O Ibovespa hoje terminou o pregão em leve queda. O principal índice da bolsa brasileira recuou 0,18% e fechou aos 206.505 pontos, depois de uma sessão agitada. Ao longo do dia, o indicador oscilou entre a mínima de 203.463 e a máxima de 207.220 pontos, uma amplitude que mostra um mercado nervoso, mas sem perder o fôlego. O volume financeiro somou R$ 31,3 bilhões.
A queda, porém, é apenas uma foto do dia. O filme das últimas duas semanas conta uma história bem mais animada.
Enquanto o Ibovespa sobe e desce no curto prazo, o avanço acumulado em outubro já redesenhou o mapa das empresas mais valiosas da B3. Entre 2 e 13 de outubro de 2026, o número de companhias com valor de mercado acima de R$ 100 bilhões passou de 10 para 12, segundo levantamento da Elos Ayta.
A mudança mais simbólica foi a do BTG Pactual (BPAC11), que ultrapassou a Vale (VALE3) e assumiu a terceira posição entre as empresas de capital aberto mais valiosas do país. Agora, o banco só fica atrás da Petrobras (PETR3; PETR4) e do Itaú Unibanco (ITUB4).
Mercados de Nova York
No exterior, o dia foi de pressão. As bolsas de Nova York recuaram na quarta-feira, castigadas pelas perdas no setor de inteligência artificial, em reação aos dados de inflação ao consumidor dos Estados Unidos em setembro, que vieram acima do esperado.
O S&P 500, índice geral do mercado, caiu 1,1%. O Nasdaq Composite, mais concentrado em tecnologia, recuou 1,9%. Já o Dow Jones perdeu 47 pontos, ou 0,09%, com as perdas contidas pelos ganhos em ações importantes do setor de saúde, como UnitedHealth e Amgen.
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA subiu 0,6% em setembro, em dados ajustados sazonalmente. Com isso, a taxa acumulada em 12 meses chegou a 3,7%, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS). Economistas consultados pela Dow Jones projetavam alta de 0,6% no mês e de 3,6% no acumulado. Em agosto, a taxa anual havia sido de 3,4%.
O núcleo do índice, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, avançou 0,3% no mês e 2,6% em 12 meses, ligeiramente acima das estimativas de 0,2% e 2,5%. Em agosto, a taxa anual do núcleo era de 2,4%.
Na prática, os números indicam que a inflação americana não deu trégua, e isso costuma alimentar o debate sobre o ritmo dos juros nos Estados Unidos, tema que influencia o apetite por risco no mundo todo, inclusive na Bolsa brasileira.
O novo Livro Bege, relatório periódico do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sobre as condições econômicas do país, reforça esse cenário. O recado central é que o petróleo mais caro virou o fio condutor da inflação. Segundo o documento, os preços mais altos do petróleo “permearam todos os relatórios distritais”, ou seja, apareceram nas avaliações dos 12 distritos do Fed.
O ponto que mais chama atenção, no entanto, está no mercado de trabalho. A maioria dos distritos viu pouca ou nenhuma mudança no emprego, e a oferta de mão de obra foi considerada adequada, embora persista a escassez de trabalhadores especializados, técnicos e de ofícios qualificados. Mas o relatório mostra que o impacto da inteligência artificial já é sentido: empresas reduziram quadros por rotatividade natural, adiaram contratações ou projetaram menos vagas após ganhos de produtividade com IA.
Leia também:






