A Oncoclínicas (ONCO3) deve protocolar um pedido de recuperação extrajudicial dentro de até três semanas, segundo informações divulgadas pelo Valor nesta quinta-feira (18). Com a notícia, as ações da companhia registram forte alta, avançando 16,24% e sendo negociadas a R$ 1,36 por volta das 13h05 desta sexta-feira (19).
Apesar do movimento positivo no pregão, o desempenho acumulado no ano ainda é negativo, com queda próxima de 50% desde o início de 2026 até a tarde de hoje. O cenário reflete as dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa ao longo dos últimos meses.
De acordo com o Valor, a companhia está em estágio avançado de negociação com credores em relação a uma dívida de cerca de R$ 4 bilhões.
As conversas com instituições financeiras envolvem a possibilidade de um abatimento entre 40% e 50% dos valores devidos. Embora o prazo da medida cautelar tenha vencido nesta semana, não houve pedidos de antecipação de vencimentos, já que as tratativas seguem em andamento.
Liquidez pressionada e próximos passos
Os resultados financeiros recentes reforçam a urgência da reestruturação. No primeiro trimestre de 2026, a Oncoclínicas reportou Ebitda negativo próximo de R$ 50 milhões e fluxo de caixa livre negativo de R$ 401 milhões, encerrando o período com apenas R$ 124 milhões em caixa.
Esse cenário limita a capacidade da companhia de honrar compromissos no curto prazo e aumenta o risco de novos eventos de crédito.
“A reestruturação é necessária para reduzir a pressão imediata de liquidez e preservar a continuidade das operações”, escreveram os analistas do banco Safra Machado e Pasqualini em um relatório recente.
Na avaliação deles, o sucesso do processo dependerá da aprovação das propostas nas assembleias e da capacidade de alinhar interesses entre credores. Sem isso, a empresa permanece exposta a vencimentos antecipados e maior risco de judicialização.
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