEGE3) entregou resultados abaixo do esperado, com receitas fracas por pressões cambiais e desaceleração em GTD doméstico. A Embraer registrou forte crescimento de receitas, mas a alavancagem operacional esperada não se materializou nas margens recorrentes.

A Marcopolo (POMO4) entregou resultado neutro, com margens suportadas pelo mix doméstico, mas volumes de exportação mais fracos. Randoncorp (RAPT4) e Frasle (FRAS3) reforçaram uma visão cautelosa: a Frasle levanta preocupações sobre desaceleração orgânica e risco de queda no guidance. Iochpe-Maxion (MYPK3) e Tupy (TUPY3) apresentaram resultados pressionados pelo câmbio, com sinais iniciais de recuperação à frente.

“Ainda precisamos de sinais mais claros de estabilização de resultados para adotar uma visão mais construtiva no setor”, diz o relatório. A Kepler Weber (KEPL3) fechou o grupo com resultado fraco, reflexo de um ambiente de demanda desafiador.

Fachada do Banco do Brasil

Financeiro: bancos privados e BTG se destacam; Banco do Brasil decepciona

O setor financeiro entregou uma temporada sólida, apesar do ambiente macroeconômico desafiador. Entre os bancos incumbentes, os resultados foram mistos: receitas resilientes e controle de custos foram parcialmente compensados por preocupações com qualidade de ativos.

O Banco do Brasil (BBAS3) foi o principal destaque negativo, com outlook mais fraco e aumento do guidance de custo de risco. Os neobanks seguiram entregando crescimento robusto, com o debate se voltando para qualidade de crédito.

“O BTG (BPAC11) se destacou novamente, impulsionado por crescimento de alta qualidade, amplo e sustentado, além de elevada rentabilidade”, destaca a XP. A B3 ($B3SA3) apresentou sólida execução, apoiada pela recuperação nos volumes de renda variável.

Em pagamentos, a Stone (STOC31) enfrentou pressão com o crédito surgindo como novo vetor adverso. A Caixa Seguridade (CXSE3) seguiu como o nome mais consistente e defensivo do setor.

Mineração e Siderurgia: resultados mistos, com Gerdau e Usiminas positivos

O setor de mineração e siderurgia teve um tom misto. A Vale (VALE3) entregou resultado marginalmente abaixo do esperado, com custos acima compensando receitas mais fortes e boa performance em metais básicos.

A CSN Mineração (CMIN3) surpreendeu positivamente com custos abaixo do esperado. Na siderurgia, a Gerdau (GGBR4) apresentou sólida performance na América do Norte, com melhora também no Brasil.

A CSN (CSNA3) superou expectativas, com destaque para cimento e logística. A Usiminas (USIM3; USIM5) entregou resultados fortes na divisão de siderurgia, embora custos elevados tenham limitado a mineração. A Aura Minerals (AURA33) teve resultado neutro, com Borborema acima das expectativas, mas volumes fracos em Aranzazu e Almas pressionando o consolidado.

Imobiliário: Cury, Direcional e Iguatemi se destacam; segmento médio-alto mais irregular

As construtoras entregaram resultados sólidos no geral, com desempenho heterogêneo entre os players. No segmento de baixa renda, Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) se destacaram com consistência operacional e alta rentabilidade, enquanto a Tenda (TEND3) apresentou melhora relevante.

MRV (MRVE3) e Plano&Plano (PLPL3) ainda enfrentaram desafios com margens pressionadas. No médio-alto padrão, Moura Dubeux (MDNE3) brilhou, e a Cyrela (CYRE3) manteve boa qualidade. Even (EVEN3), EZTEC (EZTC3), Lavvi (LAVV3), Melnick (MELK3) e Trisul (TRIS3) reportaram resultados mais mistos.

Nos shoppings, “o Iguatemi (IGTI11) se destacou positivamente, apoiado por forte desempenho de vendas, SSS sólido e sinais claros de reajuste real de aluguéis, além de melhora na inadimplência”, segundo o relatório da XP.

Multiplan (MULT3) entregou resultados resilientes, Allos (ALOS3) reportou vendas sólidas e a JHSF (JHSF3) teve bom desempenho em shoppings, mas fraqueza em aeroportos e hospitalidade.

Prio
(Imagem: Dilvulgação/ Prio)

Óleo, Gás e Petroquímicas: Petrobras abaixo; PRIO e Ultrapar surpreendem

Os resultados do setor foram mistos, impulsionados pela alta sequencial do Brent após o conflito entre EUA e Irã. A Petrobras (PETR3; PETR4) ficou abaixo das expectativas, com preços de exportação aquém do esperado. Brava (BRAV3) e PetroRecôncavo (RECV3) tiveram estruturas de hedge limitando a captura do upside de preços.

A PRIO (PRIO3) se beneficiou de volumes significativamente maiores após o início de produção de Wahoo. Entre distribuidoras, a Vibra (VIBR3) entregou resultado em linha e a Ultrapar (UGPA3) superou as expectativas.

Na petroquímica, a Braskem (BRKM5) apresentou melhora sequencial e a Unipar (UNIP6) ficou praticamente estável.

