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Helbor entrega um quarto trimestre sólido, mas o mercado queria mais

Helbor entrega um quarto trimestre sólido, mas o mercado queria mais

Lançamentos vieram fortes, mas vendas ficaram abaixo do esperado pelo BTG Pactual, mas o banco segue neutro

A Helbor (HBOR3) divulgou na noite de segunda-feira (12) sua prévia operacional do quarto trimestre de 2025 (4TRI25) e entregou um conjunto de números que, no papel, confirmam um 4TRI25 consistente.

O mercado até chegou a reagir com força no início do pregão desta terça (13), mas o movimento perdeu tração ao longo do dia — um comportamento que combina com a leitura do BTG Pactual: o trimestre foi sólido, mas sem surpresa.

Na prévia, a companhia reportou vendas brutas totais de R$ 661,8 milhões, alta de 15,2% em relação ao 4TRI24 e avanço de 38,2% frente ao 3T25, impulsionada principalmente pela performance dos lançamentos no período.

A velocidade de vendas (VSO) também se manteve em patamar relevante: o VSO total foi de 19,7% no trimestre, enquanto o VSO da parte Helbor ficou em 17,5%.

Lançamentos puxam o trimestre — com destaque para o Neo Concept

O grande motor do trimestre foi a atividade comercial de novos projetos. No 4TRI25, a Helbor lançou quatro empreendimentos, totalizando VGV líquido de R$ 959,3 milhões, com 48% de participação da companhia.

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Três desses projetos foram lançados em São Paulo — Casa Piauí, Garden Design Private Park Residence e a 2ª fase do Clube Patteo São Bernardo — além do Neo Concept, em Mogi das Cruzes, que teve “excelente performance de vendas no fim de semana de lançamento”, segundo a empresa.

Na média, os lançamentos do trimestre mostraram tração: o VSO total dos lançamentos atingiu 33,4% no período, indicando uma resposta comercial acima do padrão recente.

Vendas: mix favorece lançamentos — e distratos não preocupam

Além do volume, o mix de vendas no trimestre ajuda a entender o perfil da operação. De acordo com a companhia, 48,5% das vendas vieram de lançamentos, enquanto 28,8% foram de unidades em construção e 22,7% de unidades prontas.

Os distratos, por sua vez, somaram R$ 83,8 milhões no trimestre (114 unidades). O dado que chama atenção aqui é a eficiência de recomposição: a Helbor afirma que 100% dessas unidades foram revendidas no mesmo trimestre, com ganho médio de 4% sobre o valor da venda original.

Na prática, é um indicador de que a companhia conseguiu manter a atratividade do produto — e executar a operação comercial com rapidez, mesmo em um ambiente ainda mais seletivo para o setor.

Entregas e repasses: ritmo segue relevante — e 2025 bate recorde

No operacional, a Helbor concluiu a entrega de dois empreendimentos no 4T25 (Duo Lifestyle e Patteo São Bernardo), totalizando VGV líquido de R$ 330,9 milhões. Ao final de dezembro, 92% das unidades estavam vendidas e 46% já haviam sido repassadas.

Já os repasses somaram R$ 462,4 milhões no trimestre, com 56% atribuídos à Helbor.

No consolidado de 2025, a empresa também trouxe um número que reforça a execução: os repasses chegaram a R$ 1,973 bilhão, uma alta de 12,3% em relação a 2024 — o maior volume da história da companhia, segundo a própria Helbor.

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BTG: trimestre veio “em linha”, mas vendas ficaram abaixo do esperado — e recomendação segue neutra

Na avaliação do BTG Pactual, o 4TRI25 foi sustentado por lançamentos fortes (em linha com o esperado), mas as vendas vieram um pouco abaixo do que o banco projetava. No relatório, o BTG aponta vendas brutas de R$ 662 milhões e distratos de R$ 84 milhões, resultando em vendas líquidas de R$ 578 milhões — alta de 28% ano a ano, mas cerca de 10% abaixo da estimativa do banco.

“Acreditamos que a companhia tem direcionado seu foco para vender estoque e ativos não essenciais, já que reduzir alavancagem é uma prioridade agora. Planejamos atualizar nossas estimativas para a Helbor em breve, mas por enquanto seguimos cautelosos com o segmento de média/alta renda — por isso mantemos recomendação Neutra, apesar da avaliação bastante descontada (0,3x P/TBV)”, disse o BTG.

A leitura do banco ajuda a explicar o comportamento da ação no dia: apesar da prévia confirmar um trimestre operacionalmente sólido, o relatório reforça que o “resultado era esperado” — e que, no curto prazo, o mercado pode continuar exigindo sinais mais claros de aceleração consistente nas vendas, principalmente nos segmentos de média e alta renda.

Preço-alvo de R$ 4,70 e valuation descontado: o que está no radar

Mesmo com a cautela, o BTG ressalta que a Helbor segue negociando com múltiplos muito baixos. O banco mantém recomendação Neutra e preço-alvo de R$ 4,70 em 12 meses. 117302

O ponto central, agora, é como a empresa vai transformar o bom ritmo de lançamentos em uma melhora mais estrutural na leitura de risco — especialmente com o foco declarado em reduzir alavancagem via venda de estoques e ativos não essenciais.

Em outras palavras: o 4T veio “redondo”, mas o mercado quer o próximo passo.