A piora da qualidade de crédito no Porto Bank ofuscou a redução da sinistralidade dos seguros e levou o Safra a classificar como levemente negativo o balanço da Porto (PSSA3) no segundo trimestre de 2026.
A companhia reportou lucro líquido de R$ 841 milhões, resultado 4% inferior tanto aos R$ 878 milhões projetados pelo Safra quanto ao consenso de R$ 874 milhões coletado pela empresa. Em bases recorrentes e considerando o IFRS 17, o lucro alcançou R$ 889 milhões, com retorno sobre o patrimônio líquido de 22%.
A principal pressão veio do desempenho operacional. O lucro operacional recuou 14% frente ao primeiro trimestre, para R$ 1,096 bilhão, ficando 5% abaixo da estimativa do banco. As três principais unidades da Porto apresentaram números inferiores às projeções.
O resultado final foi sustentado pelo desempenho financeiro, que atingiu R$ 387 milhões, crescimento trimestral de 26% e valor 14% acima do esperado pelo Safra. A linha foi favorecida pela inflação mais elevada e por retornos equivalentes a 90% do CDI.
“Os resultados do 2T26 não constituem um catalisador relevante para revisões de lucros, embora evidenciem uma qualidade de ativos pior do que o esperado”, afirma o analista do Safra, Daniel Vaz.
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Porto Bank concentra pressão do trimestre
As perdas de crédito do Porto Bank somaram R$ 868 milhões, aumento de 67% em um ano e de aproximadamente 20% frente ao primeiro trimestre. O valor ficou 9% acima da projeção do Safra.
A formação de novos créditos inadimplentes avançou de R$ 514 milhões para R$ 698 milhões, enquanto o índice de operações vencidas há mais de 90 dias subiu para 9,4%. A formação de ativos classificados no estágio 3 chegou a 3,5%, e a margem financeira ajustada ao risco recuou para apenas 0,1%.
A carteira de crédito cresceu 12% em um ano, para R$ 23,5 bilhões. A expansão, contudo, veio acompanhada de um ciclo mais adverso e de uma postura mais conservadora na constituição de provisões. O lucro líquido do Porto Bank caiu 32% na comparação anual, para R$ 138 milhões, com retorno sobre o patrimônio de 16,3%.
Diante da deterioração, a Porto elevou a projeção de perdas esperadas de crédito em 2026 para um intervalo entre R$ 3,1 bilhões e R$ 3,5 bilhões. A faixa anterior ia de R$ 2,7 bilhões a R$ 3,1 bilhões.
O impacto deverá ser parcialmente compensado pela revisão da receita esperada do banco, agora estimada entre R$ 7,7 bilhões e R$ 8,1 bilhões, e pela melhora da faixa de eficiência, reduzida de 27% a 31% para 24% a 28%.
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Seguro auto tem menor sinistralidade em cinco trimestres
O desempenho técnico dos seguros representou o principal contraponto positivo. A sinistralidade da Porto Seguro ficou em 49,1%, menor nível dos últimos cinco trimestres e aproximadamente 1,2 ponto percentual abaixo da estimativa do Safra.
No segmento de automóveis, o índice caiu 1,8 ponto percentual frente ao trimestre anterior, para 56,7%. Para o banco, o resultado pode indicar um ambiente competitivo mais racional ou uma precificação mais adequada dos riscos.
Os prêmios emitidos ficaram 1,2% acima do esperado, impulsionados pelo crescimento anual de 6,3% em automóveis e de 9,9% nos seguros patrimoniais e de responsabilidade civil. O lucro da unidade avançou 14% em um ano, para R$ 456 milhões, com retorno sobre o patrimônio de 32,9%.
Na Porto Saúde, a sinistralidade de 76,9% ficou 3,87 pontos percentuais acima da projeção do Safra, apesar da melhora anual. A unidade adicionou 46 mil vidas líquidas e registrou lucro de R$ 144 milhões, alta anual de 68%, mas queda trimestral de 18%.
A companhia reduziu a projeção de sinistralidade da Porto Seguro para uma faixa entre 50% e 54% e diminuiu a estimativa da alíquota efetiva de impostos para 23% a 27%. Para o Safra, essas revisões compensam boa parte das provisões maiores e afastam um risco relevante de redução das estimativas para 2026. O banco reiterou a recomendação de compra para PSSA3.






