O Safra manteve a recomendação de compra para a Eneva (ENEV3) e neutra para a Cemig (CMIG4) depois de uma rodada de encontros com a alta gestão das duas companhias, realizada em 3 de setembro.
Pela Eneva, participaram o diretor financeiro Marcelo Habibe e o chefe de relações com investidores e fusões e aquisições, Felippe Valverde. Pela Cemig, o diretor financeiro Leonardo Magalhães e a chefe de relações com investidores, Carolina Senna.
“Vemos a venda como oportunista e com bom valuation, movimento que deve não só criar valor para os acionistas e simplificar a estrutura societária, mas também trazer benefícios adicionais, incluindo maior eficiência tributária”, apontam Carolina Carneiro, Daniel Travitzky e Ricardo Bello, analistas do Safra.
A criação de valor estimada pela operação é de cerca de R$ 1,4 bilhão.
(Divulgação/Eneva)
O que mais está no radar da Eneva
Há um contrato adicional em jogo. Após a desqualificação da EPP no leilão de reserva de capacidade, a companhia pode ser chamada pela Aneel para assumir cerca de 790 MW. A administração afirmou que se prepara para cumprir o contrato, ainda que as condições possam ser mais difíceis do que em outros projetos.
Outra discussão em curso envolve a redução das exigências de inflexibilidade operacional de algumas térmicas, tema que passa pelo Tribunal de Contas da União e pode evoluir nos próximos meses.
A companhia também vê espaço para novos leilões de reserva de capacidade, com demanda que pode chegar a 40 GW segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética.
“A gestão do balanço e a alavancagem estão sob controle. Apesar dos compromissos relevantes de investimento, a companhia pode usar alternativas como a emissão de ações preferenciais e a antecipação de recebíveis”, observam Carneiro, Travitzky e Bello.
(Imagem: Divulgação/ Cemig)
Cemig aposta na distribuidora antes da revisão tarifária
Na mineira, o foco está no ciclo de investimentos. A execução forte de capex deve ampliar a base de ativos regulatória antes da revisão tarifária de 2028, o que sustenta visibilidade maior de lucros e retornos regulados atrativos. A renovação da concessão de Sá Carvalho, no regime de cotas, garantiu mais 30 anos de operação, e as negociações para Nova Ponte e Emborcação já estão em andamento.
“A estratégia da companhia de manter o foco em ativos principais e em eficiência operacional, assim como a conclusão do ciclo de investimentos antes da revisão tarifária, nos parece boa, embora as margens do braço de comercialização ainda devam ser afetadas negativamente”, projetam Carolina Carneiro, Daniel Travitzky e Ricardo Bello, analistas do Safra.
Para 2027, a companhia mantém posição aberta na comercializadora, e a partir de 2028 já está comprada em energia.