O Bradesco BBI elevou o preço-alvo da Eneva (ENEV3) de R$ 25 para R$ 32 por ação e reiterou recomendação de compra para o papel, após incorporar os resultados do leilão de capacidade LRCAP 2026 às suas estimativas.
O novo preço-alvo implica potencial de valorização de 26% em relação à cotação atual. A revisão reflete a combinação de valuation atrativo, fluxos de caixa previsíveis e um novo ciclo de crescimento estrutural para a companhia.
“Seguimos construtivos com a Eneva diante da combinação de valuation atrativo, fluxos de caixa previsíveis e relevantes oportunidades de crescimento”, afirmam Francisco Navarrete e Ricardo França, analistas do Bradesco BBI.
Leilão abre novo ciclo de crescimento
O sucesso no leilão LRCAP 2026 foi o principal catalisador da revisão. A Eneva garantiu novos contratos de capacidade para sete usinas térmicas existentes, somando 1,7 GW, e venceu contratos para três novas térmicas greenfield a gás — duas no Nordeste e uma no Sudeste —, que devem adicionar 3,7 GW de capacidade entre 2028 e 2031.
A companhia também construirá dois terminais de GNL, no Ceará e no Sudeste, para abastecer seus novos ativos e térmicas de terceiros.
“Os novos contratos e ativos greenfield devem adicionar aproximadamente R$ 12 bilhões de receita fixa anual à medida que entrarem em operação entre 2026 e 2031”, destacam Navarrete e França.
O leilão, por si só, adicionou cerca de R$ 7 por ação ao preço-alvo da companhia. Para o segundo trimestre de 2026, o Bradesco BBI projeta Ebitda de R$ 1,255 bilhão, após a Eneva anunciar despacho flexível de 2.537 GWh, com receita variável estimada em cerca de R$ 400 milhões no período.
Perfil semelhante ao de transmissão, com opcionalidades
Um dos pontos centrais da tese do Bradesco BBI é o perfil de receitas da Eneva. Cerca de 80% das receitas da companhia devem ser fixas, vinculadas a contratos de longo prazo reajustados anualmente pela inflação — perfil que aproxima a empresa do segmento de transmissão de energia, com menor exposição a discussões sobre preço spot, despacho térmico ou crescimento de demanda.
“Em nossa visão, o mercado ainda não precifica adequadamente o fato de que cerca de 80% das receitas da Eneva devem ser fixas, vinculadas a contratos de longo prazo reajustados anualmente pela inflação”, ressaltam os analistas.
No entanto, ao contrário de uma transmissora tradicional, a Eneva ainda possui diversas opcionalidades de crescimento, incluindo o desenvolvimento do negócio próprio de gás e GNL, novas térmicas greenfield, oportunidades de M&A e maior despacho em anos de hidrologia fraca.
Valuation atrativo em ambiente de incerteza
Do ponto de vista de valuation, a ação negocia a uma TIR (Taxa Interna de Retorno) real de 12,5%, equivalente a um spread de 4,5 pontos percentuais sobre as NTN-Bs — um dos maiores dentro da cobertura do Bradesco BBI.
O Ebitda deve crescer 16% ao ano entre 2026 e 2031, enquanto o lucro líquido deve expandir a uma taxa superior a 40% ao ano no mesmo período, à medida que os novos projetos entram em operação e a companhia avança na desalavancagem financeira.
“Em um ambiente de volatilidade global, riscos inflacionários e maior incerteza doméstica, vemos ativos de qualidade, com fluxo de caixa previsível e crescimento estrutural, como difíceis de encontrar a valuations tão atrativos”, concluem Francisco Navarrete e Ricardo França.






