O Bank of America atualizou seus modelos para o setor de siderurgia e mineração da América Latina, incorporando novas previsões de commodities e os resultados do primeiro trimestre de 2026. O banco reitera Vale (VALE3) e Gerdau (GGBR4) como top picks, enquanto mantém recomendação de venda para CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3).
O pano de fundo do setor é marcado pela guerra, que elevou custos de frete, logística e insumos ao longo de toda a cadeia produtiva — tema recorrente nas reuniões do último Metals & Mining Conference do banco.
Vale: compra com yield de 7,1%
O BofA mantém recomendação de compra para a Vale, reduzindo o preço-alvo de US$ 20 para US$ 19 por ADR (equivalente a R$ 94 por ação). O papel negocia a 4,8 vezes o EBITDA estimado para 2026, com FCF yield de 7,1%.
O minério de ferro permanece acima de US$ 100 a tonelada, sustentado pelo aumento de custos na indústria — não por fundamentos de oferta e demanda. A Vale se beneficia de portfólio flexível, exposição a produtos premium e disciplina em custos e capex.
Gerdau: negócios nos EUA impulsionam
A Gerdau mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 27 por ação. O banco projeta EBITDA de R$ 13,1 bilhões para 2026 — acima do consenso da Bloomberg, de R$ 11,8 bilhões —, com margem superior a 27% no segundo trimestre na divisão norte-americana.
O papel negocia a 4 vezes o EBITDA de 2026, com FCF yield de 8,1%, podendo chegar a 9% a 10% em 2027 e 2028, conforme o capex recua após os investimentos em curso.
CSN: venda por alavancagem
O BofA mantém recomendação de venda para a CSN, com preço-alvo reduzido de R$ 6 para R$ 5. A relação dívida líquida/EBITDA deve se aproximar de 5 vezes até o final de 2026, considerando pré-pagamentos.
O banco vê crescente necessidade de venda de ativos no curto prazo, dado o risco de refinanciamento da dívida enquanto a empresa acelera os investimentos no projeto P15 na mineração.
CSN Mineração: venda por valuation
A CSN Mineração também tem recomendação de venda, com preço-alvo cortado de R$ 4 para R$ 3,30. O banco vê o papel negociando a prêmio frente a pares do minério de ferro, especialmente quando considerados os pré-pagamentos na dívida líquida.
A companhia deve queimar caixa em 2026 pelos investimentos no P15. Eventuais decisões decorrentes da pressão de liquidez da holding controladora — como a compra da fatia na MRS em dezembro — podem ser negativas para minoritários.






