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Por que o Bank of America passou a indicar as ações brasileiras?

Por que o Bank of America passou a indicar as ações brasileiras?

Banco elevou o Brasil de neutro para overweight, movimento apoiado na expectativa de um ciclo de corte de juros mais profundo

O Bank of America elevou a recomendação para as ações brasileiras de neutra para overweight, ou seja, exposição acima da média de referência. A mudança foi divulgada nesta terça-feira (8) e encerra uma posição neutra que o banco mantinha desde junho.

O argumento central é a política monetária. A desaceleração da atividade e a melhora nos riscos de inflação abrem espaço para um ciclo de corte de juros mais profundo do que o previsto antes.

“Não esperamos mais que o Banco Central interrompa o ciclo de afrouxamento, à medida que atividade, crédito e indicadores de confiança perdem força e a inflação subjacente melhora”, apontam os analistas do Bank of America, em relatório liderado por David Beker.

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A nova projeção coloca a Selic em 13,25% no fim de 2026 e em 11,25% em 2027, com cortes em todas as reuniões até lá. A estimativa anterior era de 12,75% para 2027, e o mercado precifica algo em torno de 14%.

O que muda na carteira

“O impacto de uma política monetária mais frouxa deve empurrar os múltiplos das ações para níveis menos deprimidos, superando os riscos de revisões negativas de lucros, desaceleração da demanda e, até certo ponto, a própria incerteza eleitoral”, observam os analistas.

A alocação aumenta em companhias mais sensíveis aos juros, principalmente em mercado de capitais, bond proxies, que são empresas com fluxo de caixa previsível funcionando como substitutas de títulos de renda fixa, e em nomes alavancados que já estavam na carteira.

Portfólio para o Brasil

Como a Selic segue em patamar elevado, o banco equilibra essa exposição com empresas grandes, líquidas, geradoras de caixa, com balanços sólidos e histórico de execução comprovado. Em commodities, a posição permanece neutra, com Vale em materiais básicos e Petrobras em petróleo.

Estrangeiro volta e recompra de vendidos ajuda

“O fluxo estrangeiro para o Brasil foi retomado, com R$ 6 bilhões de entrada em ações à vista nos últimos dez dias, revertendo parcialmente os R$ 20 bilhões de saída dos três meses anteriores”, dizem os analistas do Bank of America, em relatório liderado por David Beker.

Dois fatores adicionais ajudaram. A desaceleração do trade de inteligência artificial fez o Brasil superar Taiwan, Coreia do Sul e as fabricantes americanas de semicondutores. E houve evidência de recompra de posições vendidas, com as ações mais alvo de apostas na queda apresentando desempenho superior desde meados de agosto.

Onde estão os riscos

No valuation, o Ibovespa excluindo commodities negocia com desconto de 10% ante a média histórica, e praticamente em linha quando se ajusta pelo nível atual de juros. As ações mais sensíveis à taxa, porém, negociam com descontos bem maiores. As projeções de PIB do banco apontam crescimento de 2,3% em 2026, 1,3% em 2027 e 1,0% em 2028.

“A incerteza fiscal após as eleições segue como a principal preocupação”, projetam os analistas.

As expectativas de lucro para 2026 já foram revisadas para baixo de forma relevante, e o banco enxerga risco considerável de novos cortes para 2027. O principal risco à tese é um ciclo de afrouxamento menor do que o esperado.

No restante da América Latina, o banco mantém overweight nos países andinos, com maior alocação no Peru, e na Argentina, além de underweight no México.

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