A Eneva (ENEV3) ganhou um novo destaque na cobertura do Bradesco BBI. Em relatório divulgado nesta terça-feira (18), o banco elevou a companhia à condição de top pick do setor, ao avaliar que a tese combina uma característica cada vez mais valorizada em um ambiente de maior volatilidade: previsibilidade de resultados, sem abrir mão de potenciais gatilhos de crescimento.
O ponto central da análise é a transformação da Eneva em uma companhia com perfil de receita cada vez mais defensivo. Segundo o BBI, cerca de 75% da receita atual é fixa e corrigida pela inflação, percentual que deve chegar próximo de 80% entre 2028 e 2029, com a entrada em operação de Azulão e dos projetos contratados no leilão de reserva de capacidade.
Na prática, isso aproxima a previsibilidade da geração de caixa da Eneva à observada em ativos de transmissão, reduzindo a dependência de fatores macroeconômicos e das oscilações de curto prazo no mercado de energia.
Menos dependência do preço da energia
Outro fator considerado positivo pelo banco é a menor participação do despacho térmico variável no mix de receitas. Com uma parcela maior do faturamento protegida por contratos, a companhia fica menos exposta às oscilações dos preços de energia no curto prazo e também a períodos de melhora das condições hidrológicas.
Essa característica ganha relevância justamente em um momento em que a bolsa brasileira atravessa um ambiente de maior incerteza. Para o BBI, a Eneva consegue oferecer uma espécie de “porto seguro” dentro do setor elétrico, ao mesmo tempo em que mantém possibilidades de expansão.
A companhia, porém, terá pela frente um ciclo robusto de investimentos. O banco estima R$ 18 bilhões em desembolsos entre 2026 e 2028. Ainda assim, a avaliação é de que a alavancagem permanecerá administrável, apoiada pela recontratação de térmicas existentes e pela entrada gradual de novos ativos em operação.
O que pode destravar valor
É justamente nessa combinação entre uma base de negócios previsível e novas oportunidades que está, segundo o BBI, a principal assimetria da tese.
O preço-alvo foi elevado para R$ 36 ao fim de 2027, contra R$ 32 anteriormente projetados para o fim de 2026. O banco calcula uma taxa interna real de retorno de 13,4%, considerada atrativa frente ao rendimento das NTN-Bs.
Mais importante, porém, é que essa estimativa não incorpora uma série de possíveis fontes adicionais de valorização. Entre elas estão novos projetos de geração, a eventual consolidação de participações minoritárias em ativos contratados no leilão de capacidade, futuras térmicas, investimentos em infraestrutura de GNL e o desenvolvimento das reservas de gás da companhia.
Assim, a leitura do BBI é que o mercado não precisa necessariamente pagar hoje pelos projetos que ainda estão no horizonte para que a tese seja atrativa. A base contratada sustenta a previsibilidade dos resultados, enquanto as novas oportunidades funcionam como opções de crescimento que podem destravar valor adicional no futuro.
Defesa no presente, opcionalidade no futuro
O relatório resume a tese da Eneva em uma combinação de “defesa e crescimento”. De um lado, a crescente parcela de receitas contratadas e indexadas à inflação oferece estabilidade ao fluxo de caixa. De outro, a posição da empresa em gás natural, geração térmica e infraestrutura abre espaço para novos investimentos e consolidações.
Para o Bradesco BBI, essa combinação coloca a Eneva entre as ações com melhor relação risco-retorno do setor elétrico. A atualização das projeções após os resultados do segundo trimestre de 2026 praticamente não alterou as estimativas operacionais, mas reforçou a visão positiva sobre a companhia.
Com isso, a Eneva passa a ser a nova principal recomendação do Bradesco BBI no setor, com a expectativa de que a previsibilidade dos negócios atuais funcione como piso para a tese, enquanto os projetos futuros representem o potencial de valorização adicional da ação.
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