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Mercado já bateu demais na Cosan, diz BBI

Mercado já bateu demais na Cosan, diz BBI

Execução da agenda de simplificação e trajetória de juros serão determinantes para reprecificação

As ações da Cosan (CSAN3) acumulam queda próxima de 50% desde o pico registrado após o follow-on, movimento que reflete uma combinação de fatores operacionais e macroeconômicos.

Segundo análise do Bradesco BBI, a deterioração recente já foi amplamente precificada pelo mercado, especialmente diante de resultados mais fracos no primeiro trimestre e do ambiente de juros mais elevados no Brasil.

O preço atual já reflete uma visão bastante conservadora dos investidores”, afirmam os analistas Vicente Falanga e Ricardo França.

O desempenho negativo está ligado principalmente à piora na geração de caixa e ao aumento da dívida líquida, além da abertura relevante da curva de juros, que passou a incorporar expectativas de novas altas da Selic.

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Esse cenário elevou as preocupações sobre a sustentabilidade financeira da holding e o nível de desconto em relação ao valor líquido de seus ativos (NAV), que chegou recentemente a cerca de 25% antes de recuar para 19%.

Desconto elevado e revisão de valor

Mesmo após a correção recente, o BBI revisou suas premissas e reduziu sua estimativa de valor justo para a companhia. Considerando fatores como a curva de juros mais elevada e um aumento de 2 pontos percentuais no custo de capital, os analistas passaram a projetar um preço justo ao redor de R$ 4,10 por ação.

Ainda assim, o banco entende que o nível atual de preços pode representar uma oportunidade.

“Apesar da revisão de estimativas, o papel ainda apresenta potencial de valorização frente aos níveis atuais”, destacam Falanga e França.

A avaliação considera apenas desinvestimentos já anunciados, como a oferta secundária da Compass (PASS3) e a venda de ativos da Radar.

O desconto frente ao valor dos ativos, combinado à sensibilidade da companhia ao ambiente macro, cria uma dinâmica assimétrica. Na prática, uma melhora nas condições financeiras pode gerar reação mais expressiva das ações, enquanto o cenário negativo já estaria, em grande parte, embutido nos preços.

Catalisadores no radar

Para o BBI, o avanço da agenda de simplificação do portfólio é um dos principais gatilhos de valor para a Cosan. A empresa tem buscado reduzir sua alavancagem por meio da venda de ativos e reorganização de participações, estratégia vista como essencial para melhorar a percepção de risco.

“Vemos uma agenda clara de desinvestimentos que pode destravar valor ao longo do tempo”, apontam os analistas.

Entre as possibilidades estão novas vendas de ativos da Radar, redução adicional de participação na Compass e eventual monetização de participação na Rumo (RAIL3).

Outro fator relevante é o comportamento da curva de juros. Qualquer sinal de alívio, mesmo que sem um ciclo completo de queda, pode contribuir para uma reprecificação do papel, dada a alta exposição da holding ao custo de capital.

Equilíbrio entre risco e retorno

Na visão do banco, o cenário atual começa a apresentar um balanço mais favorável entre risco e retorno para investidores com horizonte mais longo.

“O papel combina desconto relevante, alavancagem operacional a um cenário melhor e gatilhos claros de execução”, afirmam Falanga e França.

Ainda assim, os analistas ressaltam que o curto prazo permanece desafiador, especialmente diante da volatilidade macroeconômica e da necessidade de execução consistente da estratégia. O desempenho das ações seguirá sensível tanto à evolução dos fundamentos quanto às condições financeiras do país.