As ações da Vale (VALE3) e das principais siderúrgicas brasileiras fecharam em forte alta nesta terça-feira (2), influenciadas por dois gatilhos, já que o preço do minério de ferro pouco se mexeu na semana. Para a XP, a combinação entre uma possível disciplina de oferta na China e o alívio tarifário nos Estados Unidos sustentou o humor com o setor de metais.
No fechamento, Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3) lideraram, com altas de 8,57% e 8,85%, respectivamente. A Vale subiu 4,04% e a Gerdau (GGBR4) avançou 6,53%.
O desempenho acompanhou o exterior, onde, segundo a XP, Rio Tinto (RIO) e BHP (BHP) subiram 2% cada e a Fortescue (FMG) caiu 1%, descolamento que ajuda a contar a história do pregão.
O lado do minério
O primeiro gatilho veio da China. A estatal China Mineral Resources Group (CMRG) teria orientado algumas siderúrgicas locais a não negociar com a Fortescue um novo produto de menor teor de ferro, o Fortune Fines, em meio a tratativas difíceis de contratos de prazo.
O episódio reacendeu a especulação de que a estatal poderia impor restrições de compra à australiana, como já fez com a BHP em disputa encerrada no início do ano.
“O impacto de curto prazo nos preços deve ser limitado, já que o produto ainda não foi lançado, mas a notícia sustentou um humor melhor entre as demais grandes mineradoras de minério de ferro”, escreveram os analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano.
A reação dos papéis contrasta com os fundamentos imediatos do minério. O contrato de referência, o 62% Fe, fechou a semana estável, perto de US$ 106 por tonelada, e os estoques portuários chineses seguiram no mesmo nível.
Para a XP, parte da valorização da Vale ainda encontra respaldo no valuation, já que o papel negocia com desconto de 24% ante as grandes mineradoras diversificadas no múltiplo EV/Ebitda.
Tarifas e o aço
O segundo gatilho veio dos Estados Unidos. Na véspera, o presidente Donald Trump assinou uma proclamação que ajustou as tarifas da Seção 232 sobre parte das importações de aço, alumínio e cobre. O texto reduziu de 25% para 15% as alíquotas sobre alguns produtos derivados, caso de certos equipamentos agrícolas e de climatização, enquanto o restante da estrutura de proteção foi mantido.
“Lemos o ajuste da Seção 232 como marginalmente positivo para a Gerdau, já que os cortes valem apenas para produtos derivados de aço e alumínio, enquanto a proteção mais geral do setor permanece em vigor”, afirmaram os analistas, que mantêm as negociações do USMCA no radar como próximo ponto de atenção.
Entre as siderúrgicas, os nomes brasileiros de maior beta foram os destaques, à frente das americanas Nucor e Steel Dynamics, com 3% cada, segundo a XP. A Usiminas acumula ganho superior a 100% em 2026 e viu as posições vendidas subirem na semana, em uma das ações mais alvejadas por apostas na baixa do setor.
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