“Todas as atenções agora se voltam para o 2T26, o primeiro trimestre completo refletindo as tensões no Oriente Médio, com desempenho esperado melhor na comparação sequencial”, projeta a XP.

Papel e Celulose: paradas de manutenção e câmbio pesam sobre o setor

O setor teve performance mais fraca no trimestre. A Suzano (SUZB3) entregou resultado abaixo do esperado, prejudicada por volumes sazonalmente mais fracos e pelo impacto negativo da apreciação do real.

A Klabin (KLBN11) entregou resultado em linha, sustentada por volumes mais fortes de containerboard e caixas de papelão. A Irani (RANI3) ficou ligeiramente abaixo do esperado, afetada por paradas de manutenção, maior uso de papel de terceiros e aumento nos custos de energia.

Telecom e Tecnologia: TIM e Vivo decepcionam; Intelbras e TOTVS brilham

No segmento de telecom, tanto Vivo (VIVT3) quanto TIM (TIMS3) apresentaram crescimento de receitas acima da inflação, mas margens EBITDA e lucro líquido abaixo do consenso geraram reação negativa.

Desde a divulgação dos resultados da TIM, ambas as ações caíram mais que o Ibovespa. Entre as ISPs, a Unifique (FIQE3) se destacou, com receitas crescendo 22% ao ano e EBITDA expandindo 28%. Desktop (DESK3) e Brisanet (BRIS3) entregaram resultados em linha.

Na tecnologia, a Intelbras (INTB3) surpreendeu positivamente. TOTVS (TOTS3) e LWSA (LWSA3) entregaram crescimento sólido e superaram expectativas. A Bemobi (BMOB3) cresceu 33% em receitas, com alavancagem operacional voltando na operação orgânica.

“A Positivo (POSI3) teve resultados mistos, com EBITDA crescendo 31%, mas receitas avançando apenas 3,6% e a companhia reportando prejuízo líquido”, registra o relatório.

Transportes: locadoras e rodovias brilham; Hidrovias e Armac decepcionam

O setor apresentou desempenhos divergentes. No lado positivo, Localiza (RENT3) se destacou com forte precificação em Rent-a-Car, margens de Fleet acima do esperado e volumes recordes em Seminovos.

A Movida (MOVI3) foi sustentada por crescimento de volumes e melhora na utilização. Ecorodovias (ECOR3) e Motiva (MOTV3) se beneficiaram de bom momentum de tráfego e ramp-up de novas concessões.

No lado negativo, a Hidrovias do Brasil (HBSA3) sofreu com restrições logísticas no Corredor Norte e impacto da apreciação do real. A Priner (PRNR3) seguiu pressionada pelo custo financeiro elevado. A Armac (ARML3) registrou fraqueza de receitas pelo período chuvoso e encerramento de contratos de baixa rentabilidade.

Sabesp
(Imagem: Divulgação/ Sabesp)

Utilidade Pública: Sabesp e Eneva surpreendem; Light e Cemig ficam abaixo

O setor de utilidades apresentou resultados majoritariamente positivos. A Sabesp (SBSP3) foi um dos grandes destaques, com EBITDA ajustado acima das estimativas, beneficiada por inadimplência menor do que o esperado.

A Orizon (ORVR3) reforçou a normalização operacional com crescimento de gate fee. A Eneva ($ENEV) superou em 17% o consenso, puxada por otimização de GNL no Hub de Sergipe. A Sanepar (SAPR11) também entregou acima do esperado.

No lado negativo, a Light (LIGT3) segue pressionada por volumes fracos e perdas não técnicas. A Cemig (CMIG3) ficou ligeiramente abaixo por fraqueza em comercialização. A Copasa (CSMG3) decepcionou com inadimplência elevada.

A Axia (AXIA3) registrou margens de geração abaixo do esperado. Energisa (ENGI11), Equatorial (EQTL3), CPFL (CPFE3), Taesa (TAEE11), ISA Energia (ISAE4), Engie (ENGI11), Alupar (ALUP11), Auren (AURE3) e Copel (CPLE6) entregaram resultados neutros, em linha com as estimativas.

Varejo: farmácias lideram; e-commerce e alimentar seguem como pontos fracos

O varejo do 1T26 refletiu demanda resiliente em categorias selecionadas, mas em cenário ainda desafiador. As farmácias se destacaram, apoiadas pelos ventos favoráveis de GLP-1 e melhorias operacionais.

No e-commerce, o ambiente permaneceu difícil, com o Mercado Libre (MELI34) sendo a exceção de momentum, embora o EBIT tenha ficado abaixo do esperado por investimentos pesados.

No discricionário, Alpargatas (ALPA3), Riachuelo (RIIA3), C&A (CEAB3) e Lojas Renner (LREN3) se destacaram com ganhos de margem e disciplina de custos. A Azzas 2154 (AZZA3) reportou resultados fracos, com complexidade operacional e ruídos de governança adicionando preocupações.

A Natura (NATU3) também decepcionou com pressão macro sobre vendas.

“O varejo alimentar foi novamente o lowlight, com demanda fraca, macro pressionado e deflação de alimentos pesando sobre o crescimento dos players”, conclui o relatório da XP Investimentos.

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