As expectativas para os balanços do segundo trimestre apontam para um desempenho resiliente de BTG Pactual (BPAC11) e B3 ($B3SA3), mesmo em um ambiente ainda marcado pela desaceleração da atividade no mercado de capitais. A previsão é de que ambas as companhias mantenham crescimento do lucro na comparação anual, sustentadas pela diversificação de seus negócios e pelo avanço de segmentos considerados estratégicos.
Segundo relatório da XP, o BTG Pactual deve registrar lucro líquido de R$ 4,8 bilhões entre abril e junho, alta de 14% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, no entanto, o resultado deve apresentar leve recuo de 0,7%, refletindo a normalização de algumas linhas de receita.
A corretora avalia que o banco continuará sendo beneficiado pelo crescimento das carteiras de crédito corporativo e de financiamento ao consumidor, compensando parcialmente o ambiente menos favorável para as operações de mercado de capitais.
Na divisão de Investment Banking, a expectativa é de queda nas receitas em relação ao trimestre anterior, influenciada pelo menor volume de emissões de dívida (DCM), pela atividade ainda fraca no mercado de ofertas de ações (ECM) e por uma menor movimentação dos clientes. Por outro lado, a área de fusões e aquisições (M&A) deve apresentar desempenho mais estável.
Em Sales & Trading, a XP projeta uma normalização das receitas após resultados mais fortes em trimestres anteriores, enquanto as áreas de gestão de recursos e de fortunas devem continuar registrando entrada de novos recursos, especialmente no segmento de Wealth Management.
Já a carteira de crédito deve permanecer como um dos principais motores do resultado, impulsionada pela expansão das operações de crédito consignado privado e de financiamento de veículos, além da manutenção de níveis considerados saudáveis de inadimplência.
B3 deve ser beneficiada pelo aumento da atividade em ações e renda fixa
Para a B3, a XP estima lucro líquido de R$ 1,7 bilhão no segundo trimestre, representando crescimento de 27% na comparação anual e de 14% frente ao primeiro trimestre.
Na avaliação da instituição, o desempenho deverá ser sustentado principalmente pelo aumento da atividade no mercado de ações, pela evolução dos negócios ligados à renda fixa e pelo crescimento dos ativos sob custódia.
O relatório destaca que o volume financeiro médio diário negociado em ações permaneceu elevado em relação ao ano anterior, favorecendo o crescimento das receitas do segmento. Já no mercado de derivativos listados, a expectativa é de um desempenho mais moderado, em razão da base de comparação mais elevada, embora parte desse efeito deva ser compensada pelo avanço das operações de balcão (OTC) e por uma receita média por contrato mais elevada.
Outro vetor positivo apontado pela XP é a continuidade do crescimento das receitas da central depositária, impulsionadas pelo aumento dos saldos sob custódia, além da expansão das áreas de tecnologia e serviços de plataforma.
Embora a B3 deva registrar aumento das despesas no trimestre, influenciado por custos relacionados às receitas e pela transição na administração da companhia, a XP avalia que esse impacto será compensado pelo crescimento das receitas, por um ganho estimado em R$ 100 milhões com a venda da participação na Dimensa e por benefícios tributários.
Para a corretora, os resultados esperados reforçam a capacidade de BTG e B3 de atravessar um ambiente ainda desafiador para o mercado de capitais, apoiadas na diversificação de suas receitas e na solidez de seus modelos de negócios.
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