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S&P vê perspectiva estável para Irani e projeta crescimento com avanço da plataforma Gaia

S&P vê perspectiva estável para Irani e projeta crescimento com avanço da plataforma Gaia

A Irani deve manter sua alavancagem sob controle, com índice de dívida líquida sobre EBITDA entre 2,0 vezes e 2,2 vezes em 2026 e 2027

A S&P Global Ratings mantém uma perspectiva estável para a Irani (RANI3), apoiada na expectativa de desempenho operacional resiliente da companhia nos próximos anos. A agência acredita que a fabricante de papéis para embalagens e papelão ondulado continuará se beneficiando da estabilização dos preços das aparas e do avanço gradual dos projetos da plataforma Gaia, mesmo diante do aumento dos investimentos previstos para os próximos anos.

Segundo a avaliação da agência de classificação de risco, a Irani deve manter sua alavancagem sob controle, com índice de dívida líquida sobre EBITDA entre 2,0 vezes e 2,2 vezes em 2026 e 2027, mesmo com o início dos desembolsos relacionados ao projeto Gaia XII.

A S&P projeta uma retomada gradual do crescimento dos volumes a partir de 2026, impulsionada pela demanda ainda resiliente no segmento de papelão ondulado. O cenário deve continuar sendo favorecido por fatores macroeconômicos, como os elevados níveis de emprego e políticas de transferência de renda, sustentando o consumo e a demanda por embalagens.

Nesse contexto, a expectativa é de que a companhia volte a priorizar o crescimento dos volumes comercializados, em contraste com a estratégia adotada em 2025, mais focada na preservação de margens. A agência estima que a produção de papelão ondulado alcance cerca de 178 mil toneladas em 2026, ante 174 mil toneladas previstas para 2025, refletindo os ganhos de escala proporcionados pelo projeto Gaia II.

Além do aumento dos volumes, a S&P espera reajustes de preços ligeiramente acima da inflação e custos médios menores de aparas em comparação com 2025. Esses fatores devem permitir à Irani manter margens operacionais superiores a 30%.

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Gaia deve impulsionar rentabilidade estrutural

Para o médio prazo, a agência acredita que a plataforma Gaia contribuirá para uma margem EBITDA estrutural entre 30% e 35%. Em suas projeções, a geração de EBITDA deve alcançar aproximadamente R$ 600 milhões em 2027, acima dos R$ 540 milhões estimados para 2026.

O crescimento deve ser impulsionado pela plena incorporação dos ganhos dos investimentos já realizados na plataforma, especialmente pela melhoria do mix de produtos. A maior participação de papéis flexíveis e o aumento da produção interna de celulose devem contribuir para preços médios mais elevados e redução dos custos unitários de produção.

Com isso, a margem EBITDA da companhia pode atingir cerca de 33% a partir de 2027, segundo as estimativas da agência.

Ampliação da capacidade

A S&P também avaliou o recente anúncio do Gaia XII, última etapa do ciclo de investimentos da plataforma Gaia. O projeto contempla a reforma da máquina de papel e a revitalização da planta da companhia em Minas Gerais, com potencial para ampliar em cerca de 60% a capacidade produtiva da unidade.

O investimento total previsto é de aproximadamente R$ 514 milhões, com desembolsos distribuídos entre 2026 e 2029. A entrada em operação da nova máquina está prevista para o quarto trimestre de 2028.

Com isso, a agência projeta investimentos totais de cerca de R$ 325 milhões em 2026, R$ 430 milhões em 2027 e R$ 345 milhões em 2028, acima dos R$ 254 milhões estimados para 2025.

Apesar da elevação do capex, a S&P não prevê deterioração significativa da estrutura de capital da empresa. A expectativa é que a maior geração de caixa proveniente dos projetos já concluídos da plataforma Gaia compense os novos desembolsos, mantendo a alavancagem em níveis considerados confortáveis.

Plataforma Neos ainda não entra nas projeções

A agência destaca que os investimentos da futura plataforma Neos ainda não foram incorporados ao cenário-base, devido à falta de definições sobre os valores dos desembolsos e os retornos financeiros esperados.

Considerada a próxima grande frente de expansão da Irani, a plataforma deverá aumentar a escala da produção de papelão ondulado em sua primeira fase e ampliar a produção de papel reciclado nas etapas posteriores. Os investimentos devem ocorrer de forma gradual até 2035 e têm potencial para dobrar a participação de mercado da companhia no segmento de papelão ondulado, de 4% para 8%.

A S&P informou que revisará suas projeções após a aprovação da primeira unidade da plataforma pelo conselho de administração, prevista para o fim deste ano.

Segundo a agência, uma eventual pressão negativa sobre o rating poderia ocorrer caso a relação entre dívida líquida e EBITDA ultrapasse 2,5 vezes ao mesmo tempo em que o fluxo de caixa operacional livre sobre a dívida permaneça consistentemente próximo de 10%.

Por enquanto, a avaliação permanece estável, sustentada pela expectativa de crescimento gradual dos volumes, expansão da rentabilidade e manutenção de indicadores de crédito compatíveis com a atual classificação de risco da companhia.

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