A Oncoclínicas (ONCO3) deu um novo passo em seu processo de reestruturação financeira ao convocar Assembleias Gerais de Debenturistas (AGDs), marcadas para 6 de julho. A iniciativa, anunciada em 15 de junho, abre caminho para renegociação abrangente das condições de sua dívida, em meio a um quadro de elevada pressão de liquidez.
A companhia pretende revisar os principais termos de suas debêntures, incluindo alongamento de prazos, alterações no cronograma de pagamento e ajustes na remuneração dos títulos.
“O objetivo é estruturar um reperfilamento amplo da dívida, com mudanças relevantes nas condições financeiras”, afirmam os analistas Yuri Machado e Roberto Pasqualini, do Banco Safra.
As discussões também incluem a possibilidade de adesão a um plano de recuperação extrajudicial como instrumento para viabilizar a implementação das novas condições acordadas com credores.
Debêntures e CRIs no centro
As assembleias envolvem as 9ª e 11ª emissões de debêntures da companhia, abrangendo os papéis ONCO19, ONCO29 e ONCOA1. A expectativa é que os credores deliberem sobre mudanças que possam reduzir a pressão de curto prazo sobre o caixa.
Paralelamente, a estrutura de crédito da companhia inclui Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) que também entraram em situação delicada. A 54ª emissão, estruturada pela Opea, teve vencimento antecipado configurado após a concessão de uma medida cautelar que suspendeu pagamentos por 60 dias.
Diante desse cenário, os investidores dos CRIs passaram a se organizar, com apoio de assessores legais e financeiros.
“A coordenação entre diferentes classes de credores é essencial para reduzir o risco de descontinuidade financeira”, destacam Machado e Pasqualini.
Proteção judicial e seus limites
A reestruturação ocorre após a companhia obter, em abril, uma tutela cautelar que suspendeu temporariamente o vencimento antecipado de dívidas. A medida teve validade de 60 dias e ofereceu um período de respiro para negociações com credores.
No entanto, essa proteção é considerada transitória e não resolve o problema estrutural da dívida. Com o término do prazo, aumenta a necessidade de uma solução definitiva.
“A medida cautelar trouxe alívio temporário, mas não substitui a necessidade de um acordo abrangente com credores”, afirmam os analistas.
Como consequência, a empresa reclassificou seus passivos para o curto prazo, refletindo o risco elevado de exigibilidade das obrigações financeiras caso não haja avanço nas negociações.
Liquidez pressionada e próximos passos
Os resultados financeiros recentes reforçam a urgência da reestruturação. No primeiro trimestre de 2026, a Oncoclínicas reportou EBITDA negativo próximo de R$50 milhões e fluxo de caixa livre negativo de R$401 milhões, encerrando o período com apenas R$124 milhões em caixa.
Esse cenário limita a capacidade da companhia de honrar compromissos no curto prazo e aumenta o risco de novos eventos de crédito.
“A reestruturação é necessária para reduzir a pressão imediata de liquidez e preservar a continuidade das operações”, dizem Machado e Pasqualini.
Na avaliação do Banco Safra, o sucesso do processo dependerá da aprovação das propostas nas assembleias e da capacidade de alinhar interesses entre credores. Sem isso, a empresa permanece exposta a vencimentos antecipados e maior risco de judicialização.






