A Rede D’Or (RDOR3) cortou contratos com operadoras, viu a ocupação de leitos recuar e mesmo assim ampliou a rentabilidade no primeiro semestre de 2026. A conta fechou porque o que entrou nos hospitais foi mais caro do que aquilo que deixou de entrar.
O Ebitda somou R$ 5,9 bilhões, alta de 22,6% em um ano, com margem de 19,9% e ganho de 2,4 pontos percentuais. A receita líquida consolidada, de R$ 29,5 bilhões, cresceu 7,9%, ritmo quase três vezes menor.
“Consideramos que a Rede D’Or manteve a trajetória de crescimento dos resultados no primeiro semestre de 2026, apoiada pela evolução dos segmentos hospitalar e de seguros”, afirma William Bertan, analista do BB Investimentos.
O que sustentou a operação hospitalar
O ticket médio avançou 9,1% nos doze meses encerrados em junho, resultado do peso maior de procedimentos de alta complexidade. A oncologia puxou o movimento: o volume de infusões subiu 15,5% no semestre e a área chegou a 11,7% da receita bruta hospitalar, ante 10,7% um ano antes.
Do outro lado da equação, a descontinuação de contratos com algumas operadoras concentrou seus efeitos em unidades do Nordeste. A administração defende a decisão pelo que ela protegeu fora da linha de receita: os recebíveis e o capital de giro.
SulAmérica corta sinistralidade para 78,1%
As carteiras de saúde e odonto somaram 6,1 milhões de beneficiários em junho, alta de 9,7%. Saúde cresceu 4,5% e odonto, 16,1%.
A sinistralidade consolidada do 2º trimestre de 2026 recuou 3,2 pontos percentuais, para 78,1%. Produtos com coparticipação e reembolso modular ganharam espaço, e a companhia manteve o combate a fraudes e a renegociação com prestadores.
“A complementaridade dos negócios da SulAmérica amplia a diversificação da companhia no setor de saúde e cria oportunidades de ganhos operacionais e comerciais”, observa Bertan.
Alavancagem recua mesmo com dívida maior
A dívida bruta passou de R$ 45,4 bilhões em dezembro de 2025 para R$ 51,0 bilhões em junho. A líquida, já descontado o caixa das provisões técnicas de seguros e previdência, subiu de R$ 21,7 bilhões para R$ 22,8 bilhões.
O crescimento do Ebitda, entretanto, absorveu esse aumento. A alavancagem caiu de 1,82 vez para 1,71 vez, num momento em que a companhia planeja adicionar 2.690 leitos entre 2026 e 2028, a um custo médio de R$ 1,4 milhão por leito.
A ação e o descolamento do índice
Até o fechamento de 3 de setembro, RDOR3 acumulava queda de 7,2% no ano. O Ibovespa, no mesmo intervalo, subia 14,9%.
“Atribuímos essa performance, principalmente, à revisão das expectativas para a taxa de juros e à percepção mais cautelosa do mercado quanto à evolução das margens hospitalares”, explica o analista.
O balanço do 2º trimestre de 2026, divulgado em agosto, alterou parte dessa leitura. Com os ganhos de rentabilidade nos hospitais e na SulAmérica, o papel passou a andar em linha com o índice.
O que o BB projeta daqui para frente
O banco revisou o modelo a partir dos resultados dos últimos trimestres, da atualização das premissas macroeconômicas e do plano de expansão da companhia. Comparado à revisão anterior, o valor da firma ficou praticamente parado.
A mudança relevante aconteceu na conta do acionista.
“A atualização das projeções operacionais compensou os efeitos da maior taxa de desconto, mantendo o valor da firma praticamente estável. Porém, a maior dívida líquida considerada no modelo reduziu o valor para o acionista”, calcula Bertan.
Nos riscos, o BB Investimentos aponta retorno sobre o capital investido abaixo do estimado, tanto na expansão orgânica quanto em aquisições futuras. Entram também mudanças regulatórias e possível desgaste na relação com operadoras e corpo clínico.
O risco mais imediato, contudo, é o da margem.
“A compressão das margens diante do aumento de custos assistenciais e operacionais pode ser intensificada pelo descasamento ou pela dificuldade de repasse de reajustes a operadoras, segurados e demais clientes”, alerta o analista.






